"Sou corintiano desde que nasci por influência paterna. Meu pai colocou a camisa na porta da maternidade. O Basílio tem 6 anos e, antes da concepção, é corintiano. Ele acompanha desde muito novo. Já foi no Pacaembu, em Itaquera. Mas a relação dele é mais de ver na TV, até pela idade, ao contrário da minha infância, em que o Corinthians chegava ao meu imaginário pela voz do radialista José Silvério, da Jovem Pan", relembra.
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"A mãe dele fica louca porque, mesmo quando não estou em casa, Basílio não quer saber de Discovery Kids, Cartoon... Gosta, basicamente, de Sportv, ESPN e Fox. Assiste aos jogos da Inglaterra, Espanha, Itália e de rivais do Corinthians", acrescenta o jornalista.
Guedes revela como decidiu colocar o nome do ex-jogador do Timão em seu filho: "Eu nasci em 1977, ano em que o Basílio fez o gol mais importante da história mundial de todos os tempos. Aos 10, 11 anos, decidi que se tivesse um filho chamaria Basílio. As pessoas achavam que mudaria de ideia, mas nunca mudei", afirma com orgulho.
O problema eram as namoradas do cronista, que não aceitavam muito bem a ideia. Mesmo assim, Vitor Guedes deixava claro a proposta. "A Lays, que começou a namorar comigo em 1997, casou em 2003 e teve o Basa em dezembro de 2008, acostumou com o projeto ao longo do tempo. E todas as namoradas que eu tive também foram, democraticamente, informadas que se engravidassem de um menino, dariam luz ao Basílio. Não podem alegar desconhecimento", destaca.
"É óbvio que Basílio é por causa do gol, daquele gol, mas eu gosto do nome. Se o fim da fila viesse com o Biro-Biro ou com o Zenon, não colocaria no meu filho. Além do que, sou filho de português, e Basílio é um nome comum em Portugal. Gosto do nome, significado à parte", completa.
Duas perguntas a Vitor Guedes(Jornal Agora):
Como jornalista, sempre admitiu torcer para o Timão entre as pessoas do meio?
A credibilidade do jornalista passa por falar a verdade. Se eu torço para o Corinthians, não direi que torço para o Guapira ou o Ypiranga. A grande maioria das pessoas, inclusive as que não gostam de futebol, tem um time de coração: achar que um jornalista, que vive, profissionalmente, o futebol, acompanha e assiste aos jogos, não tem um time é uma estupidez.
Qual o momento mais marcante do seu clube que acompanhou trabalhando?
A cobertura que me marcou mais, sem dúvida, foi a do bicampeonato mundial porque foi uma viagem longa, não conhecia o Japão e porque quem não esteve lá jamais conseguirá entender o que é ver quase 30 mil corinthianos do outro lado do planeta. Mesmo os os jornalistas que não eram corinthianos, cerca de 60%, são unânimes em relatar a invasão da Fiel ao Japão.
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Leonardo Bertozzi, Laura e o Galo
Laura, 6 anos, exibe o escudo do Atlético-MG com orgulho. Ao lado do pai, Leonardo Bertozzi, comentarista dos canais ESPN, a garota vibra, canta o hino do clube e tira muitas fotos com a camisa do Galo. Sabe o nome dos jogadores alvinegros na ponta da língua.
"Meu avô foi quem me levou ao Mineirão pela primeira vez, aos 6 anos, para ver o Galo. Duelo contra o Inter, em outubro de 1986. Mas a influência maior já existia na convivência diária. Os atleticanos eram maioria na escola, naquela década de 80, o time dominava o futebol mineiro", recorda Bertozzi.
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"A Laura acompanha desde sempre, quase por osmose. Sempre fiz questão de que ela dividisse comigo essa paixão, mesmo sabendo que vivendo em São Paulo, seria mais difícil o 'desafio'. Mas acredito ter vencido essa batalha", explica.
A distância não foi capaz de afastar Laura do Atlético-MG. Pelo contrário, ela esteve presente em momentos gloriosos do Galo na história recente. "Aos seis anos, ela já viu Ronaldinho com a camisa do Galo, estava no estádio quando o time ganhou a Libertadores. Ela conta essas histórias aos amigos", ressalta o pai.
Bertozzi destaca com carinho que, assim como seu avô fez com ele, leva Laura aos jogos no estádio desde pequena: "O primeiro jogo dela foi um 6 a 0 no Figueirense, em 2012, no Horto. Tinha 3 anos. Ronaldinho fez três gols. O segundo já foi a final da Libertadores (2013), no Mineirão. Sempre que vou a Belo Horizonte, e não estou trabalhando, procuro levá-la a algum treino".
Rivalidade
A rivalidade existe, e não há como desprezá-la. Leonardo Bertozzi admite que já teve problemas com torcedores de outros clubes ou do próprio Atlético-MG. No entanto, não se arrepende de revelar seu time do coração. Segundo o repórter, o mais importante é ser honesto em suas análises.
"Seu time faz parte de quem você é. Sou jornalista, pai, marido, atleticano. Não se deixa de lado algo que você ama. Já tive alguns incômodos em redes sociais, mas todos sabemos que por trás do ambiente virtual se esconde todo tipo de covardia", crava.
Duas perguntas a Leonardo Bertozzi (ESPN):
Como faz para não deixar a emoção atrapalhar seu trabalho?
O cérebro tem de estar acima das emoções. Se estou assistindo a um jogo importante e estou envolvido emocionalmente, sei que para analisá-lo no dia seguinte vou ter de ver de novo com outros olhos. Mas se você está trabalhando diretamente no jogo, esse envolvimento emocional tem de ficar de lado. E isso não é difícil, porque também tenho paixão pela profissão que escolhi.
Qual o momento mais marcante do seu clube que acompanhou trabalhando?
Quando o Atlético chegou às fases finais da Libertadores em 2013, eu estava de férias. Na semana da final, me pediram para interromper as férias e participar da cobertura antes do jogo. Para mim foi uma honra, não apenas porque era um momento histórico, mas porque aquilo significava que eles consideram que ninguém era mais capacitado para fazer aquilo. Se achassem que misturo as coisas, e sou um torcedor de microfone, não tomariam essa iniciativa.
