Diretor financeiro do Atlético-MG entre junho de 2009 e janeira de 2019, Carlos Fabel recebeu R$ 20.903.933,28 como remuneração durante a sua passagem pelo clube. Os valores foram pagos a três empresas que têm o ex-dirigente como sócio — ART Sport, CASF Consultoria e Consultoria Pontual. Procurado, Fabel diz que recebeu os valores por serviços prestados ao clube.
Houve evolução dos valores pagos ao antigo diretor financeiro ao longo de três gestões do clube — Alexandre Kalil (2009 a 2014), Daniel Nepomuceno (2015 a 2017) e Sérgio Sette Câmara (em 2018 e 2019). Até 2015, a Consultoria Pontual recebeu R$ 7.061.422,77. Entre 2013 e 2015, a CASF Consultoria faturou R$ 5.865.109,71. A ART Sport faturou R$ 7.977.400,80 entre 2015 e 2019.
Os valores recebidos por Fabel no Atlético-MG foram aumentando gradativamente, tiveram pico entre 2013 e 2015, e reduziram a partir de 2016.
Conforme documentos recebidos e analisados pela GOAL, ele embolsou R$ 577 mil em 2010, R$ 673 mil em 2011, R$ 1,6 milhão em 2012, R$ 3,8 milhões em 2013, R$ 3,7 milhões em 2014, R$ 3,7 milhões em 2015, R$ 2 milhões em 2016, R$ 1,7 milhões em 2017, R$ 1,9 milhão em 2018 e R$ 1,1 milhão em 2019. Os números foram levantados por consultorias contratadas pelo clube. As empresas contratadas para análise das finanças neste momento não veem lastro nos acordos: ou seja, os contratos não foram encontrados nos arquivos do clube, conforme apurado pela reportagem.
Ex-diretor financeiro do clube, Carlos Fabel estava cadastrado como funcionário na base da folha de pagamentos do Atlético-MG desde junho de 2009. Ele, contudo, nunca teve contrato em regime CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), sendo remunerado por meio de suas empresas.
Um estudo da Ernst & Young (EY Brasil), divulgado em 2016, apontou a faixa salarial média de um diretor contratado por clubes das Séries A e B à época. O menor salário da elite do futebol nacional era de R$ 43,9 mil, enquanto a maior remuneração da mesma divisão era de R$ 97,6 mil mensais. A média era de R$ 70,8 mil naquele ano.
Em 2016, Fabel teve rendimentos superiores aos da média da Série A, se considerados os valores pagos às suas empresas. Naquele ano, ele recebeu R$ 2 milhões, ou cerca de R$ 165 mil por mês, como responsável pelas finanças do Atlético.
Procurado pela GOAL para falar sobre o tema, Carlos Fabel se manifestou: "Este assunto está na Justiça e sendo conduzido pelos meus advogados. Minha rescisão tem uma cláusula de confidencialidade para as duas partes envolvidas", disse.
A reportagem ainda tentou contato com os ex-presidentes do clube para falar sobre os valores recebidos por Carlos Fabel. Os antigos mandatários alvinegros, contudo, não se manifestaram.


