Ao invés de rebatidas, interceptações de passe, marcação implacável nos atacantes, força na bola aérea defensiva e ofensiva, hoje a realidade do zagueiro Dedé é bem diferente. Há um ano e meio, após a quinta cirurgia na carreira, o atleta trocou as chuteiras por tênis para fazer exercícios de fortalecimento muscular e recuperação física.
Longe dos gramados, a realidade do “Mito”, apelido que recebeu ainda nos tempos de Vasco e ouviu os torcedores do Cruzeiro entoarem em alto e bom som no Mineirão, mostra ainda uma batalha na Justiça, em que o jogador pede mais de R$ 35 milhões de indenização e o direito de rescindir com o clube mineiro.
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O último jogo oficial do zagueiro pelo time celeste ocorreu em 19 de outubro de 2019, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, ano que o Cruzeiro amargou o rebaixamento para a série B.
Depois disso, o Cruzeiro ainda enfrentou o impedimento da antiga presidência de Wágner Pires de Sá após escândalos administrativos virem à tona e serem investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais. Com isso, assumiu o comando do clube o chamado Conselho Gestor, formado por empresários bem-sucedidos do Estado, até a realização de novas eleições, vencidas pelo atual presidente Sérgio Santos Rodrigues.
Desde então, o Cruzeiro trava inúmeros processos jurídicos com credores e sua dívida chegou a ser estimada em R$ 950 milhões com posterior abatimento de R$ 200 milhões, a partir de um acordo com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Entre os débitos, dezenas de atletas acionaram o time na Justiça, como o próprio zagueiro Dedé, que cobra a quantia de R$ 35,2 milhões, alegando 10 meses de salário em atraso, sendo seis meses sem receber de salários fixos na carteira e mais quatro meses sem receber o depósito do FGTS.
Entre os valores ainda estão: R$ 3,39 milhões de verbas rescisórias, R$ 10,5 milhões com base no real salário ajustado (que compreende os valores registrados na Carteira Profissional e os pagos de forma extra), R$ 13,7 milhões de valores incontroversos, com o pedido de R$ 3,75 milhões referente a danos morais, entre outros.
Em fevereiro, o zagueiro chegou a conseguir na Justiça do Trabalho, por meio de liminar, o direito de rescindir o contrato trabalhista com o time. Mas, no mês passado, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região revogou a decisão. Além disso, em mandado de segurança, o jurídico do clube celeste pediu a comprovação de que Dedé tem condição de voltar ao futebol.
A luta para retornar aos campos...
Dedé participou ativamente da campanha do título do Campeonato Brasileiro em 2013, e de forma parcial em 2014. Em novembro daquele ano, o jogador sofreu a primeira lesão no joelho direito em um duelo contra o Santos pela semifinal da Copa do Brasil e só voltou aos gramados em janeiro de 2016.
Mas a alegria do zagueiro durou pouco, pois ele logo voltou a sentir dores no joelho, foi submetido a mais uma cirurgia e ficou mais um período afastado. Em junho daquele ano, o defensor ainda teve constado um edema ósseo no joelho esquerdo e passou pelo terceiro procedimento cirúrgico até voltar aos gramados em fevereiro de 2018, quando se destacou na conquista do hexacampeonato da Copa do Brasil, no fim da temporada.
“Apto a voltar”
Após um procedimento em outubro de 2019, no Cruzeiro, a última cirurgia foi realizada em março de 2020 e fora do clube celeste. Os responsáveis foram os médicos de confiança de Dedé, Max Ramos e Márcio Tannure, no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.
A assessoria do jogador disse, na época, que o procedimento visava "a correção do eixo mecânico e restauração de estruturas articulares do joelho". Desde então, o jogador faz todo o processo de recuperação no Rio, com despesas custeadas pelo próprio Dedé.
Uma fonte consultada pelo Goal.com confirma que sob o aspecto clínico, o zagueiro está “apto a voltar aos gramados” e que clubes monitoram constantemente a situação do zagueiro para uma eventual rescisão com o Cruzeiro. Um desses clubes seria o próprio Vasco, clube com o qual o jogador nunca escondeu seu vínculo afetivo.
Dedé foi contratado pelo Cruzeiro há oito anos e, até hoje, foi o jogador mais caro da história do time, quase R$ 14 milhões. Ao todo foram 188 jogos pela Raposa, 15 gols marcados e uma história que divide opiniões. Enquanto alguns torcedores nutrem carinho e gratidão por grandes jogos e conquistas, outros não aceitam o fato de Dedé ter recorrido à Justiça, pois entendem que, o atleta passou grande parte do contrato sem atuar em campo.


