Jorge Jesus pode ser o nome perfeito para o Flamengo

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Treinador português conseguiu recolocar o Benfica em uma posição hegemônica em Portugal e nas decisões continentais

Jorge Jesus é torcedor do Sporting, clube que dentre vários adeptos teve em José Antunes, pai de Zico, alguém que jamais se esqueceu da paixão pelos Leões de Alvalade. Mas foi no Benfica, também de Lisboa, onde o treinador que pode ocupar a vaga deixada por Abel Braga no Flamengo fez o seu maior trabalho no futebol europeu. Uma passagem que recolocou os Encarnados em uma posição parecida com a que o Rubro-Negro deseja retornar: a de campeão nacional e potência continental.

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É verdade que os contextos do futebol europeu são muito diferentes ao que temos por aqui no Brasil. Quando analisamos apenas o futebol português, essas diferenças crescem ainda mais: o campeonato luso conta com apenas três grandes clubes e desde 2002 só teve Benfica ou Porto como campeões. Seria até mais fácil comparar o Portuguesão a um estadual do Brasil se a análise focasse no número de candidatos ao título ou na extensão territorial. Mesmo assim, o trabalho feito por Jesus no Benfica dá motivos para que o torcedor flamenguista fique animado com a possibilidade da contratação.

Meio-campista que não teve tanto sucesso entre as décadas de 1970 e 80, Jorge Jesus é um obcecado pelo futebol e busca dar às suas equipes um rosto mais ofensivo - embora preconize em primeiro lugar os ajustes defensivos. Não à toa, seu primeiro grande modelo de inspiração foi o Barcelona campeão da Champions League em 1992, o ‘Dream Team’ treinado por Johan Cruyff. A admiração chegou a ponto de o lisboeta gastar suas economias para fazer um estágio no Camp Nou em uma época em que esse tipo de coisa não era registrado em fotos para alimentar o ego nas redes sociais. Essa inspiração se fazia presente em sua obsessão pelo 3-4-3 usado pelos catalães, que Jesus tentava replicar, com alguma dificuldade, em seus primeiros trabalhos.

Passou a ser mais falado em Portugal a partir de 2006, quando assumiu o Belenenses, e em sua excelente passagem pelo Braga. Mas foi o Benfica que o colocou como um dos melhores técnicos portugueses de sua época. Logo em sua primeira temporada, 2009-10, foi campeão nacional acabando com uma hegemonia de quatro anos do Porto. Entre 2013 e 2015, levou os Encarnados a um bicampeonato que não acontecia desde a década de 1980, quando o Benfica ainda era treinado pelo sueco Sven-Göran Eriksson e ainda se colocava, por vezes, como um concorrente a títulos europeus.

Benfica coach Jorge JesusJorge Jesus, no período em que treinou o Benfica (Foto: Getty Images)

Sob o comando de Jorge Jesus o Benfica também voltou a aparecer com destaque nas noites europeias. Ficou no “quase” duas vezes na Europa League, perdendo a final de 2013 nos acréscimos para o Chelsea e a de 2014 nos pênaltis frente ao Sevilla. Não conseguiu quebrar a chamada “maldição de Béla Guttmann”, húngaro bicampeão europeu com o Glorioso em 1961 e 62 e que deixou o clube afirmando que os benfiquista jamais voltariam a conquistar o continente nos 100 anos seguintes. Mas quando Jesus deixou o Estádio da Luz, em 2015, o fez como treinador mais vezes campeão na história encarnada: foram dez troféus levantados e um número recorde de 225 vitórias.

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Jorge Jesus também ajudou os portugueses na revelação de alguns talentos, movimentando a máquina de transferências valorizando jogadores ou revelados na Luz (por exemplo, João Cancelo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches) ou que chegavam lá desacreditados (Matic, hoje no United, é o caso mais emblemático). Em seu estilo de jogo, faz o básico de focar primeiro na defesa ainda que seus times tenham ficado conhecido pelo bom ataque: “o treinador é responsável por 60% do processo defensivo e 40% do processo ofensivo. O resto é da responsabilidade dos jogadores”, chegou a dizer.  É tudo o que um Flamengo que sofre na defesa e conta com um excelente ataque pede.

Os seus últimos trabalhos foram no Sporting, ainda em meio à administração caótica do hoje presidente deposto Bruno de Carvalho, e um rápido período no futebol árabe.

Mas Jorge Jesus também poderia devolver protagonismo nacional ao Clube da Gávea e disputar de forma mais competitiva as competições continentais. A grande questão está em como seria a sua adaptação ao futebol brasileiro – de quem é fanático – e se o clima no Flamengo o ajudará a fazer um bom trabalho. Esta confiança mútua, aliás, é o alicerce para o luso – que ao longo de sua carreira sempre buscou ter o máximo de controle sobre tudo o que envolve o departamento de futebol.

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