O presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, quebrou o silêncio uma semana após o término do Mundial 2026, para defender o torneio organizado pelo México, Canadá e Estados Unidos, e lançou um ataque duro à imprensa mundial, acusando-a de "espalhar ódio e boatos falsos" e de "semear as sementes do ódio", numa longa mensagem que publicou na sua conta de Instagram, na qual ignorou as críticas dirigidas ao torneio e as decisões polémicas.
Na sua publicação, que veio substituir a tradicional conferência de imprensa que não se realizou durante nem depois do torneio, o dirigente ítalo-suíço elogiou o sucesso da competição que terminou no passado dia 19 de julho com a vitória da Espanha sobre a Argentina (1-0, após prolongamento), afirmando que o Mundial "celebrou a humanidade da melhor forma possível" e que todos os que assistiram ao torneio "estiveram em segurança e felizes".
Infantino elogiou também a cooperação entre os três países anfitriões, afirmando que "trabalharam incansavelmente para unir dois países em estado de guerra", numa referência aos Estados Unidos e ao Irão, acrescentando que "o Irão entrou nos Estados Unidos sem qualquer incidente ou conflito", e que a FIFA "não pode deixar de sentir enorme orgulho e emoção ao ver estes momentos de amor, alegria e união".
Indiferença às críticas
Depois de dirigir a sua mensagem de apoio ao torneio, o presidente da FIFA abordou todas as críticas dirigidas à organização, tendo como alvo específico os jornalistas, criticando duramente "aqueles que espalham ódio e boatos falsos por detrás das suas canetas, dos seus papéis e dos seus ecrãs", acusando-os de "semear as sementes do ódio".
Afirmou ainda que a imprensa internacional "referiu apenas as poucas pessoas cujos vistos foram recusados, e ignorou os milhões a quem foram concedidos vistos", numa tentativa de responder às amplas críticas às restrições de entrada nos Estados Unidos, que visaram vários países, entre eles o Haiti, o Senegal e o Usbequistão.
Infantino abordou também as críticas dirigidas às decisões de arbitragem e às decisões disciplinares por parte de alguns órgãos, afirmando que as práticas observadas são "amplamente aceites em algumas das maiores ligas do mundo", numa clara referência ao caso do cancelamento da suspensão do nigeriano Folarin Balogun, que gerou uma ampla polémica e questões sobre a influência do recurso do presidente norte-americano Donald Trump na decisão da FIFA.
O Haiti como exemplo: indiferença às restrições e aos impedidos
Infantino citou de forma notória na sua mensagem o Haiti como exemplo de uma seleção que "foi alvo de desrespeito antes do Mundial, mas que provou o seu valor", ignorando, segundo o jornal francês "L'Équipe", que a própria FIFA pediu ao Haiti que mudasse a sua camisola devido a um desenho considerado "político", apenas 4 dias antes do seu jogo de abertura, e que o Haiti foi um dos países visados pelas restrições de entrada nos Estados Unidos.
O presidente da FIFA não mencionou, segundo o jornal, o árbitro somali Omar Artan, que foi impedido de entrar nos Estados Unidos apesar de estar previsto que dirigisse um jogo do torneio, e ignorou também o conflito entre os Estados Unidos e o Irão, uma vez que a participação da seleção iraniana no Mundial esteve ameaçada até ao último momento, e a sua entrada estava condicionada a regras rigorosas que o Irão considerou injustas.
Infantino ignorou igualmente as duras críticas dirigidas aos preços elevados dos bilhetes, que impediram amplas camadas de adeptos de assistir aos jogos nos estádios, num torneio marcado por vários problemas organizativos e políticos que geraram ampla polémica nos meios desportivos e mediáticos.
