A Conmebol não esperou a decisão de seu Tribunal de Disciplina para decidir o futuro da Copa Libertadores 2018. Isso já indica uma decisão favorável ao River Plate, que será julgado pelo órgão por conta de toda a lamentável situação do último sábado (24), que provocou o cancelamento do jogo de volta da final da competição continental.
O Boca Juniors pede os pontos da partida e, consequentemente, o título da Libertadores. Os Xeneizes exigem a aplicação dos artigos 8 e 18 do regulamento, que se referem a responsabilidade do local (neste caso, o River) sobre incidentes e as sanções correspondentes, e se apoiam num caso de 2015, quando foram eliminados nas oitavas de final da Libertadores, em um confronto justamente contra o River Plate.
Na ocasião, no duelo de volta, em La Bombonera, um torcedor do Boca jogou gás de pimenta no túnel pelo qual os jogadores dos Millonarios tinham que passar para ter acesso ao vestiário. O jogo foi suspenso e os Xeneizes eliminados da Libertadores.
O River, por sua vez, argumenta que aquele caso ocorreu dentro do estádio e durante uma partida, ao contrário de agora, em que os ataques ao ônibus do Boca ocorreram do lado de fora do Monumental de Núñez. Os Millonarios alegam que o caso era de responsabilidade das autoridades de segurança pública de Buenos Aires.
Apesar do fato de que o caso ainda será julgado pelo Tribunal de Disciplina, a Conmebol já anunciou, nesta terça-feira (27), que a final será realizada fora da Argentina, em 8 ou 9 de dezembro. O local e o horário da partida, porém, ainda serão definidos. Os favoritos são Assunção (Paraguai), Miami (Estados Unidos) e Doha (Catar). Este fato, para muitos, já indica que a decisão do tribunal será favorável ao River. O mesmo, afinal, aconteceu nas semifinais, contra o Grêmio.
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Mas... como funciona e quem compõe o tribunal que vai julgar o caso e decidir River x Boca na final da Libertadores?
O Tribunal de Disciplina da Conmebol é composto por um presidente, um vice-presidente e três membros, sendo que cada um deles deve possuir nacionalidade distinta aos restantes.
O tribunal atualmente é formado pelo paraguaio Eduardo Gross Brown, presidente; pela venezuelana Amarilis Belisario, vice-presidente; e pelos membros Antonio Carlos Meccia (Brasil), Cristóbal Valdés (Chile) e Diego Carlos Hernán Pirota (Argentina).
O presidente é substituído pela vice-presidente em caso de ausência, e caso a vice-presidente não possa atuar, ela é substituída pelo membro mais antigo do tribunal. O Tribunal de Disciplina decide em presença de seu presidente ou de quem o esteja substituindo, e de ao menos mais dois dos seus membros, salvo em casos estabelecidos para Juiz Único.
O Tribunal poderá impor as sanções descritas nos Estatutos e no Regulamento Disciplinário aos sujeitos mencionados no Artigo 3.
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Para esta decisão da final entre River e Boca, em especial, três fatos chamam atenção:
- O presidente do tribunal, Eduardo Gross Brown, estava presente na decisão de 2015, que foi favorável aos Millonarios e expulsou os Xeneizes da Libertadores.
- O chileno Cristóbal Valdés chegou ao tribunal apenas em maio deste ano, enquanto o brasileiro Antonio Carlos Meccia é o membro mais novo e chegou ao Tribunal de Disciplina da Conmebol apenas em agosto. Antes, ele trabalhou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Brasil.
- Já o argentino Diego Carlos Hernán Pirota não poderá participar da decisão sobre a final da Libertadores. Isso porque "qualquer membro de um órgão judicial deve abster-se se o mesmo, uma associação, um clube ou uma pessoa singular da sua própria nacionalidade estiver diretamente envolvida no processo em questão, ou em casos em que haja um interesse pessoal na matéria que se trate ou que questione sua imparcialidade como sendo:
a) Se o membro em questão tiver interesse direto no assunto.
b) Se estiver ligado a alguma das partes.
c) Se ele tiver a mesma nacionalidade da parte acusada (associação, clube, oficial, jogador, etc.).
d) Se já tiver lidado com o assunto exercendo outra função."




