A FIFA corre o risco de se envolver em problemas devido a pagamentos feitos a clubes de futebol russos. Uma investigação da Follow the Money revela que, após a Copa do Mundo de 2022 no Catar, a Federação Internacional de Futebol repassou verbas a vários clubes russos que mantêm vínculos com entidades sancionadas. Segundo juristas, a FIFA pode, por isso, ser alvo de processo penal.
Por meio do Club Benefits Programme, a FIFA recompensa os clubes que cedem jogadores às seleções nacionais durante uma Copa do Mundo. Após o torneio no Catar, foram distribuídos, no total, 209 milhões de dólares, dos quais cerca de 1,2 milhão de dólares foram para seis clubes russos. Cinco deles constavam em listas internacionais de sanções por meio de seus proprietários ou patrocinadores principais.
Trata-se do Zenit de São Petersburgo, do Dínamo de Moscou, do CSKA de Moscou, do Rubin de Kazan e do Lokomotiv de Moscou. De acordo com a investigação, apenas o pagamento ao FK Krasnodar não parece estar em desacordo com as regras de sanções. Os cinco clubes restantes receberam, juntos, mais de um milhão de euros.
A FIFA está sujeita à legislação de sanções tanto dos Estados Unidos quanto da Europa, entre outros motivos, devido aos seus escritórios nos Estados Unidos e à sede em Zurique. Segundo juristas, a federação não deveria, portanto, ter efetuado pagamentos a entidades diretamente ou indiretamente ligadas a pessoas ou empresas sancionadas.
A advogada e especialista em assuntos russos Heleen Over de Linden é clara a esse respeito. “Simplesmente não se pode conceder dinheiro se isso beneficiar, direta ou indiretamente, uma pessoa ou entidade sancionada”, afirma ela. Segundo ela, exceções só são possíveis se houver autorização prévia das autoridades competentes, mas não há conhecimento de tal autorização.
De acordo com a investigação, a FIFA corre o risco de cometer o mesmo erro novamente. Após a Copa do Mundo de 2026, 355 milhões de dólares estarão disponíveis para distribuição entre os clubes que cedem jogadores às seleções nacionais. Os clubes russos também poderão, mais uma vez, reivindicar uma remuneração.
Com isso, segundo especialistas, a FIFA volta a se aventurar em terreno jurídico delicado. Over de Linden alerta para a gravidade da possível infração: “Violar sanções é uma forma de crime organizado internacional e pode ser punido com pena de prisão de até seis anos.”
A FIFA não quis se pronunciar sobre as conclusões da Follow the Money.
