Youssef Chippo, ex-astro da seleção do Marrocos, afirmou que as cidades de Ceuta e Melilla são marroquinas, num momento em que cresce a polêmica em torno da participação de estrelas do Campeonato Espanhol numa iniciativa de apoio aos moradores de Ceuta.
Chippo disse, pela rede "beIN Sports", durante sua análise da partida entre Barcelona e Racing Santander pelo Campeonato Espanhol: "Ceuta e Melilla são duas cidades marroquinas, são resquícios da ocupação europeia, e voltarão à soberania marroquina, cedo ou tarde".
E acrescentou: "É inaceitável introduzir questões políticas no esporte".
O ex-astro marroquino considerou que a recusa do Barcelona em vestir camisas de apoio a Ceuta, assim como a do trio do Real Madrid, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté, representa um fracasso da Federação Espanhola, que tenta promover a cidade.
Ao mesmo tempo, Chippo defendeu Abdessamad Ezzalzouli, jogador do Real Betis, que foi obrigado a vestir essa camisa antes da partida de sua equipe contra o Villarreal, acrescentando: "Ezzalzouli é um jogador marroquino, e ninguém pode questionar seu patriotismo ou seu amor pelo Marrocos".
Um caso polêmico na La Liga
O caso carrega dimensões políticas sensíveis entre Espanha e Marrocos.
Ceuta e Melilla são duas cidades localizadas no litoral norte do continente africano e estão sob administração espanhola, enquanto o Marrocos as considera duas cidades marroquinas ocupadas e reivindica sua recuperação.
Mbappé, Vinícius e Konaté, o trio do Real Madrid, provocaram grande polêmica após decidirem, antes da partida contra o Elche, dobrar as camisas no ponto onde estava a mensagem, para que o slogan escrito nelas não aparecesse, com o desejo de evitar possíveis reações negativas no Marrocos.
Os jogadores do Real Madrid haviam recebido as camisas que traziam a frase "Todos somos caballas. Ceuta y los Caballeros de la Mar", preparada pela associação de empresários de Valência, dentro de uma iniciativa que incluiu as partidas de Villarreal, Levante, Elche e Valência.
A decisão dos jogadores veio apenas um dia depois da polêmica provocada pelo marroquino Abdessamad Ezzalzouli, jogador do Real Betis, por sua participação na mesma iniciativa.
Durante a partida entre Villarreal e Real Betis, os jogadores da equipe andaluza participaram da iniciativa e apareceram em campo vestindo camisas de apoio a Ceuta, e Ezzalzouli, jogador da seleção do Marrocos, estava entre eles.
Depois disso, o jogador foi alvo de críticas e de um amplo ataque nas redes sociais por parte de marroquinos, o que o levou a apagar suas publicações relacionadas à iniciativa, antes de se manifestar em defesa de sua posição.
Ezzalzouli esclareceu que a camisa tinha "um caráter social, em apoio aos habitantes e moradores da cidade", negando que a iniciativa tivesse objetivos políticos ou carregasse qualquer ofensa ao Marrocos.
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