A Argentina tinha muito a melhorar contra a Venezuela, nesta sexta-feira (28), para não voltar a ser derrotada pela equipe Vinotinto – como aconteceu no amistoso realizado meses atrás em Madri. E a vitória por 2 a 0 dentro do Maracanã, que garantiu vaga para a semifinal da Copa América e encontro com o Brasil, acabou realmente entregando esta evolução: foi a melhor exibição desde que Lionel Scaloni assumiu o comando da Albiceleste, após a queda no Mundial de 2018.
Obviamente que está longe de ser o melhor, ou aquilo que uma camisa como a da seleção argentina pede. Exemplifica até mesmo o quão ruim o trabalho do treinador, que jamais havia assumido um time profissional, é até este momento. Mas a verdade é que os argentinos resolveram o jogo com boas marcas ofensivas e até mesmo defensivas, levando em consideração o péssimo histórico recente. Uma evolução óbvia para um conjunto que estava muito em baixa.
Os argentinos conseguiram ser mais efetivos do que antes: Lautaro Martínez abriu a contagem cedo e Lo Celso saiu do banco, já no segundo tempo, para fechar o caixão venezuelano. Construíram o mesmo placar do triunfo sobre o Qatar, na fase de grupos, arriscando uma finalização a menos no alvo [7 em comparação a 8 contra os qatari].
E se na defesa a média geral era de sofrer um tento a cada duas chances do oponente, a Albiceleste não deixou os venezuelanos levarem perigo na direção de Armani mais de uma vez: a única finalização certa foi do lateral Ronald Hernández: o melhor número da Argentina treinada por Scaloni, já que no amistoso contra a Nicarágua (!) a Albiceleste viu suas redes serem estufadas na única oportunidade do adversário. Outro número recorde que engloba tanto esta Copa América quanto os amistosos realizados sob o comando do atual treinador é o de rebatidas: foram 27 no Maracanã.
Getty ImagesMessi segue sem decidir nesta Copa América, mas desta vez a Argentina ganhou (Foto: Getty Images)
Messi manteve a sua média, até aqui, de atuações tímidas nesta edição do torneio continental. Ajudou nas transições e criou oportunidades, foi influente, mas não decidiu. Desta vez isso pouco importou, já que não terminou em derrota ou eliminação. Entretanto é curioso notar que esta crescente veio acompanhada com uma recusa na posse de bola. A Argentina teve apenas 40.69% de tempo da esfera nos pés, a sua pior marca nesta Copa América e segunda pior no geral com Scaloni [superando apenas o que foi visto na derrota para o Brasil, no amistoso realizado em outubro de 2018].
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É irônico que um time marcado pela falta de sequência e marcado por críticas justas em relação ao seu desempenho ruim tenha, nesta Copa América, marcado o seu ponto de evolução justamente quando menos teve a bola nos pés. De qualquer forma, os argentinos chegaram à situação desejada: na próxima terça-feira (02), dentro do Mineirão, o favoritismo será do Brasil. Mas é impossível duvidar da Argentina e de Lionel Messi, especialmente quando eles começam a ganhar um pouco de confiança.
“A maioria sabe o que sofremos, mas é assim. O futebol é assim. Enquanto estivermos na seleção vamos dar o nosso máximo”, disse Aguero, creditado com a assistência no gol de Lautaro. “Óbvio que um Argentina e Brasil gera uma grande expectativa e não é só aqui, mas em todo o mundo. É uma partida que não se joga todos os dias, mas estamos aqui e vamos fazer o nosso melhor”.
É clássico, e quando camisas como Brasil e Argentina se encontram tudo pode acontecer.
A classificação dramática do Brasil para a semifinal no Mineirão, em cima do Paraguai, foi tema do episódio 7 do Golaço, o podcast da Goal (ouça abaixo).
