Georgios Donis se viu diante de sua primeira crise real antes do início da "Copa do Golfo 27", depois que as comissões técnica e administrativa decidiram afastar Musab Al-Juwayr da concentração da seleção da Arábia Saudita por razões disciplinares, sem revelar detalhes do ocorrido. A decisão veio poucos dias antes do começo do torneio, colocando o treinador grego diante de um desafio técnico não menos importante do que o aspecto disciplinar.
Al-Juwayr se pronunciou rapidamente por meio de um comunicado em sua conta no Instagram, no qual assumiu total responsabilidade pela atitude que teve e reconheceu seu erro, sem justificativas ou desculpas, antes de apresentar suas escusas ao ministro do Esporte, ao presidente da Federação Saudita, às comissões técnica e administrativa, aos seus companheiros de equipe e à torcida da Arábia Saudita.
Mukhtar Ali não é um substituto idêntico a Al-Juwayr
Após o afastamento, Donis decidiu convocar Mukhtar Ali para compensar a ausência de Al-Juwayr, mas a decisão não significa que a seleção obteve uma versão substituta do jogador afastado, pois a dupla difere em características e funções dentro de campo.
Al-Juwayr representava uma opção importante no meio-campo graças à sua capacidade de atuar como meio-campista avançado, recuar para receber a bola e contribuir na criação de jogadas e no controle do ritmo, uma função que não parece estar presente com a mesma clareza nos demais elementos da lista.
Por outro lado, Mukhtar oferece a Donis características diferentes, especialmente no trabalho na profundidade, nas funções defensivas e no equilíbrio. Portanto, a solução não estará em colocá-lo no lugar de Al-Juwayr e esperar que desempenhe as mesmas funções, mas sim em redistribuir as responsabilidades entre mais de um jogador.
Leia também: A jornada de glória no Golfo: a seleção da Arábia Saudita entre os tapas do presente e a história dourada
E aqui estará o verdadeiro teste para Donis: ele reconstruirá o meio-campo de modo que outro jogador assuma a tarefa de criar as jogadas e controlar o ritmo da partida, ou mudará completamente a estrutura da seleção para se adaptar à ausência de um de seus elementos mais capazes de administrar o ritmo?
A crise de Al-Juwayr acabou, mas seu impacto começa em campo
Do ponto de vista disciplinar, parece que Donis e a comissão administrativa definiram sua posição, especialmente porque fontes jornalísticas confirmaram que a decisão veio com o objetivo de servir de exemplo e ajustar o ritmo da concentração, e não por razões técnicas.
Mas, tecnicamente, a verdadeira crise começa com o apito da primeira partida diante do Kuwait, pois Donis não será cobrado apenas por compensar um jogador, mas sim por compensar uma função inteira dentro do meio-campo.
Vocês podem discutir os temas e as notícias de forma mais aprofundada nos fóruns da "Kooora"
E com o tempo escasso antes do torneio, a solução mais provável será distribuir as funções de Al-Juwayr entre mais de um jogador, em vez de buscar um substituto idêntico a ele, atribuindo a Mukhtar Ali tarefas compatíveis com suas características.
No fim, Donis conseguiu enviar uma mensagem disciplinar clara, mas o sucesso pleno da decisão dependerá da capacidade da seleção dentro de campo de superar o vazio deixado por Al-Juwayr sem perder uma de suas armas mais importantes no controle do ritmo das partidas.




