A contratação de Anthony Gordon pelo Barcelona surgiu como a primeira grande operação dentro do novo modelo de trabalho que o clube quis aplicar no mercado de transferências: agir em total silêncio e evitar qualquer vazamento.
Todas as partes se comprometeram com esse princípio, já que qualquer notícia que surgisse antes da hora seria capaz de complicar um negócio conduzido com o máximo grau de sigilo, segundo o jornal "Sport", da Catalunha.
Os agentes de Gordon, Will Salthouse e Adam Dugdale, entenderam bem isso e consideraram a exigência de sigilo como prova da seriedade do interesse do Barcelona no jogador.
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O diretor esportivo do Barça, Deco, havia começado a se movimentar cedo. Em 21 de abril, viajou a Londres para analisar diversas opções ofensivas, entre elas João Pedro e Gordon.
Até aquele momento, o objetivo continuava sendo manter o máximo grau de discrição. E a reunião dos agentes de Gordon com Deco, Bojan Krkić e Alejandro Echevarría em Barcelona, que também foi conduzida com grande sigilo, era mais importante do que parecia então.
A aposta de Deco
Naquela época, Gordon aparecia publicamente em meio a uma longa lista de candidatos, e era difícil imaginar que o Barcelona estivesse disposto a pagar cerca de 80 milhões de euros por sua contratação. Mas a avaliação interna de Deco era completamente diferente.
O diretor esportivo estava muito impressionado com o jogador inglês e via nele mais do que um simples ponta. Estava convencido de sua capacidade de atuar também como atacante de área, e notou especialmente suas movimentações vindas da profundidade no Newcastle, além de sua capacidade de atacar os espaços.
Por isso, a contratação dele não estava ligada à saída de Raphinha, como alguns acreditaram. E apesar da chegada de várias propostas e nomes ao longo das semanas seguintes, Deco não mudou de posição, e Gordon seguiu sendo sua opção preferida.
Flick deu o aval
Deco apresentou o nome de Gordon ao treinador Hansi Flick durante uma de suas reuniões periódicas e, depois de estudar o jogador, o treinador aprovou o negócio e, em seguida, falou diretamente com ele.
Aquela conversa ajudou a reforçar a convicção de ambas as partes no projeto, enquanto Deco também fez vários contatos com o jogador, além da comunicação contínua com Salthouse e Dugdale. Foi então que o negócio começou a avançar de fato.
O momento decisivo chegou em 26 de maio, quando Deco voltou a Londres. E enquanto as atenções se concentravam em João Pedro, que já era uma das opções ofensivas do Barcelona, o objetivo principal da viagem de Deco era fechar a contratação de Gordon.
O diretor esportivo realizou a reunião decisiva com Salthouse e Dugdale e finalizou os últimos detalhes das negociações que duraram semanas longe dos holofotes, voltando a Barcelona com o negócio fechado.
De desconhecido a surpresa
Meses depois, Gordon se tornou uma das principais surpresas do início da temporada. Para uma ampla parcela dos torcedores do futebol espanhol, ele era um nome desconhecido, antes de se adaptar rapidamente ao Barcelona.
O inglês demonstrou sua capacidade de pressionar pela ponta, de criar chances e de marcar gols, além de ter se adaptado rapidamente às exigências de Flick, começando a confirmar o ponto de vista de Deco sobre suas qualidades e sua versatilidade de funções.
E assim a história começou em 21 de abril, quando Deco se movimentou em Londres com discrição, e se completou em 26 de maio durante seu retorno à capital inglesa, enquanto as atenções estavam voltadas para o nome de João Pedro. Um negócio concluído em silêncio, antes que Gordon começasse a fazer barulho dentro de campo.
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