Quando Giovani Lo Celso pegou a bola na frente da área do Lille, parecia que nada demais iria acontecer. Ele havia dominado bem um passe de Lassana Diarra para expor o gol adversário, mas ainda se encontrava frente um 'muro' de defensores. A chance de algo acontecer pareceu, por um momento, menor.
Mesmo assim, ele ajeitou a bola com o pé antes de acertar um lindo, delicado toque por cobertura sobre Mike Maignan, e para o fundo das redes. O goleiro do time da casa havia saído debaixo das traves, permitindo ao argentino espaço o suficiente para mandar uma bola colocada por cima.
Foi uma maneira especial para abrir sua contagem pelo Paris Saint-Germain.
"Marcamos dois belos gols, mas acho que o dele foi ainda mais bonito", Neymar admitiu após a partida, tendo ele próprio marcado em uma grande cobrança de falta apenas alguns minutos antes.
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O tento de Lo Celso diz muito sobre a autoconfiança que aflorou no jogador de 21 anos nas últimas semanas.
"Eu estava muito confiante", disse ele ao Canal+ após a partida. "Eu tive a chance de passar para o Ney, mas resolvi arriscar e, ainda bem, ela entrou."
Sua ascensão no Parc des Princes ao longo dos últimos vezes foi realmente notável. Contratado junto ao Rosario Central por cerca de € 10 milhões, há um ano, ele precisou se contentar com míseros 82 minutos em campo na sua primeira temporada na Ligue 1. Dúvidas sobre sua capacidade de encarar o desafio logo surgiram.
Mas quando Gonçalo Guedes foi emprestado ao Valencia para as chegadas de Mbappé e Neymar, Lo Celso foi mantido e, ultimamente, recompensado por sua persistência.
A lesão de Thiago Motta lhe abriu as portas para oportunidades mais seguidas, e ele as agarrou com tanta força que ganhou a preferência sobre Javier Pastore e Julian Draxler no time principal, nomes que vinham sendo utilizados com mais regularidade no centro do gramado.
"Ele é um grande exemplo", disse o técnico Unai Emery, em janeiro. "Com paciência, ele sempre trabalhou no treino, todos os dias. No começo ele sequer era relacionado, então jogava cinco minutos, depois dez.
"Ele chegou onde está por mérito próprio. Ganhou o respeito dos companheiros, do técnico e dos torcedores.
"Ele é muito focado, sempre envolvido. Ele joga para melhorar, para adaptar àquilo que a equipe demanda. É por isso que, para um novato, ele está num nível muito bom. Agora temos um jogador muito importante para nós no elenco."
O mais incrível talvez seja o fato que o crescimento de Lo Celso, jogador de porte franzino e mais apto a funções predominantemente ofensivas, tem sido usado como 'número 6' no meio de campo e cumprido a tarefa com excelência.
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Medindo 1,77m, ele aporta algo completamente novo para o papel do que Thiago Motta, e ainda pode operar com harmonia ao lado de Marco Verratti e Adrien Rabiot, dois jogadores naturalmente mais 'ferozes' no centro do que o garoto contratado para ser mais uma opção ofensiva para o setor.
Discreto, ele tem se mostrado uma das revelações da temporada na França, e a escalação entre os titulares nos últimos sete jogos do PSG na Ligue 1 mostra isso.
Ele ainda aguarda por uma chance de iniciar em um compromisso da Champions League, apesar de ter somado duas assistências a seu nome em apenas 65 minutos de jogo combinados ao longo da fase de grupos. E, com os problemas de contusão de Thiago Motta, poucos apostariam contra o fato de ele aparecer entre os onze diante do Real Madrid, em menos de uma semana.
Terá sido uma honra conquistada com os próprios méritos.




