Depois de a UEFA fazer duras críticas à FIFA na terça-feira, a KNVB e o primeiro-ministro britânico Andy Burnham também se manifestaram claramente sobre os planos de Gianni Infantino. As federações reagem a reportagens do The Times e do Financial Times, nas quais se afirma que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, trabalha em um plano para vender uma participação na Copa do Mundo a investidores.
Segundo os dois veículos, a FIFA quer criar uma nova empresa na qual os direitos comerciais, entre outros, da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes serão reunidos. A FIFA manteria uma participação majoritária, enquanto as demais ações iriam em parte para as 211 federações nacionais e em parte para investidores privados.
O plano poderia render bilhões e garantir a Infantino, após sua presidência em 2031, um papel lucrativo como comissário da Copa do Mundo, escreveram os veículos britânicos.
A UEFA já reagiu com fúria às reportagens na terça-feira. "Com isso, ultrapassa-se um limite que os órgãos dirigentes do futebol jamais deveriam ultrapassar", escreveu a entidade em um comunicado oficial. Agora, a KNVB e Burnham também fazem uma condenação devastadora.
A KNVB fala em um "desenvolvimento muito preocupante", mas não quer se antecipar a uma posição definitiva. "Ainda não recebemos a elaboração oficial da proposta e ainda há muitas perguntas", informou a KNVB.
“Esperamos também discutir isso em breve com a UEFA e as outras federações europeias. Assim que a elaboração oficial estiver disponível, estudaremos e discutiremos a proposta conjunta e cuidadosamente. Para a KNVB, o mais importante é que o interesse do futebol, a boa governança e a transparência devem sempre ser os princípios orientadores.”
O primeiro-ministro britânico Andy Burnham também se manifestou contra o plano da FIFA. Nas redes sociais, ele afirmou que a Copa do Mundo não pode ser reduzida a um produto comercial. "Deixe-me dizer isso de forma bem direta. O futebol não pertence aos investidores. Ele pertence às pessoas que lotam as arquibancadas e estão à beira do campo semana após semana, faça chuva ou faça sol", afirmou Burnham.
"A Copa do Mundo não é um produto. É o maior torneio esportivo do mundo e não foi feita para ser vendida. Você pode apresentar o negócio da forma mais bonita possível. Assim que você vende uma parte dela, você a vendeu. O futebol é dos torcedores. Sempre foi assim e sempre será assim."
O ex-presidente da FIFA Sepp Blatter também se manifestou de forma crítica sobre os planos de seu sucessor. O suíço, que comandou a entidade máxima do futebol mundial até 2015, antes de Infantino assumir a presidência, vê um desenvolvimento perigoso. "A ligação estreita entre o presidente da FIFA e o presidente dos Estados Unidos alcançou uma dimensão financeira que prejudica gravemente o futebol. Ninguém tem o direito de vender o nosso esporte", escreveu Blatter no X.
