Aleksander Ceferin, presidente da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), é o principal opositor de Gianni Infantino, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), no que diz respeito ao projeto de abrir as competições mundiais a investidores do setor privado, o que poderia permitir a venda de cotas do valor comercial da Copa do Mundo.
Ceferin, o advogado esloveno que iniciou sua carreira no direito esportivo antes de assumir a presidência da Federação Eslovena de Futebol, chegou à presidência da Uefa em 2016, no mesmo ano em que Infantino se tornou presidente da Fifa.
Os dois homens já haviam trabalhado juntos anteriormente dentro da Uefa, mas sua relação foi se transformando gradualmente em um conflito sobre o futuro do futebol internacional e seu rumo comercial, segundo o jornal britânico Daily Mail.
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A rejeição ao projeto dos investidores é o mais recente capítulo desse conflito. As 55 federações da Uefa concordaram por unanimidade em ameaçar boicotar as competições da Fifa caso o projeto avance, em um embate que Ceferin considera uma defesa do modelo do futebol europeu e uma recusa em transformar o esporte em mercadoria para investidores.
Esse não foi o primeiro embate entre os dois homens. Ceferin se opôs firmemente à condução da Fifa em alguns temas relacionados à Copa do Mundo de 2026, além de ter criticado mudanças regulamentares como as pausas obrigatórias para hidratação, e rejeitado os planos de expansão da Copa do Mundo para 64 seleções, descrevendo a ideia como "ruim".
A divergência também se intensificou por causa do Mundial de Clubes em seu formato ampliado, que a Uefa via como uma ameaça à Liga dos Campeões da Europa, diante do congestionamento do calendário de jogos e do desgaste dos jogadores.
Ceferin alertou que o aumento do número de partidas contraria a proteção dos jogadores, afirmando: "O calendário está excessivamente saturado. Os jogadores estão sobrecarregados e sujeitos a lesões".
Divergência comercial
A divergência comercial entre as partes remonta a anos anteriores; em 2018, ele acusou Infantino de "vender a alma do futebol", afirmando: "O dinheiro não manda. O futebol não está à venda".
Ceferin também liderou, em 2021, o embate contra o projeto da Superliga Europeia, cofundada por grandes clubes, entre eles Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Na época, defendeu o modelo da competição aberta e do mérito esportivo, e descreveu o projeto como "uma cusparada no rosto dos apaixonados pelo futebol e da sociedade como um todo".
A relação ficou ainda mais tensa durante o congresso anual da Fifa em maio passado, depois que Infantino chegou com mais de duas horas de atraso, após ter acompanhado Donald Trump em uma turnê diplomática pelo Oriente Médio.
Ceferin liderou a saída de vários representantes das federações europeias durante o intervalo, acusando Infantino de colocar os "interesses políticos particulares" acima da governança do futebol, o que foi rejeitado pelo presidente da Fifa.
Acusações contra Ceferin
Apesar de Ceferin se apresentar como defensor da independência do futebol frente aos interesses comerciais e políticos, sua trajetória não esteve isenta de polêmicas.
Em 2017, uma investigação da imprensa afirmou que ele não cumpria os requisitos de experiência exigidos para assumir a presidência da Federação Eslovena de Futebol, acusações que não o impediram de ascender posteriormente à presidência da Uefa.
Com a escalada do embate em torno do "FIFA Forward Enterprise", o conflito entre Ceferin e Infantino parece ter entrado em uma nova fase; desta vez, a divergência não diz respeito a uma competição ou a um regulamento específico, e sim à forma de administrar o futebol mundial e a quem cabe o direito de se beneficiar de seu valor comercial.