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Neymar | Brasil | 2018

Calvozzo: Posse de bola não é garantia de vitória

Coluna Calvozzo
GOAL Por Rodrigo Calvozzo  
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A cada quatro anos a Copa do Mundo manda o seu recado e aponta qual caminho o futebol seguirá nos próximos anos.

Em 2010, quando a Espanha alcançou o topo do mundo, uma certeza tomou as redações e os centro de treinamentos: quem tem maior posse de bola, ganha o jogo.

A evidente influência do bem-sucedido estilo tiki taka, onde os toques laterais são trocados de forma incansável (e chata) até surpreender o rival, dizia que quem corria atrás do adversário não tinha chance de vencer os jogos. É bem verdade que em 1994, Carlos Alberto Parreira já dizia isso e estava coberto de razão, mas foram os espanhóis que compraram essa ideia de forma integral, passando a ser quase que uma marca registrada de sua seleção.

Sergio Busquets Spain Russia World Cup 07/01/18Getty Images

Agora em 2018, os ventos que chegam da Rússia finalmente apontam para uma tendência oposta a essa popularizada no mundial da África do Sul, ou seja, ter a posse de bola não te garante sucesso.

Para entender tal fato, basta ver os números dos confrontos que garantiram as oito Seleções nas quartas de final. Dos cinco jogos decididos no tempo normal, quatro deles terminaram com o perdedor tendo mais posse de bola ao final do duelo, provando que atualmente não basta ter o controle do jogo, é preciso também ter objetividade. A exceção ficou por conta da Bélgica, que teve 57,4% e jamais escondeu que é fã da escola espanhola. Aliás, seu treinador é oriundo deste país. 

Nunca os contra-ataques foram tão valorizados, ainda que sejam executados nos últimos minutos. Vale lembrar a reação que garantiu a vitória dos belgas diante dos japoneses.

2018-07-02-japan-belgium(C)Getty Images

Mas não se iluda achando que o recado da bola é um tanto quanto sutil. Nesta Copa, os índices apontam para números gritantes, onde a velocidade está muito associada ao sucesso no torneio. O jogo que reuniu franceses e argentinos terminou com o time sul americano somando 60,2% contra 39,2% dos europeus. Quem tiver dúvida do que este índice está dizendo, basta se recordar da arrancada de Mbappé, que terminou com a marcação da penalidade máxima que permitiu que os azuis abrissem o placar.

PS Posse de bola copa do mundo 04 07 18

A Seleção Brasileira foi a que mais perto chegou da igualdade neste assunto, o que pode ser explicado facilmente, tendo em vista que os mexicanos também optaram por esta estratégia para tentar surpreender a zaga do time de Tite, que para a sua sorte teve mais sucesso.

Neymar | Brasil | 2018
(Fotos: Getty Images)

Como esperado, a equipe que obteve o maior índice de posse de bola nessa fase foi exatamente a espanhola, que ficou com a redonda em 78% do tempo de jogo, mostrando que ainda não abandonou essa maneira de atuar.

Como disse, dos classificados, os belgas são os que mais foram beber na fonte espanhola, o que pode acabar sendo um bom indicio para o Brasil, já que possui jogadores que em um dia inspirado podem ser fatais, já que possuem estilos de futebol rápido e agudo. Willian, Diego Costa e Neymar são os melhores exemplos disso. Havendo uma boa sintonia entre defesa e meio campo, a tendência é que essa estratégia seja importante para que os brasileiros quebrem a muralha vermelha que se armará nesta etapa do mundial.

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