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Cada passo rumo à final esconde uma nova armadilha... 10 obstáculos que a Espanha precisa superar para derrotar a França

Falta apenas um jogo para a seleção da Espanha chegar à final da Copa do Mundo, mas não se trata de um confronto comum, e sim de um teste tático, físico e mental contra a seleção francesa mais forte dos últimos anos.

A equipe de Didier Deschamps chegou às semifinais sem nenhuma derrota, lidera o torneio em termos ofensivos e conta com um elenco de jogadores capazes de decidir qualquer partida em um único instante, mesmo que o adversário pareça estar em vantagem.

Para a Espanha, chegar à final não se concretizará apenas com o domínio da posse de bola ou com o belo futebol a que nos acostumou durante o torneio; será necessário superar dez etapas consecutivas, cada uma com seus próprios desafios.

Algumas exigem domínio da bola, outras requerem paciência e disciplina defensiva, enquanto o caminho, no final, leva ao teste mais difícil de todos: neutralizar Kylian Mbappé, segundo informou o jornal espanhol “Marca”.

Primeira etapa: atacar pelas laterais antes de invadir o centro

O início pode parecer menos complexo do que as demais etapas, mas representa o verdadeiro ponto de partida da partida. A Espanha está ciente de que uma das principais vias de penetração está nas laterais, onde os laterais da França não parecem ter a mesma força que a dupla de zagueiros centrais.

Luca Deny sofreu em mais de uma ocasião quando foi submetido a pressão direta, e a França costuma contar com o apoio das alas para aliviar a carga defensiva sobre ele. Já do outro lado, Jules Koundé enfrenta um desafio extremamente difícil contra Lamine Yamal, o que levou o zagueiro do Barcelona a minimizar a importância do confronto individual, afirmando que a Espanha conta com mais de um jogador capaz de fazer a diferença.

Se Lamine Yamal e Nico Williams conseguirem forçar os laterais franceses a recuar constantemente, a Espanha poderá encontrar o caminho para impor seu ritmo desde os primeiros minutos.

Segunda fase... A batalha pelo domínio da bola

Embora a França não tenha dificuldades ao jogar sem posse de bola, ela não gosta de ficar correndo atrás da bola por longos períodos, e é aí que se destacam os principais pontos fortes da seleção espanhola.

A seleção “La Roja” lidera o torneio em porcentagem de posse de bola, com uma média de 60%, além de ser uma das seleções mais rápidas na recuperação da bola após perdê-la. Luis de la Fuente conta com o quarteto do meio-campo formado por Rodri, Pedri, Fabián Ruiz e Dani Olmo para transformar o meio-campo em uma zona de influência exclusivamente espanhola.

Quanto mais longos forem os períodos de posse da Espanha no campo da França, menor será a capacidade da seleção francesa de explorar sua velocidade nas transições — um cenário que os espanhóis buscam impor durante toda a partida.

Terceira fase... Proibido perder a bola

Se a posse de bola é a principal arma da Espanha, o bom uso dela será o fator mais importante.

Não há nenhuma seleção no torneio que aproveite as transições ofensivas com a mesma rapidez que a França. Assim que recuperam a bola, Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise ou Désiré Doué precisam de apenas três passes para chegar ao gol adversário.

Por isso, a Espanha não deverá apenas manter a posse de bola, mas também evitar perdê-la em áreas perigosas, pois qualquer pequeno erro pode se transformar em um gol em questão de segundos.

De la Fuente enfatizou ao longo do torneio a importância de encontrar um equilíbrio entre ousadia e disciplina, um princípio que parece mais importante do que nunca diante de uma seleção que sabe matar os jogos com contra-ataques.

Quarta fase... Romper a defesa francesa

Chegar até o gol da França não será tarefa fácil. William Saliba e Dayot Upamecano formam uma das duplas de zagueiros centrais mais fortes do torneio, graças à combinação de força física, velocidade e capacidade de lidar com bolas aéreas e duelos individuais.

Essa dupla dá à França liberdade para se defender em zonas mais recuadas, sem medo de bolas longas ou investidas pelas costas da defesa, além de permitir que o restante da equipe se concentre nas transições ofensivas.

A superioridade da França não se limita apenas à defesa dentro da área; Ibrahima Konaté afirmou que a força da seleção francesa começa logo após a perda da bola, ressaltando que a pressão defensiva exercida pela equipe não recebe o reconhecimento que merece, apesar de ser um dos segredos de seu sucesso.

Quinta etapa... Observando o “laboratório” de Oulissi

Mbappé pode roubar as manchetes, mas o cérebro que comanda a maioria dos ataques franceses é Michael Oulissi.

O jogador do Bayern de Munique se movimenta com total liberdade entre as linhas, troca de posições constantemente e possui uma visão excepcional e grande capacidade de dar passes decisivos no momento certo.

Oulissi lidera a lista de criadores de gols do torneio e é considerado um dos jogadores que mais cria oportunidades; basta-lhe um único toque para mudar completamente o ritmo da partida.

E a comparação feita por Thierry Henry entre seus passes longos e os do ícone do futebol americano Tom Brady não passou de um reflexo da grande precisão do meio-campista francês.

Fechar os espaços na frente de Oulissi privará a França de uma de suas principais armas ofensivas.

Fase 6... Dembélé... a estrela silenciosa

Longe dos holofotes que Mbappé rouba, Ousmane Dembélé está realizando uma de suas melhores campanhas de todos os tempos. Ele marcou cinco gols, deu assistências decisivas e se tornou um elemento constante em praticamente todos os ataques franceses.

O jogador do Paris Saint-Germain se destaca por seus movimentos imprevisíveis, sua capacidade de mudar de ritmo em frações de segundo, além da versatilidade em suas funções, tanto na criação de jogadas quanto na finalização de ataques.

Os franceses o descrevem como o “líder silencioso”, pois ele lidera a equipe em campo mais com seu desempenho do que com suas palavras. Neutralizar sua periculosidade será uma necessidade tão importante quanto marcar Mbappé.

A sétima fase... O império ofensivo

Os números revelam claramente a dimensão da força francesa. A seleção francesa chegou às semifinais após marcar 16 gols, o maior número de gols do torneio, além de ter ultrapassado a marca de cem chutes a gol.

E não se trata apenas da quantidade de tentativas, mas também da eficiência, já que os franceses convertem cerca de 15% do total de seus chutes, uma média que reflete a qualidade das soluções ofensivas da equipe.

Esses números confirmam que a França não precisa criar dezenas de oportunidades para balançar as redes; basta aproveitar a oportunidade certa.

Oitava fase... Concentração até o último segundo

Uma das principais vantagens da seleção francesa é que ela não precisa impor o domínio do jogo para vencer. A equipe pode passar longos períodos sem posse de bola, mas, ao recuperá-la, parte em um contra-ataque que termina em gol.

Mbappé, Oulissi ou Dembélé são capazes de mudar o resultado da partida em poucas segundos, o que torna a manutenção da concentração durante os 90 minutos algo inegociável.

Didier Deschamps reiterou mais de uma vez que domínio não significa posse de bola, mas sim a capacidade de impor o que se deseja ao adversário, mesmo que este tenha a posse da bola na maior parte do tempo. E essa filosofia representa um dos maiores desafios para a seleção espanhola.

A nona etapa... A velocidade letal

Se a França possui uma arma que todos os adversários temem, essa arma é a velocidade. Kylian Mbappé registrou a maior velocidade do torneio, ao atingir 37,6 quilômetros por hora, mas ele não é o único capaz de transformar qualquer ataque em uma corrida impossível de acompanhar.

Dembélé, Oulissi, Doué e até mesmo Mano Kone, quando avança pela retaguarda, conferem à França uma capacidade enorme de arrancada em espaços abertos.

Por isso, a dupla de zagueiros espanhóis, Aymeric Laporte e Pau Cubarsi, terá que apresentar uma de suas melhores atuações, mantendo um posicionamento perfeito que impeça a França de explorar os espaços atrás da linha defensiva.

A décima etapa... O confronto que leva o nome de Mbappé

Depois de superar todos os desafios anteriores, resta o maior desafio. Kylian Mbappé chega à semifinal liderando a artilharia da Copa do Mundo, empatado com Lionel Messi, e vive um dos melhores momentos de sua carreira internacional.

Ele já não precisa mais tocar muito na bola para fazer a diferença; basta uma arrancada, um chute ou um momento de criatividade para mudar completamente o rumo da partida.

Além disso, o capitão da França está ciente do peso da responsabilidade que recai sobre seus ombros, afirmando que deve liderar o grupo, não apenas tecnicamente, mas também no aspecto moral, por ser o jogador mais experiente da seleção em Copas do Mundo.

A Espanha pode conseguir dominar a posse de bola, impor seu ritmo, neutralizar a periculosidade de Oulès e Dembélé e superar a solidez da defesa francesa, mas tudo isso não será suficiente se não encontrar uma maneira de parar Mbappé.

Assim, o confronto da semifinal parece uma jornada por uma série de picos montanhosos. Cada etapa traz um desafio diferente, e cada sucesso leva a um desafio ainda mais difícil. E se a Espanha conseguir superar as nove primeiras etapas, ela se verá diante do último pico, onde está o jogador mais perigoso do torneio, e onde a vaga para a final da Copa do Mundo pode ser decidida com apenas uma jogada.

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