Desde que Jean Michael Seri chegou ao futebol francês, na metade de 2015, o jogador da seleção marfinense passou a ser conhecido como um dos meio-campistas mais dinâmicos do campeonato. E se o Nice ainda sonha com o título da Ligue 1, coloca boa parte dessa responsabilidade nos ombros deste baixinho de 1,65m.
Aos 25 anos, ele passou a ser o ponto de equilíbrio quando o time menos esperava: após perder, por lesão, jogadores importantes como Alassane Plea e Wylan Cyprien. Desde então, Seri passou a ser comparado constantemente com N’Golo Kanté, que também teve passagem pela França antes de estourar como um sucesso na Premier League inglesa. E assim como Kanté, o jovem do Nice passou a ser um dos maiores ‘segredos’ da Ligue 1.
No entanto, Kanté e Seri são jogadores bem diferentes apesar de cobrirem a mesma faixa do campo. Afinal de contas, se o jogador do Chelsea é mais conhecido pela excelente proteção do sistema defensivo a estrela do Nice tem uma vocação mais ofensiva. Além disso, mostra grande habilidade no passe.
O técnico Lucien Favre pode até exaurir os seus comandados na parte defensiva, mas isso não diminuiu em nada o impacto do jovem na etapa ofensiva do jogo: já são nove assistências, e uma criatividade menor apenas do que algumas das maiores estrelas do futebol europeu [como Neymar, Christian Eriksen e Kevin De Bruyne].
(Foto: Getty Images)Acredite se quiser, Seri já criou mais chances de gol na atual temporada do que Lionel Messi.
“É um ranking estranho, porque você depende do outro [marcar o gol após o passe]”, disse para o L’Equipe. “Eu procuro saber onde eu estou na Europa”.
E tem sido uma longa jornada, desde que ele deixou a Costa do Marfim. Em seu país natal, a paixão pela bola começou no Cyril Domoraud Center em 1999. Com apenas oito anos de idade, a brincadeira virava coisa séria mesmo nos campos irregulares.
“Treinar jogadores de futebol na África é uma coisa especial”, afirmou ao Le Point. “Até determinado nível, jogamos descalços. O resultado disso é que ficamos com um contato maior com a bola e adquirir uma base técnica grande para o controle. Quando colocamos as chuteiras, significa que atingimos um determinado nível”.
Só que além disso, a habilidade no passe fica mais clara quando ele diz em quais jogadores se espelhou: “Eu me inspirei no Marcelo Gallardo, quando ele jogou no Monaco no início dos anos 2000. Era esse o meu apelido lá na Costa do Marfim”.

“O Xavi fazia muito isso [passes rápidos e dinâmicos, ditando o ritmo do jogo] no Barcelona e eu tentei copiá-lo. Foi um truque que eu trabalhei duro para tentar dominar”, explicou.
Com a bola que vem jogando, as especulações não param de aparecer na Europa. Falam de Olympique de Marseille, Borussia Dortmund e até Southampton, onde reencontraria o técnico Claude Puel [que o trouxe para o Nice, por 2 milhões de euros, após passagem pelo Paços de Ferreira]. Mas Seri não parece ter pressa de se mudar. Razão? O frio!
“Eu tenho unha encravada e preciso de tratamento especial quando está frio”, admitiu. “Eu não me vejo jogando em um país muito frio. Eu me machuco todo e tenho dificuldades para treinar. Eu me sinto bem aqui, minha família também. Não vejo razões para sair. O clube está melhorando e tem muita coisa positiva, então pra que sair?”.
Isso, é ele e o próprio Nice que resolvem. Mas não há dúvidas de que os ‘peixes grandes’ já estão de olhos bem abertos. O valor de 40 milhões de euros não parece mais um valor tão alto.



