No último dia 20 de janeiro, o Brasil se solidarizou com o falecimento da cantora Elza Soares, ex-esposa do craque Garrincha, que morreu na mesma data, mas 39 anos antes. Um dos maiores craques do futebol brasileiro faleceu aos 49 anos em meio a problemas financeiros e vítima de cirrose hepática. A vida extracampo impediu que o ex-jogador tivesse tranquilidade econômica.
"A gente acaba acompanhando e lendo diversas notícias de atletas famososo que ganharam fortunas em suas carreiras e terminaram as carreiras quebrados. Estamos perto do aniversário de morte do Garrincha. Ele foi um gênio no futebol, mas acabou encerrando a carreira com dificuldades financeiras e muito jovem. Isso é recorrente, acontece com certa frequência, mesmo nos dias de hoje", disse Henning Sandtfoss, sócio-proprietário da Redoma Capital, em entrevista exclusiva à GOAL.
"Antigamente, acontecia com mais frequência, até porque as cifras não eram as mesmas de hoje. A questão da educação em geral é recente, imagina na época do Garrincha. Por causa desses fatores, a gente via atletas com sucesso tendo problemas financeiros após encerrar a carreira", acrescentou.
O cenário de Garrincha não tem se repetido nos últimos anos. Pelo contrário. Recentemente, é possível ver atletas encerrando a carreira de forma precoce e mantendo o padrão de vida em meio à aposentadoria. Um caso citado é o de Adriano Imperador, que deixou de jogar futebol em 2016, aos 33 anos.
"Em relação à atualidade, aos atletas da nossa geração, a gente tem visto alguns casos de atletas encerrarem a carreira cedo, como foi o caso do Adriano Imperador, e sem problemas financeiros, acontece por dois fatores: o aumento de receita, a gente teve um salto nos salários dos atletas de 15 anos para cá. Diversos atletas representam marcas, eles fazem receitas fora do futebol por causa de patrocínio, marcas... Essa realidade já acontecia no futebol internacional, principalmente os atletas que estavam fora do Brasil", comentou Henning Sandtfoss.
"Hoje, em dia, os atletas no Brasil, ganham na faixa de R$ 250 mil até R$ 1 milhão por mês. Se a gente pensar em uma carreira de 10, 15 anos, o atleta acaba atingindo algo próximo de R$ 30 milhões, R$ 40 milhões, R$ 100 milhões", completou.
As histórias de jogadores do passado, como Garincha e Muller, que precisou morar de favor na casa de um amigo após uma carreira de sucesso, foram o que fizeram Henning trabalhar como consultor financeiro nos últimos 20 anos. A ideia era evitar que os seus ídolos repetissem os caminhos de craques do passado.
"Em relação ao trabalho da Redoma, essas histórias, como a do Garrincha, a do Muller, que foi um gênio dentro de campo, acabaram me inspirando. Eu venho do mercado financeiro, trabalho com investimento há mais tempo. Por isso, resolvi fundar a Redoma Capital há dez anos. Prestamos a assessoria focado nos jogadores de futebol. Atendemos atletas, artistas, celebridades. Eram muito recorrentes as notícias, a gente tinha um salto nos atletas. Mesmo assim, você vê atletas em dificuldades financeiras, com problemas", declarou.
"Há estudos sobre isso, que 50% dos atletas encerram a carreira em dificuldade financeira. Quando a gente analisa isso, normalmente, os atletas fora do Brasil têm que passar por uma universidade, então eles têm que passar por uma educação. Se a gente isolar para o Brasil, a gente vê que os números [de atletas que vão à falência] são muitos maiores. Tem muita coisa que acaba atrapalhando", explicou.
