Inter: empate contra o River foi um novo ‘batismo de sangue’ na Libertadores

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Buda Mendes/Getty
Colorado teve início intenso... mas perdeu o fôlego, levou sufoco e precisou tomar cuidado com cartões. Segue líder, mas relembra velhas lições

O Internacional já havia vencido Palestino e Allianza Lima, fora e dentro de casa, respectivamente, em seu retorno à Libertadores nesta temporada de 2019. Mas não há dúvidas de que a partida contra o River Plate era a mais aguardada por todos os envolvidos com a causa colorada.

Expectativa essa, com muitas explicações: enfrentar o atual campeão do torneio e uma das camisas mais pesadas do continente; um confronto inédito até então, do tamanho que o Internacional se acostumou especialmente a partir deste Século XXI. Afinal de contas, desde 2001 o Inter foi o único clube brasileiro a ter conquistado duas vezes a taça mais cobiçada das Américas.

Foram estes os principais elementos que levaram pouco mais de 47 mil colorados ao Beira-Rio nesta quarta-feira (03), registrando o maior público desde a modernização do estádio em 2014. Acima de tudo, foi uma espécie de reencontro consigo mesmo após o pior período na história do clube, marcado pelo rebaixamento à Série B em 2016 e um retorno nada animador à elite no ano seguinte, antes da excelente campanha que garantiu o retorno colorado à Libertadores atual.

Intensidade e cansaço

Nesta sua estreia “para valer” na competição sul-americana, as primeiras impressões foram boas: com um meio de campo forte, que dava a bola ao adversário em busca de um contra-ataque, a equipe treinada por Odair Hellmann contou com um pouquinho de sorte quando Nico López demonstrou reflexo dentro da área para desviar uma bola para o fundo das redes. A combinação Patrick-Edenílson, vital para o funcionamento do 4-1-4-1 com Nico e D’Alessandro pelas extremidades, mostrou-se fundamental quando Edenílson recuperou a esfera no meio-campo e, partindo lado a lado de seu companheiro, ampliou. A estratégia até ali dava certo.

O problema é que o relógio havia rodado somente 31 minutos, e, por mais óbvio que pareça dizer, faltava o dobro até o apito final. O recuo excessivo permitiu aos argentinos chegarem com mais perigo, rodando mais a área. Foi quando o nervosismo colorado começou a aparecer. Isso não ficou exatamente tão claro por causa dos cartões apenas porque Esteban Ostojich, o árbitro, é quem mais ‘coça o bolso’ na média da competição até aqui. Em duas partidas, distribuiu 18 amarelos e dois vermelhos. Nesta quarta-feira, dividiu igualmente entre Inter e River a punição mais branda: quatro para cada.

Impactos opostos nas substituições

Os argentinos diminuíram em pênalti cometido por Edenílson (mão na bola) e convertido por Lucas Prato e empataram, já no segundo tempo, em falta magistralmente batida por Nico de La Cruz, uma das alterações feitas por Marcelo Gallardo.

Do outro lado, as mudanças de Odair, que precisava reforçar o meio-campo em meio ao visível cansaço de D’Alessandro na segunda etapa, não deram certo. Wellington Silva entrou para ocupar a faixa esquerda do meio-campo, “empurrando” Edenílson e Rodrigo Moledo mais para o lado direito. Não adiantou. O sufoco do adversário seguiu até o final, sendo substituído apenas nos minutos finais por uma leve ‘catimba’.

No final das contas o resultado não foi de todo ruim: manteve o Inter confortável na liderança do Grupo A, com 7 pontos (três a mais em relação ao vice-líder Palestino). Entretanto, ficam as lições deste novo batismo de sangue: é preciso mais intensidade no ataque, força e uma dose maior de energia na hora de enfrentar os concorrentes ao título.

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