Balbuena recorda 'família' no Corinthians e segredo do sucesso: 'Até a louça tenho que lavar bem'

Zagueiro valoriza história alvinegra do compatriota Romero e revela ditado na seleção paraguaia: 'Não negociamos atitude'

Fabián Balbuena deixou uma marca significativa no Corinthians. Não foi somente titular e um dos principais destaque do Timão entre 2016 e 2018, tendo conquistado três títulos: Paulistão (2x) e Brasileirão. Foi, acima de tudo, um capitão dentro e fora do campo. Sempre fez questão de mostrar que era um competidor nato, seguramente fruto do reconhecido DNA dos defensores paraguaios: não negociar atitude.

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Desde 2018 no West Ham, que hoje está entre os seis melhores colocados da Premier League, o zagueiro de 29 anos recorda com saudades do tempo de sucesso na "família Corinthians" e reforça o objetivo de voltar a levar a seleção do Paraguai, onde é companheiro do palmeirense e "líder nato" Gustavo Gómez, a disputar uma Copa do Mundo - a última participação foi em 2010, na África do Sul.

Corinthians. Sempre que você escuta ou lê o nome Corinthians, qual é a primeira coisa que surge na sua cabeça?
Muitas coisas. Passei muitos bons momentos ali, sempre que falam do Corinthians, lembro dos meus companheiros, meus amigos, porque estamos sempre em contato. Lembro dos momentos bons, dos jogos bons, dos clássicos, dos títulos que conquistamos, o dia a dia, as resenhas. Sempre que você passa momentos bons, e lembra deles depois, é bom. As recordações são boas, as amizades que ficaram. É em tom de felicidade quando falo do Corinthians.

Você tinha uma ligação emocional muito forte com o Corinthians, com os torcedores, e a pergunta agora não está ligada apenas ao Corinthians… O Balbuena, como jogador, sente que é diferente? Sente ao máximo a camisa que veste?
É, eu procuro fazer isso. Ninguém quer perder nem sequer uma pelada. Gosto do futebol, não gosto de perder. Sou competidor, seja no futebol ou em outra área. Sou esse tipo de pessoa, que gosta de competir. Amo a minha profissão, tento fazer o meu melhor, e logicamente sinto a camisa que visto, tentando sempre ajudar a minha equipe.

Dá para dizer então que você é assim no dia a dia também?
No dia a dia também. Tento fazer bem tudo aquilo que faço. Se a esposa fala que tenho que lavar a louça, tenho que fazer bem também. Tudo o que faço, faço bem. É o meu pensamento, entendeu? Sempre que você tenta fazer as coisas bem, lá na frente aparecem as recompensas. É a minha filosofia, no dia a dia é assim também.

Dos três anos que você passou no Corinthians, não vou perguntar qual foi o melhor jogador que você viu… mas pergunto: qual foi o mais marcante?
Todos, todos… Não posso falar apenas um, porque vou ser injustos com os outros. O grupo, a união que todos tinham, e digo isso nas três temporadas, até porque, neste período, pouca gente saiu, a gente formou uma família. O Corinthians é uma família, independentemente dos jogadores. O jogador que chega lá sente isso, é notório. Pode perguntar isso para qualquer um que joga ou jogou no Corinthians, todos vão falar a mesma coisa. Todos os jogadores foram marcantes, o nosso grupo era muito lindo. O ambiente nos jogos, nos treinos, nas resenhas, nos churrascos no CT… então vou ficar com todos os meus ex-companheiros e amigos.

Você, no Corinthians, pôde jogar com o Romero… e também na seleção paraguaia. Você o considera um ídolo do clube?
Não saberia te dizer. Você teria que perguntas isso aos torcedores. Não é uma questão nossa, dos jogadores, de achar um jogador é ídolo ou não. Isso fica mais para os torcedores. O Romero fez muitas coisas boas no Corinthians, tem uma história, ficou cinco anos no clube, ganhou vários títulos. A maioria dos torcedores gosta dele. Essa pergunta teria que ser feita mesmo mais para os torcedores…

Pergunto sobre o Romero porque, ao mesmo que muitos torcedores gostavam dele, muitos outros, infelizmente, acabavam por persegui-lo. Até por isso, achava que algumas críticas para o Romero eram injustas?
Críticas sempre têm. Também fui muito cobrado na minha época por parte da torcida, é normal. Acontece em todo lugar. Você nunca vai agradar todos os torcedores, sempre tem aquele torcedor que não vai gostar do seu futebol. É normal, faz parte. Não tem como mudar, é aqui, é no Brasil, em todo o mundo. É a realidade. Não podemos mudar a cabeça de todos os torcedores. Tentamos fazer o nosso trabalho, ajudar a equipe, é isso que nos compete.

Balbuena Corinthians Mirassol 07032018 Paulista Balbuena jogou três temporadas no Corinthians (Foto: Divulgação)

Hoje, no Brasil, temos um paraguaio que tem se destacado muito, é o capitão do Palmeiras e também o seu companheiro na seleção paraguaia: Gustavo Gómez. Como é jogar ao lado dele? E como é para ele jogar ao seu lado?
A gente se ajuda muito na seleção. Uma das coisas que a gente fala na seleção é: não negociamos atitude, independentemente de quem jogar. Você falou do Gómez, tem também o Alonso  que tem se destacado muito no Atlético Mineiro. Já joguei com os dois, são profissionais 100%. São jogadores que são bons para jogar junto, que você sabe que vão ficar na sua cobertura. Um vai, outro fica. E digo isso mesmo sobre os dois. É uma filosofia nossa no Paraguai, jogamos há anos juntos, e também com os outros companheiros. É um coisa nossa dentro da seleção. Independentemente se jogar Alonso e Gómez, Gómez e Balbuena, Balbuena e Alonso, é uma questão que nunca vai mudar. Vamos sempre tentar manter a defesa forte para ajudar a nossa seleção.

Aliás, que água é essa que vocês defensores bebem no Paraguai? Gamarra, Rivarola, você, Alonso, Gómez… O que o defensor paraguaio tem de diferente?
É uma pergunta muito complexa, é difícil falar, não podemos também se vangloriar muito, até porque os outros países também têm bons defensores, como o Brasil, que tem bons defensores, a Argentina, o Uruguai, Chile também. Não é só o defensor paraguaio. A gente tenta sempre, como eu falai, sempre fazer o nosso melhor para ajudar a equipe. Desde pequeno, na base, aprendemos isso, de que, como defensores, temos um panorama maior em campo. Precisamos ter então uma pequena liderança, de ajudar muito a equipe. Desde pequenos que nós trabalhamos isso.

Se você pudesse destacar uma característica que sobressai do defensor paraguaio, qual seria? Por quê?
Talvez seja a liderança e a raça, né? É a vontade que temos de jogar, de não deixar os atacantes ganharem de nós, não perder uma bola por cima, tentar fazer gol de cabeça, deixar o nosso gol zerado. É também a questão da filosofia nossa dentro da seleção, a atitude a gente não negocia, independentemente do jogo. Podemos estar jogando mal, mas a atitude precisa ser sempre a mesma. Vontade, lutar por cada bola, dividir, tentar fazer um bom trabalho com atitudes a 100%. São características que sempre levaram os jogadores paraguaios a trabalharem bem em todos os clubes.

Vou fazer uma pergunta muito simples, das mais fáceis possíveis: qual é o melhor ou mais forte defensor paraguaio pós-Gamarra: Balbuena ou Gómez?
Vou falar que o Gómez, né? Não posso falar de mim, não gosto, não é do meu estilo também de se vangloriar muito. Vou falar que é o Gómez.

Mas você está num patamar quase ali encostando? Perto?
Talvez a gente esteja no mesmo nível. O Gómez é um baita zagueiro, um líder nato. Vem demonstrando isso. No Milan, ele não teve a sorte de jogar muito, mas a gente sabe da qualidade dele, conhece ele faz tempo. Ele vai continuar crescendo.

Em que nível hoje está a seleção paraguaia nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022? Você encara a classificação para o Qatar como uma “obrigação”?
É, é uma obrigação nossa. É o nosso objetivo. Vamos tentar fazer de tudo, logicamente, como todas as outras seleções... mas sempre respeitando os adversário. Já são duas Copas sem o Paraguai, então a gente sente que… não vou dizer "obrigação", porque é uma palavra muito forte, mas vamos fazer de tudo para conseguir.

Mas qual é o nível hoje da seleção paraguaia em relação aos outros?
Um nível no qual vai dar luta contra todo mundo. Vamos dar luta para todos, no nível que precisamos para classificar. Sempre tentamos fazer o nosso melhor. Sabemos que todas as seleções são fortes. O Equador, por exemplo, tem ganhado praticamente todos os jogos em casa e brigado fora. Hoje em dia, a nível de seleções, você pode esperar qualquer coisa de qualquer uma. Essa competitividade faz muito bem à América do Sul, e a gente se sente confiante no trabalho que tem sido feito e nos jogadores para conseguir essa vaga para o Mundial seguinte.

Você, em algum momento, dormiu ou dorme sonhando em ouvir o hino do Paraguai na Copa do Mundo? Isso mexe com você?
Lógico. A gente sempre pensa isso. Quando estamos na seleção, falamos sempre de Copa do Mundo. Sonhamos sempre, lembramos de quando éramos moleques assistindo à seleção nos Mundiais, e era uma coisa… só de assistir já era uma coisa muito boa. Imagina, então, ter a oportunidade de jogar? É uma questão que a gente sempre fala para se motivar, porque temos condições de lutar por uma vaga no Mundial seguinte. É seguir trabalhando, na mesma pegada. Temos condições.

*Essa entrevista foi intermediada e teve o apoio da Betway

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