Os jogadores de Elche e Real Madrid entraram no gramado do estádio Martínez Valero, nesta terça-feira, pela sexta rodada do Campeonato Espanhol, vestindo camisas de apoio à cidade de Ceuta, com exceção de três jogadores de destaque do clube merengue.
Segundo o jornal "Marca", tanto Kylian Mbappé quanto Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté receberam suas camisas do responsável pelo material do Real Madrid no túnel que dá acesso ao gramado.
Konaté levou sua camisa nas mãos, enquanto Mbappé e Vinícius colocaram as suas sobre os ombros sem exibi-las por completo. Ainda assim, ao chegarem ao túnel, evitaram mostrar suas camisas, o que chamou a atenção antes do início da partida.
A camisa trazia o lema "Todos somos caballas", em expressão de apoio explícito à cidade autônoma de Ceuta, que registrou um fluxo enorme de marroquinos no fim do último mês de julho.
Durante a partida contra a Inter, pela Liga dos Campeões da Europa na semana passada, a associação de torcedores do Real Madrid exibiu um enorme mosaico (tifo) formado pelas bandeiras da cidade de Ceuta na arquibancada sul do estádio "Santiago Bernabéu". Poucas horas antes, o Real Madrid havia divulgado um comunicado negando qualquer proibição de demonstrações de apoio aos moradores dessa cidade autônoma.
Na verdade, o clube já havia destacado anteriormente a iniciativa de apoio a Ceuta por meio de seu site oficial, no qual constava: "Antes do início da partida entre Elche e Real Madrid, os jogadores das duas equipes desceram ao gramado do estádio 'Manuel Martínez Valero' vestindo camisas com a frase 'Todos somos caballas', em expressão de solidariedade a Ceuta". Isso torna a postura do trio do Real Madrid — Mbappé, Vinícius e Konaté — motivo de polêmica.
Essa situação ocorre após o caso do marroquino Abdessamad Ezzalzouli, estrela do Real Bétis, que vestiu a camisa de apoio a Ceuta antes da partida de sua equipe contra o Villarreal, na última segunda-feira, o que o expôs a uma onda de críticas e insultos por parte de diversos marroquinos.
Ezzalzouli escreveu, em um comunicado em sua conta na rede "Instagram" em resposta às críticas: "Primeiramente, gostaria de esclarecer uma coisa: em nenhum momento a camisa que se refere à cidade de Ceuta foi usada com objetivo político ou com a intenção de desprezar um povo, o povo marroquino".
E acrescentou: "Essa camisa teve caráter social, no âmbito do apoio aos moradores e habitantes de uma região que vivia uma situação difícil, independentemente de sua nacionalidade".
E concluiu: "Mas, ao mesmo tempo, isto não é um pedido de desculpas a ninguém, e todo aquele que quiser aproveitar-se disso para questionar o meu amor pelo meu país é livre para fazê-lo. Quanto a mim, continuarei a viver cada dia de cabeça erguida, e seguirei representando as minhas raízes com orgulho e sacrifício".
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