Conheça Quique Setién, substituto de Valverde no Barcelona - e seu carrasco no Camp Nou

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Quique Setien, Barcelona logo
Getty composite
O novo treinador da equipe catalã nunca escondeu a admiração pelo novo clube e, inclusive, recebeu elogios de craques do time

Quique Setién será o novo treinador do Barcelona, que decidiu não continuar com Ernesto Valverde. No Camp Nou, o espanhol de 61 anos enfim realiza o sonho que tinha desde os tempos em que era jogador: defender o clube que lhe ensinou a amar o futebol bonito.

Setién atraiu a atenção dos barcelonistas, em primeiro lugar, pela forma como o seu Real Bétis, equipe que treinou nas últimas duas temporadas, jogava: buscando sempre o domínio da posse de bola e o campo de ataque. Independentemente do adversário.

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Em segundo lugar porque, em novembro de 2018, bateu o Barcelona por 4 a 3 dentro do Camp Nou - a última vez que um time venceu os catalães em seu estádio e a única derrota de Valverde como mandante.

A vitória dentro do Camp Nou é um testemunho fiel do que esperar do trabalho de Quique, em pontos negativos e positivos, e lhe rendeu também reverência de um jogador que passará a estar sob o seu comando.

Feito para o Barça?

Meio-campista do Barça, Sergio Busquets deu sua camisa para Setién, que, admirador do atleta, havia pedido a peça antes de a bola rolar. O recado que foi escrito sobre o número 5, contudo, é que foi o grande presente.

“Para Quique, com apreço e admiração pela sua maneira de ver o futebol”.

Busquets não foi o único a tecer elogios ao treinador. Xavi, a primeira opção da atual diretoria para herdar a vaga de Valverde, também falou com admiração sobre Setién.

“O Bétis do Setién não só dá resultados como também busca fazer coisas novas”, elogiou em entrevista concedida para Cadena SER no passado. “Desde a chegada de Cruyff este clube não entende outra forma de futebol. É claro que ele seria adaptável ao Barcelona”.

A primeira chance em um clube grande

Quique Setien Real Betis 2018 (Foto: Getty Images)

Quique Setién nunca treinou um clube considerando grande. Começou a carreira, em 2001, no Racing de Santander, time de sua cidade natal onde também havia estreado como jogador. O primeiro trabalho de maior sucesso foi com o Lugo, equipe com a qual subiu da terceira para a segunda divisão. Mas o destaque maior fica reservado para a passagem de duas temporadas pelo Real Bétis.

Em 2017-18, levou os alviverdes a uma sexta posição que garantiu vaga para a Europa League – um grande feito levando as aspirações béticas. No ano seguinte, o desempenho foi mais condizente com o histórico do clube apesar da já citada vitória sobre o Barcelona: após uma décima posição, Setién e Betis resolveram trilhar caminhos diferentes. Desde então, o técnico estava sem clube.

Pontos positivos e negativos

Quique Setien Betis (Foto: Getty Images)

Nos últimos anos, poucos times espanhóis jogaram de uma forma tão “barcelonista” quanto o Bétis de Quique. A admiração de diretoria e ídolos do Barça pela visão que Setién tem do futebol é bem resumida em alguns números.

Desde o início da temporada 2017-18, a sua primeira no Bétis, Quique Setién só aparece atrás do Barcelona em número de passes certos (35611) que viu seu time dar. Os números, levantados junto à Opta Sports, consideram a atual temporada, na qual Quique esteve sem clube até o momento.

O problema, contudo, é o desempenho defensivo: nenhum treinador viu seu time cometer tantos erros decisivos que terminaram em gols ou finalizações adversárias: 38, três a mais em relação ao... Barcelona de Valverde, que apesar de ter a bola sempre passou a impressão de que poderia ter um domínio maior pela qualidade que tem à disposição.

Dentro do Barcelona, a obrigação pelo futebol bonito, “cruyffista”, não anda sozinha: é preciso vir acompanhada de resultados, ainda mais em um clube que tem como grande objetivo voltar a ser campeão europeu. Aliar o que já sabe com um produto mais vitorioso é o principal desafio de um técnico ainda sem taças.

Não ter conquistado um título, contudo, não chega a ser surpreendente. O Barcelona, como já foi dito, é o primeiro grande clube do técnico Quique Setién, que moldou a sua forma de enxergar o jogo justamente por ter sofrido tanto quando era um atleta que entrava em campo contra os catalães.

“Tudo o que eu sou como treinador, devo muito às vezes que corri atrás da bola quando jogava contra o Barcelona”, já disse. Hoje, Setién deseja que os adversários sofram tanto quanto ele sofreu.

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