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‎Luzhniki Stadium Moscow World Cup Final 2018Getty

Copa do Mundo 2018: O que será feito dos grandes estádios da Rússia?

A Copa do Mundo Rússia entrou para a história: além da final inédita entre Croácia e França, a edição do torneio foi repleta de “zebras” e lances inusitados. No entanto, em meio a grandes craques do esporte, os estádios foram destaque ao longo de um mês de torneio.

A edição da Rússia 2018 contou com 12 sedes modernas, que impressionaram os milhões de torcedores que acompanharam o evento. Mas, com o passar do tempo, a história mostra que grandes construções Copa, como essas, na maioria das vezes nunca são reaproveitadas para os habitantes locais, e se tornam verdadeiros “elefantes brancos”, gerando gastos desnecessários com manutenção para os cofres públicos. 

Embora o interesse por futebol aumente após o final de uma Copa, a quantidade de arenas construídas para suprir as necessidades da competição ultrapassam o necessário para um campeonato nacional, e o caso russo não é diferente. No mais, são planejadas em cidades que têm, ao menos, um time de futebol local.

Rostov Arena general view(Foto: Getty Images)

Na Rússia, a situação pode ser amenizada, e os palcos dos grandes clássicos podem ter um futuro longo e promissor para a população. A maior arena do país, o Estádio de Moscou continuará a ser usada para partidas das equipes nacionais e jogos internacionais. 

Recentemente, o ex-ministro dos Esportes, Vitaly Mutko anunciou que o Luzhniki será a casa da seleção russa, de maneira semelhante como o Wembley é para a Inglaterra.

“Nós entramos em um acordo com o prefeito de Moscou para estabelecer uma base para a seleção, em Luzhniki. O trabalho necessário será feito após a Copa do Mundo. Seria ótimo se o Luzhniki se tornasse o centro do futebol russo”, disse. 

Um destino semelhante espera o Estádio Olímpico de Fisht, em Sochi, que possui capacidade para mais de 44 mil torcedores. O local será usado pelo FC Sochi, criado em 2013.

Outros dois estádios nas maiores cidades da Rússia, a Arena Otkritie, em Moscou, e o Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, serão usados para jogos dos respectivos clubes, Spartak Moscou e Zenit, dois dos principais times do país.

No entanto, outros estádios enfrentam incertezas. Clubes abaixo da hierarquia da Primeira Liga de Futebol Russo atraem muito menos torcedores, sem mencionar os das divisões inferiores. Além disso, a ideia de mudar para um estádio novo e caro está fora do alcance de muitos times.

Ao que tudo indica, o FC Rostov não será capaz de mandar seus jogos no Arena de Rostov, construída com as cores da equipe, já que o custo de manutenção e aluguel ultrapassam as finanças do clube. 

Mudar para um estádio moderno e caro pode ser uma decisão crucial para os times que dependem de verbas de terceiros. Na maioria das vezes, uma dívida arcada com estádio pode durar anos. Para se ter uma ideia, o custo de um aluguel para uma arena semelhante à de Rostov chega a 24 mil euros (aproximadamente R$ 107 mil) mensais.

Devido à pressa na conclusão das obras, alguns estádios começaram a demonstrar problemas apenas uma semana após o término da Copa, como no caso da Arena Volgogrado. As chuvas fortes teriam causados danos ao solo, deixando a área impropria para uso, até então. O local onde o time Rotor jogará na próxima temporada custou 205 milhões de euros (aproximadamente R$ 906 milhões) para o governo.

Em Nizhny Novgorod, as chuvas também destruíram a rodovia que leva ao estádio local. Se os clubes já teriam dificuldades em encher os palcos em condições normais, parece, também, que os problemas seriam muito maiores em condições climáticas adversas.

Brazil supporter Kazan Arena World Cup 06072018Getty
(Foto: Getty Images)

O baixo nível da popularidade do futebol, na Rússia, preocupa. A Arena Kazan sediou um dos principais jogos desta edição: as quartas de final entre Brasil e Bélgica, que terminou na classificação dos europeus para a fase seguinte. Na ocasião, a lotação estava completa, mas o time local, o Rubin Kazan, dificilmente colocava mais de 3 mil espectadores por partida na temporada passada.

O problema da baixa ocupação não está ligado apenas a questões de infraestrutura, mas também ao nível de desenvolvimento e à popularidade do futebol na Rússia. O Mundial terminou, e o país volta à sua realidade futebolística, na qual comprar um ingresso pela internet pode ser uma dificuldade tão grande quanto encontrar uma vaga de estacionamento perto dos estádios.

Os responsáveis pelo desenvolvimento do esporte no país-sede devem se lembrar de suas tarefas, agora que o torneio acabou. Só então estes estádios, que conseguiram unir uma nação, podem deixar de ser meros 'elefantes brancos'.

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