A crise do Al-Ittihad já não se limita aos resultados dentro de campo ou ao atraso na concretização de contratações; transformou-se num estado de desorientação administrativa que provocou a ira dos adeptos, os quais passaram a considerar que o clube atravessa um dos seus períodos mais difíceis dos últimos anos, num contexto de decisões contraditórias e crises financeiras que ameaçam todo o projeto da equipa.
Depois de uma temporada em que o Al-Ittihad não alcançou os seus grandes objetivos, os adeptos aguardavam um mercado de transferências forte que devolvesse a equipa ao círculo da disputa, mas o que aconteceu até agora desenhou um quadro completamente diferente, marcado pelo adiamento, pelo recuo e pela desistência de negócios, no meio da ausência de uma visão clara para o futuro.
Crise de liquidez: a origem do problema
O maior problema dentro do Al-Ittihad parece ser financeiro antes de ser técnico, uma vez que os dados indicam que a direção sofre de uma clara falta de liquidez, o que se refletiu diretamente na sua atuação no mercado de transferências.
Vários nomes foram associados a uma transferência para o "Decano", começando por Imam Ashour e Marwan Attia, passando por Ezzeddine Ounahi, até Raphael Onyedika, mas as negociações não se traduziram em negócios reais, enquanto a direção se limitou a entrar em corridas que sabia de antemão que talvez não conseguisse concluir.
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A crise chegou mesmo a uma fase mais grave, depois de a direção ter recuado na conclusão da contratação de Abdullah Radif, apesar do acordo com o jogador, devido à indisponibilidade da liquidez financeira necessária para concretizar o negócio, tendo o jogador rumado posteriormente a outro destino.
Um mercado sem resultados
O nome do Al-Ittihad passou a estar presente na maioria das notícias de transferências, mas ausente dos negócios efetivos, pois de cada vez o clube surge como concorrente por um jogador de destaque, antes de as negociações terminarem sem qualquer resultado, seja por falta de capacidade financeira, seja pela hesitação em tomar a decisão, ou pela mudança de prioridades dentro da direção.
Este cenário criou nos adeptos a impressão de que o Al-Ittihad passou a negociar mais do que a contratar, enquanto os clubes rivais aproveitam esta lentidão para fechar os seus alvos rapidamente.
Wessing paga o preço cedo
A contratação do treinador alemão Jens Wessing surgiu como o início de um novo projeto, mas a realidade indica que ele ainda não obteve as ferramentas que lhe permitam pôr em prática as suas ideias.
O treinador pediu reforços claros, sobretudo na posição de médio defensivo e de organizador de jogo, mas a direção não conseguiu satisfazer estas exigências, e assim começa o período de preparação no meio de uma clara carência nalgumas posições fundamentais.
E a situação torna-se ainda mais complexa se o mercado continuar ao ritmo atual, pois a equipa poderá iniciar a nova temporada praticamente com o mesmo plantel, apesar de todos reconhecerem que precisa de ser reconstruído.
Os adeptos perderam a confiança
Talvez a consequência mais grave desta crise seja o alargamento do fosso entre a direção e os adeptos do Al-Ittihad, pois a cada dia aumentam os apelos a mudanças administrativas, depois de uma grande parte dos adeptos ter passado a considerar que a crise não se relaciona com o treinador ou com os jogadores, mas sim com a forma como o clube é gerido e com a ausência de um planeamento claro.
E com a aproximação do arranque da nova temporada, a direção parece estar perante um verdadeiro teste: ou consegue salvar o mercado de transferências e devolver a confiança aos adeptos, ou entra na temporada num ambiente tenso que poderá tornar as pressões maiores do que nunca.
