Luisão sem filtros: "O Brasil não está preparado para o sucesso de Jorge Jesus e nem de ninguém"

Dirigido por JJ de 2009 a 2015, ex-zagueiro e hoje embaixador do Benfica lamenta 'ego muito grande' no país de origem

1.93m de altura. 1.93m também de muita simpatia, humildade e personalidade forte. Um gigante dentro e fora de campo. Aposentado há um ano, Luisão hoje cumpre o papel de embaixador internacional do Benfica, onde é o jogador com mais títulos (20) e o segundo com mais jogos (538) na história.

Inicialmente, o ex-zagueiro do Cruzeiro e da seleção brasileira até pensou em seguir a carreira de treinador, mas, depois de tanto rodar mundo afora nos últimos meses, já se vê mais ligado à gestão do futebol, sobretudo agora que o clube português é uma das principais referências na formação de talentos. 

Conhece como poucos Jorge Jesus, de quem ouviu a seguinte "provocação" logo nos primeiros dias de trabalho nos encarnados: "Se eu estivesse em outro time, não te contratava". A afronta, na verdade, era um estímulo. Sob o comando de JJ, que "transforma jogador mediano em bom", o antigo defensor passou a "entender o jogo", mesmo na ocasião já sendo um profissional experiente e vitorioso.  

Apesar de morar em Lisboa desde 2003, Luisão não esquece o (desorganizado) futebol brasileiro, em especial a Raposa, que a cada dia que passa "perde suas regras e seus valores" diante de tamanha crise.

Quando sentiu que, de fato, já não era mais jogador?
Acordei no dia seguinte à minha despedida, peguei a chave e já estava indo para o carro para ir treinar, mas aí lembrei que não precisava mais [risos]. Reforço que, dois anos antes de parar, já tinha colocado como meta deixar o futebol aos 38 anos. Por ter sido planejado, foi muito fácil para a minha ficha cair. Acabou que antecipei um pouco a minha decisão, porque não acabei a temporada. Mas assim que me aposentei o jogador Luisão ficou para trás.

Já parou de jogar tem um ano, mas ainda se vê em alguns momentos como atleta?
Ainda tenho algumas atitudes de jogador, como, por exemplo, a disciplina. Tem também a constante tomada de decisão rápida, a superação de algumas dificuldades do dia a dia, a resiliência, o querer sempre aprender...

Se alguém fosse escrever um livro sobre a sua história, qual seria o melhor título?
[Risos] Essa pergunta me pega de surpresa, porque acho que aconteceu tanta coisa na minha carreira... talvez um pouco daquilo que carrego comigo nos bate-papos: "Mais do que vencer". Tudo aquilo que a gente faz como jogador, como conquistar títulos, é importante, mas o que vale mesmo é encerrar a carreira sendo respeitado pela sua índole e pelos valores que você acrescentou como jogador e também como pessoa. Não é só vencer, é mais do que isso. 

A sua trajetória, dentro e fora de campo, é digna de um filme?
Acho que sim. Todos aqueles meus passos, e não foram muitos, porque joguei em poucos clubes [Juventus-SP, Cruzeiro e Benfica], foram todos bem marcados e marcantes. As minhas histórias sempre tiveram início, meio e fim.

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Ser embaixador internacional do Benfica é apenas uma transição para futuramente assumir um papel de dirigente ou até mesmo de treinador?
Acredito que sim. Inicialmente, as pessoas imaginavam que eu iria logo ser treinador, por ter jogado tanto tempo e tal, e acabei por surpreender muita gente, inclusive a minha própria esposa, porque preferi entender primeiro aquilo que o Benfica é na parte de gestão, como se transformou tanto e virou um exemplo para o mundo todo. Meu foco inicial era aprender e, juntamente com isso, representar o clube em eventos importantes. Quero aprender muito dentro de um período de dois a três anos, e depois analisar o melhor lado a seguir.

Mas tem alguma preferência?
A minha preferência, por enquanto, é sempre pelo lado de cá do futebol, a parte de fora. Está bem claro na minha cabeça que, para estar dentro do campo, como treinador, é preciso se preparar muito. Não é porque você é ex-jogador e entende o que acontece dentro de campo que pode logo virar um treinador. Precisamos respeitar muito aqueles que estudaram durante muitos anos para assumir um time. O lado de fora do futebol, toda a dinâmica, todas as vertentes que posso explorar para criar uma carreira aqui também, isso tudo me seduz a cada dia, e tenho crescido com isso.

Qual é a imagem internacional do Benfica hoje, sobretudo na formação de talentos?
Existe um respeito muito grande pelo know-how que o Benfica construiu. Cada vez mais as pessoas querem entender como o clube formou tantos craques, como tem alimentado grandes clubes. Temos o caso do Bernardo Silva, do João Félix, do João Cancelo, do Renato Sanches, do André Gomes, do Lindelof, do Ederson... Quando falam "Benfica", as pessoas olham logo para o nosso know-how, a nossa organização, o nosso profissionalismo. Uma das coisas que mais tenho aprendido dentro do Benfica é que se você não for profissional, você não vai evoluir aqui dentro. O Benfica não é um bom lugar para amadores. A marca do Benfica é muito forte.

Por que o Benfica não compra jogadores com a mesma agressividade que vende?
Os críticos em relação a isso precisam entender que o Benfica está numa crescente e numa estratégia de transição. O Benfica tinha que fazer isso [vender] porque era um clube que vinha em total crescimento, então tinha que desenvolver jogadores e vender - e no caso do João Félix superou todas as expectativas, porque saiu por um valor estratosférico -, mas o Benfica agora também já começa planejar a reter esses jogadores desenvolvidos em casa, como é o caso do Rúben Dias. A Europa toda tinha interesse nele, mas o Benfica conseguiu que o jogador permanecesse. A gente já começa a ver isso no Benfica. Toda transição leva tempo. Quando eu cheguei aqui, o clube não tinha o potencial que tem hoje. O Benfica naquela altura trocava muito de jogadores, contratava muito, e agora está numa fase de desenvolver e vender jogadores. Logo, vai chegar a hora de reter jogadores, que é uma das estratégias do Benfica nesses próximos dez anos. É uma estratégia do nosso clube para combater os grandes clubes [financeiramente] da Europa.

Como rebater quem acusa o Benfica de não ter ambição a nível europeu?
Depende das pessoas que contestam isso. Se for uma pessoa de fora, posso enxergar mais como uma vontade de criar alguma confusão ou de querer prejudicar o nosso trabalho. Quando isso é daqui de dentro... A ambição europeia vai sempre existir. O importante, na minha opinião, é formar o alicerce nas competições europeias. O que é o alicerce? É passar de fase mais vezes, é chegar às oitavas com mais frequência, às quartas, depois almejar uma semi e quem sabe no futuro próximo atingir uma final. Sem o alicerce construído, isso é impossível. A "ambição europeia" não é analisar apenas um ano, não é entrar na Champions agora e já ser campeão. Sabemos que existem aqueles que investem muito e compram os melhores. A questão é: como vamos combatê-los? Respondo: construindo um alicerce forte, e estamos fazendo isso.

Em qual estágio está o clube na construção desse alicerce?
Está começando o alicerce. Veja bem, se separarmos os últimos dez anos, o Benfica atingiu duas finais da Liga Europa e passou da fase de grupos na Champions em algumas oportunidades. É preciso também avaliar esse histórico recente, muitas vezes o torcedor não percebe isso. Sim, o Benfica recentemente não pontuou numa fase de grupo da Champions [2017/18], mas, numa média, temos feito boas campanhas na Europa. A gente assume agora uma ambição europeia, mas tem todo um passo a passo para isso.

LUISÃO Luisão tem três títulos pela seleção brasileira (Foto: Divulgação)

Com tantos jovens revelados, faltava ao Benfica ter também um treinador (Bruno Lage) formado em casa?
No meu ponto de vista foi muito bom. Quando se fala em formação, a gente sempre olha para o jogador, um jogador que geralmente chega no clube com oito ou nove anos, faz todo um percurso e ganha espaço no time profissional. Então, damos sempre mais valor para o jogador. Agora, com o Bruno Lage, começamos a enxergar que o Benfica também pode formar treinadores. Ele [Lage] fez um trabalho espetacular na temporada passada, já agora está no começo da nova temporada. É bacana ver o Benfica formando também treinadores, porque temos muita gente capacitada. Aquilo que um jogador faz aqui, o que todo mundo vê nos jogos, é o produto final. Mas precisamos olhar para as pessoas que estão desenvolvendo todo esse produto. Temos hoje um treinador que passou por várias etapas aqui dentro, então vejo isso com bons olhos.

Bruno Lage é hoje a pessoa perfeita para o cargo?
Sim, acho que sim. Foi a melhor decisão que o Benfica tomou, e vimos isso na superação que o time teve na temporada passada, tendo, no fim, conquistado o título nacional.

Por que o Sporting não tem conseguido acompanhar Benfica e Porto? Por que ficou para trás?
Faz muito tempo que não acompanho as notícias. Acompanho, lógico, as opiniões dos torcedores, mas acho que o fator mais importante do futebol é quando você se preocupa com os problemas que tem dentro da própria casa. O Benfica cresceu por causa disso. Muitas vezes a gente escuta polêmicas, tem a preocupação com as coisas que estão fora da nossa casa, e isso é prejudicial. Cada um tem os seus problemas. O Benfica cresceu quando resolveu olhar para os próprios problemas. O Sporting precisa fazer a mesma coisa, tem que focar primeiro naquilo que são os próprios problemas para, então, entregar o seu produto final e ser mais competitivo em campo.

Acha que a imprensa portuguesa enxerga os grandes clubes do país como inimigos? E vice-versa?
Em Portugal às vezes somos um pouco hipócritas naquilo que pregamos. Tanto a imprensa quanto os clubes têm que pensar como o produto final - que é o futebol - vai ser valorizado. Os clubes não ajudam, muito menos a imprensa. Portugal é um país pequeno, com muitos jornais, então acabamos por focar muito naquilo que são os problemas, a rivalidade, o ganhar com base no "vida ou morte". O futebol não é assim. Às vezes esquecemos de pegar as coisas boas e valorizá-las. Simples assim. 

Como fazer para valorizarmos o "produto final"?
Começar a caminhar todos juntos para o mesmo lado. A rivalidade tem limite. Tem muitos jogadores em Portugal encerrando a carreira, seja no Benfica, no Porto, no Sporting, no Braga, no Vitória de Guimarães... acho que eles precisam ser ouvidos um pouco. Precisamos sentar e bater um papo sobre como melhorarmos esse lado. Esse é um dos caminhos, é dar voz, sabendo que muitos deles foram capitães e sabem muito bem como o futebol português funciona.

Fica triste ou até mesmo envergonhado com a crise no Cruzeiro? Problemas políticos, salários atrasados, trocas de treinadores...
Muito triste, muito mesmo. Sempre vi o Cruzeiro como um clube-referência no Brasil, e agora, acompanhando as notícias sobre o presidente, os diretores, a falta de resultados, a saída do Mano Menezes, toda essa confusão envolvendo o Rogério Ceni também... tudo é reflexo da desorganização do clube. A partir do momento que você perde as regras e os valores, o resultado no campo não aparece. É lamentável. Digo isso nem tanto como uma crítica, mas sim como um comentário de quem tem um carinho pelo clube, de quem quer ver o clube numa outra situação. Um clube-referência não pode nunca perder a sua cultura.

Luisão Benfica 2017 Luisão é o jogador mais títulos do Benfica: 20 (Foto: Divulgação)

Recentemente, tivemos o Ganso xingando dentro de campo o Oswaldo de Oliveira no Fluminense, alguns jogadores do Cruzeiro derrubando o Rogério Ceni, o Dani Alves pedindo a contratação do Fernando Diniz no São Paulo... A banana está comendo o macaco no Brasil?
[Risos] Acompanhei tudo isso de longe, mas a imagem que passa é que a desorganização vem desde lá de cima. Temos tantas pessoas capacitadas no futebol, mas aí, num curtíssimo período de tempo, acontece tudo isso. É difícil ver tudo isso, porque o futebol brasileiro é conhecido pela qualidade, há aqui fora um respeito grande pelos jogadores brasileiros. A seleção brasileira já parou até guerra e, "de repente", a gente é tão desorganizado. É impossível, por exemplo, um treinador ter apenas dois meses para mostrar um trabalho.

Sente que os jogadores mais experientes, ao notarem tamanha desorganização, resolveram se impor numa tentativa de talvez tomar conta da situação?
Sim... Se as coisas aconteceram como de fato saíram na imprensa, está tudo errado, está tudo desorganizado. O jogador precisa ter um enorme respeito por quem comanda. O jogador precisa entender, e foi isso que eu busquei fazer ao longo da minha carreira, que ele é uma referência, é uma espécie de um herói, então precisa se portar como tal. As coisas estão mesmo um pouco ao contrário no Brasil.

Isso tudo também é culpa da queda no nível de qualidade dos treinadores brasileiros?
Não, nem tanto. Eu, sinceramente, quando escuto falar de nível dos treinadores, não consigo avaliar e responder. Consigo avaliar, por exemplo, o Renato Gaúcho, que já está no Grêmio há três anos. Fora isso, tenho poucos exemplos para fazer uma análise mais completa, visto que os treinadores não têm aquele alicerce que eu gosto de falar, não têm base, não têm tempo. Posso analisar o Jorge Jesus aqui no Benfica, porque ficou seis anos no clube. Posso analisar tranquilamente se o Jesus melhorou ou piorou. O Rogério Ceni não teve tempo no São Paulo, foi bem no Fortaleza, mas chegou no Cruzeiro e teve pouquíssimas semanas de trabalho. Devolvo a pergunta para você: como avaliar o nível técnico de um treinador com base em tão pouco tempo?

No meio do "furacão" é impossível...
Exato, é impossível. Qual é a base para avaliarmos os treinadores brasileiros hoje?

O Fábio Luciano, ex-zagueiro de Corinthians e Flamengo e hoje comentarista, chegou a dizer que "daria tapa na cara" de qualquer companheiro que quisesse tentar criar um complô para derrubar um treinador. E você?
A minha reação? De não confiar mais nesse companheiro. Quando você está indo para um jogo, você está indo para uma guerra. Como então você vai confiar num companheiro que quer derrubar o comandante? Concordo plenamente com o Fábio Luciano, mas eu não chegaria a tanto [risos]. Não é o meu perfil. Eu simplesmente deixava de confiar no jogador.

A boa fase do Jorge Jesus no Brasil, além da própria qualidade dele, é alimentada pela desorganização do futebol brasileiro?
Ele é um treinador extremamente rigoroso, tem 100% de dedicação ao projeto que assume. Também defende a todo custo a própria opinião, e isso faz com que os seus jogadores cresçam. Ele transforma jogador mediano em bom, ele acredita e aposta muito no que faz, e os jogadores de maneira alguma conseguem passar por cima dele. Felizmente, ele levou também muito conhecimento aqui da Europa. O brasileiro precisa compreender que não é perfeito em tudo. O ego do brasileiro é muito grande, falta humildade para tirar proveito daquilo que vem de fora. O Jesus conhece o futebol brasileiro, estudou, e chegou lá já sabendo o que iria encontrar, tendo por trás o aval e o reconhecimento da diretoria do Flamengo.

O Brasil está preparador para o sucesso do Jorge Jesus?
O Brasil não está preparado nem para o sucesso do Jorge Jesus e nem para o sucesso de ninguém, seja de dentro ou de fora. Por que eu falo isso? Nós, brasileiros, procuramos sempre encontrar os defeitos dos nossos próprios ídolos, queremos sempre jogar eles para baixo. Dou o exemplo do Ronaldo Fenômeno. Lembro que no Brasil só falavam do Ronaldo gordo, não do Ronaldo que fez tudo o que fez na carreira. O brasileiro tem dificuldade de aceitar o sucesso das pessoas, ainda mais se o sucesso é de quem vem de fora. Estamos sempre na defensiva. Digo isso aqui de fora, então espero que as pessoas me compreendam. Lembro, por exemplo, de muita gente falando mal do Jorge Jesus, e ele tinha acabado de chegar. Faltou a humildade de dizer: vem, seja bem-vindo, mostra o que você tem para nós e depois fazemos uma avaliação. O brasileiro parou no tempo naquilo que é o desenvolvimento.

Além daquilo que é visível, como trabalho tático, técnico e disciplinar, o que o Jorge Jesus já conseguiu implantar no Flamengo?
A responsabilidade que o jogador precisa ter para compreender o jogo. Fez isso aqui no Benfica, e está fazendo isso no Flamengo. Assim que Jorge Jesus chegou aqui, me chamou e disse: "Luisão, se eu estivesse em outro time, não te contratava". Eu olhei para ele e pensei: o que esse cara está falando? Então ele completou: "Agora você vai jogar assim, assim e assim, agora você vai entender o jogo". Eu já era um jogador experiente [29 anos], estava na seleção brasileira, então julgava que já entendia o jogo. Depois dessa conversa, fui para casa e, ao refletir, resolvi acreditar na palavra dele. E a realidade foi exatamente essa, ele me fez entender cada vez mais o jogo. Eu, ao acompanhar alguns jogos do Flamengo, notei os jogadores dentro de campo tomando decisões porque já começam a entender mais o jogo. Não é simplesmente jogar bolar, é jogar futebol.

Por que acha que o Jorge Jesus está tão caladinho nesse momento? Renato Gaúcho já provocou tanto...
[Risos] Não quis dar munição para que a imprensa crie polêmicas. Ele sabe que está chegando numa fase do ano que é crucial, o Flamengo está perto de uma final [de Libertadores]. É crucial o Flamengo continuar com os resultados positivos. Talvez, se viesse a responder algo, pudesse perder um pouco o foco daquilo que é a responsabilidade dele no dia a dia hoje. Acho, aliás, que ele tem agido muito bem, muito bem mesmo. O foco agora é o resultado, não é o extracampo.

Mas se passar pelo Grêmio e conquistar a Libertadores...
[Risos] O Renato pode se preparar porque vai ouvir muito. Mas ele é puro...

Luisão Jonas Benfica 2014 Luisão defendeu o Benfica de 2003 a 2018 (Foto: Divulgação)

Por que o futebol ainda é prato cheio para os racistas?
É um tema muito delicado, né? Um tema em que a sociedade ainda falha muito. É um prato cheio porque o futebol é resultado e lida com emoções. O torcedor às vezes tem uma vida cheia de problemas, toma na cabeça de segunda a sexta-feira, e então chega no dia do jogo achando que ali é momento que tem para extravagar. Para o bem e para o mal. No caso do racismo, os oportunistas acham que vão ter mais voz num jogo de futebol do que em qualquer outro lugar.

Existe a pessoa que sabe que é racista, mas acredita que também existe aquela que não percebe que é racista? Como combater esse tipo de pessoa?
Isso me faz pensar logo na educação. Como se comportam os pais dessa pessoa? Vamos falar agora das crianças, porque muitas crianças crescem sem saber o que é racismo. Isso vem de casa. Eu acredito sempre na melhor educação.

O racismo é o ato mais sujo do ser humano?
Olha, o ser humano é capaz de muitos atos sujos... mas o racismo é complicado. É triste.

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Já sofreu racismo?
Não me recordo agora de um fato isolado, mas já teve sim uma vez o outra de não ser bem atendido, talvez pela minha roupa ou pela minha cor.

Acredito que você não tenha inimigos...
...Espero que não [risos].

Geralmente, no futebol, os jogadores fazem muito mais amigos. Mas acha que fez inimigos?
Não, acho que não. Aliás, vivo algo muito bacana aqui em Portugal. Muitos torcedores rivais, do Porto e do Sporting, me param e pedem uma foto, parabenizam a minha conduta e a minha carreira. Sempre tive uma palavra bacana aqui no futebol português, uma palavra acolhedora. Existe um respeito muito grande pela minha pessoa aqui, pelos meus valores. Então não acredito que tenha feito inimigos, no máximo algum jogador que recebeu um pisão sem querer, uma falta [risos].

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