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Liga dos Campeões da UEFA

Como o Tottenham se tornou mais competitivo do que United, Chelsea e Arsenal

20:17 BRT 29/04/2019
2019-04-18 Mauricio Pochettino
Semifinalista nesta Champions League, a equipe treinada por Mauricio Pochettino não fez nenhuma contratação para a atual temporada

Em entrevista coletiva feita nesta segunda-feira (29), véspera do primeiro jogo contra o Ajax válido pelas semifinais da Champions League, Lucas Moura garantiu não estar surpreso ao ver o Tottenham chegar tão longe. E, de fato, se olharmos alguns dos principais jogadores que estiveram presentes entre as quatro melhores seleções na Copa do Mundo de 2018 isso faz um certo sentido.

Mas também não há como negar a presença de um fator surpresa quando vemos a equipe londrina chegar tão longe. Especialmente pelo seu histórico tanto competição europeia, na qual chegou às semifinais apenas em 1962, quanto no Campeonato Inglês que não conquista desde 1961. O desempenho do time treinado por Mauricio Pochettino é tão impressionante quanto o insucesso de outros gigantes da Inglaterra, que nesta era moderna da Champions League constantemente demonstraram sua força.

Há dez anos, por exemplo, Manchester United, Arsenal e Chelsea foram semifinalistas. Justamente os clubes que mais dominaram a Premier League antes de o Manchester City se estabelecer como uma potência econômica e esportiva no jogo. E apesar de os clubes citados ainda gastarem rios de dinheiro em contratações, nenhum deles conseguiu chegar entre as quatro melhores equipes da Europa nesta temporada.

O Manchester United, por exemplo, começou a temporada passada contratando o belga Romelu Lukaku para o ataque. Os € 84,7 milhões gastos para tirar o jogador do Everton foram recorde naquele ano, considerando clubes ingleses. Não deu certo, como a eliminação nas oitavas de final para o Sevilla deixou evidente. Naquele mesmo ano, o Arsenal – que não vem demonstrando grande protagonismo em contratações, mas ainda assim costuma gastar mais que o Tottenham – desembolsou € 53 milhões em Lacazette, que foi o quarto atleta mais caro do país naquele início de temporada. Para a atual campanha, nenhum clube britânico bateu os € 80 milhões do Chelsea.

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Mas, com o perdão da rima, na Champions quem se deu bem foi quem contratou ninguém. O grande reforço do Tottenham nesta temporada 2018-19 foi a manutenção de suas principais peças: o goleador Harry Kane (que, lesionado, não joga mais nesta temporada), os meia-atacantes Heung-Min Son e Dele Alli, o goleiro Hugo Lloris e o técnico Mauricio Pochettino. O comandante, aliás, é uma das figuras centrais para explicar a ascensão recente que fez os Spurs mudarem o seu patamar competitivo.

Pochettino chegou ao Tottenham em 2014 e conseguiu aliar um futebol agradável de ser visto com resultados importantes para as pretensões do clube. E fez isso utilizando vários jogadores jovens, ajudando, de certa forma, na base da seleção inglesa que chegou até a semifinal da Copa do Mundo em 2018 (os Spurs cederam cinco atletas). Dentre os seis primeiros colocados desta Premier League (Man.City, Liverpool, Tottenham, Chelsea, Arsenal e Man.United), o argentino é o treinador há mais tempo no cargo. Tem, em seu clube, um respaldo e confiança que os técnicos de Arsenal, Chelsea e Manchester United nem sonham.

Unai Emery vive o seu primeiro ano no Arsenal

O Arsenal, por exemplo: continuidade não era problema para um Arséne Wenger que estava nas rédeas dos Gunners há 22 anos, mas que na metade final de sua passagem acumulou decepções em campo. Na atual temporada, o arquirrival do Tottenham ainda se acostuma com o estilo de jogo e presença de Unai Emery, que chegou para substituir Wenger. Ainda em Londres, o Chelsea reforçou ser um clube muito difícil de se trabalhar: tanto Mourinho quanto Antonio Conte foram campeões ingleses, mas depois caíram em desgraça com o elenco. Hoje, quem comanda o time é Maurizio Sarri, contratado para mudar a forma como os Blues pensam o jogo. Sarri quer revolucionar o clube e vem enfrentando diversas dificuldades. Já o Manchester United segue perdido após a aposentadoria de Alex Ferguson em 2013: de lá para cá não conseguiu dar tranquilidade a nenhum de seus quatro técnicos e Solskjaer já começa a passar insegurança.

Dentre os principais clubes ingleses que não chegaram na semifinal, o único que foge de uma falta de continuidade de treinadores ou desordem na forma de tocar o seu futebol é o Manchester City. Afinal de contas, Pep Guardiola, há três anos no clube, vem fazendo história e só não avançou para as semifinais europeias por detalhes contra o Tottenham. A equipe de Pochettino teve méritos notáveis, mas no final das contas os centímetros que deixaram Kun Agüero em posição irregular no gol que levaria os mancunianos para as semifinais decidiram. O City ganhou por 4 a 3 e caíram pelo critério do gol fora de casa, uma vez que os Spurs venceram por 1 a 0 na ida.

Especialmente desde a chegada de Pochettino, o Tottenham se estabeleceu como uma das maiores forças da Inglaterra – embora não tenha ainda conquistado um título. Conseguiu isso com méritos de seu trabalho e respaldo para exercer a sua função. Se tivermos como explicar por que os Spurs chegaram tão longe enquanto Arsenal, Manchester United e Chelsea não, esta continuidade explica muita coisa e volta a deixar evidente: para montar times fortes, não basta apenas ter dinheiro.