Em declarações chocantes que serão publicadas pela revista "France Football" amanhã, sábado, Mehdi Benatia, ex-diretor esportivo do Olympique de Marselha, revela detalhes impactantes sobre sua amarga experiência, que terminou com uma separação estrondosa do tradicional clube francês.
Em uma rara entrevista que mescla assunção de responsabilidade e ataque contundente, Benatia não hesitou em direcionar suas críticas ao ex-presidente Pablo Longoria e a um grupo de jogadores que ele acusa de "escolher a dedo as partidas em que jogam".
Arrependimento tardio e admissão de fracasso
Benatia iniciou suas declarações reconhecendo que seu maior erro foi voltar atrás na decisão de renunciar, em fevereiro passado, afirmando que assumiu a responsabilidade pelos fracassos que o clube viveu durante seu mandato, sobretudo a eliminação da Liga dos Campeões da Europa e sua incapacidade de tirar o time do "atoleiro crônico em que, infelizmente, está afundado".
E admite: "Eu de fato fracassei. Quando o técnico decidiu sair por ser incapaz de fazer o time apresentar um desempenho consistente em duas partidas seguidas, eu, na condição de diretor esportivo, assumo a minha parte nesse fracasso sem rodeios".
Defesa veemente
Mas Benatia logo passa para uma postura de defesa feroz, recusando-se a arcar com a responsabilidade pelo caos financeiro que o clube enfrenta.
E disse em tom incisivo: "Quanto aos que escrevem com escárnio que foi Benatia quem deixou o Marselha nesse aperto financeiro, com 15 jogadores dos 23 colocados à venda, eu lhes pergunto: onde estava a minha responsabilidade? O clube realizou 35 negociações de transferência em cada janela muito antes da minha chegada".
Dançam enquanto McCourt sofre
No trecho mais polêmico da entrevista, Benatia dirige acusações mordazes a alguns jogadores, que descreve como aqueles que "escolhem suas partidas conforme seus caprichos", acrescentando: "Quando falo com franqueza, me acusam de exagerar. Mas deixem-me esclarecer: não brinquem com os verdadeiros jogadores profissionais".
E revela um momento que provocou sua profunda indignação: "Eu vi vídeos de jogadores em seu campo de treinamento na Costa do Marfim neste verão dançando e cantando alegremente. Perguntem ao proprietário McCourt se ele tem vontade de cantar e comemorar diante dessas condições deploráveis".
O fantasma da traição
Benatia relembra uma memória dolorosa que antecedeu o confronto com o Paris Saint-Germain no Kuwait, pela Liga dos Campeões da Europa (que terminou com o empate por 2 a 2 e depois a derrota por 4 a 1 nos pênaltis), descrevendo-a como "o momento da grande traição", em clara referência ao papel de Longoria naquele período.
A verdade não se compra com dinheiro
Ao encerrar suas declarações chocantes, Benatia afirma que deixou o Marselha sem pedir indenizações financeiras nem assinar acordos secretos, dizendo em tom de desafio: "A diferença entre mim e os outros é que não pedi nada ao sair, e não assinei nenhum acordo de silêncio. Ninguém consegue comprar o meu silêncio. O que vou revelar é caro demais, porque a verdade não tem preço".
Os detalhes completos desse relato impactante permanecem à espera da publicação da edição integral da revista "France Football" amanhã, sábado, quando se espera que as declarações de Benatia provoquem uma tempestade no meio futebolístico francês.
