A emocionante vitória do Real Madrid sobre o Elche (3 a 2), na noite da última terça-feira, graças ao gol de Carlos Espí nos acréscimos, resultou em outra cena que gerou ampla polêmica antes da partida.
As duas equipes entraram em campo vestindo camisas com mensagens de apoio à cidade de Ceuta, e as imagens da transmissão mostram claramente os jogadores do Elche vestindo-as antes de entrar em campo, enquanto os jogadores do Real Madrid receberam suas camisas no túnel que dá acesso ao gramado, antes de descer.
Ainda assim, três jogadores do Real Madrid não exibiram a camisa: Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté receberam cada um uma camisa do responsável pelo material.
Mbappé e Vinícius vestiram a camisa, mas só a ergueram até a altura dos ombros; já Konaté apenas a segurou nas mãos, e o francês e o brasileiro a tiraram momentos depois, pouco antes de a equipe passar.
A camisa trazia o lema "Todos somos cabalhas", uma frase de apoio à cidade autônoma de Ceuta, que registrou um enorme fluxo de moradores marroquinos no fim do último mês de julho.
Segundo o jornal "Mundo Deportivo", o Real Madrid não dá nenhuma importância a esse assunto, pois acredita que cada jogador tem o direito de vestir a camisa que quiser.
O clube também acredita, ao contrário de outras equipes, que a maioria de seus jogadores vestiu a camisa; e, voltando especificamente ao caso dos três jogadores do Real Madrid, o clube insiste que ninguém pode ser obrigado a vestir uma determinada camisa, nem pode ser obrigado a não vesti-la.
Essa posição surge após o caso do marroquino Abdessamad Ezzalzouli, astro do Real Betis, que vestiu a camisa de apoio a Ceuta antes da partida de sua equipe contra o Villarreal, na segunda-feira, o que o expôs a uma onda de críticas e insultos por parte de muitos marroquinos.
Ezzalzouli escreveu, em um comunicado em sua conta na rede "Instagram" em resposta às críticas: "Primeiramente, gostaria de esclarecer uma coisa, que é o fato de a camisa que faz referência à cidade de Ceuta não ter sido, em momento algum, usada com objetivo político ou com a intenção de desprezar um povo, o povo marroquino".
E acrescentou: "Essa camisa tinha um caráter social, no âmbito do apoio aos moradores e às famílias de uma região que estavam vivendo uma situação difícil, independentemente de sua nacionalidade".
E concluiu: "Mas, ao mesmo tempo, isso não é um pedido de desculpas a ninguém, e todo aquele que quiser aproveitar-se desse assunto para questionar o amor pelo meu país é livre para fazê-lo. Quanto a mim, continuarei vivendo cada dia de cabeça erguida, e continuarei representando minhas raízes com orgulho e sacrifício".
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