Ao mesmo tempo em que a Confederação Sul-Americana de Futebol manifestou sua "preocupação com as recorrentes ações unilaterais" por parte da Federação Internacional de Futebol, a "Fifa", a Federação Argentina anunciou seu apoio ao presidente da "Fifa", Gianni Infantino, poucas horas após a posição da Conmebol.
O apoio argentino chega em um momento em que Infantino enfrenta pressões crescentes, depois de a Federação Internacional recuar de seu polêmico projeto de criar uma empresa comercial vinculada a ela e abrir parte de seu capital a investidores do setor privado.
A Federação Argentina afirmou, em comunicado dirigido a Infantino e publicado nas primeiras horas desta sexta-feira: "Gostaríamos de manifestar a vocês, e à direção da Fifa por meio de vocês, nosso apoio à administração conduzida ao longo dos últimos dez anos".
A Federação Argentina elogiou o recuo da "Fifa" em relação ao projeto polêmico, considerando que o reconhecimento por parte de Infantino dos erros cometidos durante o processo de elaboração do projeto, além do pedido de desculpas apresentado às 211 federações membros, representa um passo positivo.
O comunicado acrescentou, segundo divulgou a rede RMC: "Vocês estão à frente de uma administração que permitiu promover uma transformação profunda na Fifa, uma administração que abriu as portas da organização a todas as federações membros e às confederações continentais, o que nos possibilita, por meio de um diálogo franco e direto, seguir trabalhando juntos pelo desenvolvimento do futebol em todos os níveis e em suas diversas especialidades".
A Federação Argentina prosseguiu: "Com a proximidade da realização do próximo congresso da Fifa, a Federação renova sua profunda convicção de que o caminho a seguir consiste em continuar trabalhando sob a liderança de vocês, a fim de seguir desenvolvendo um futebol melhor e mais inclusivo".
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Apoio argentino apesar da escalada da Conmebol
A posição da Federação Argentina representa um apoio importante a Infantino, especialmente por ter vindo poucas horas depois de uma escalada surpreendente por parte da Confederação Sul-Americana de Futebol, a "Conmebol", à qual a Argentina pertence.
Na noite de quinta-feira, a Conmebol manifestou, por unanimidade, sua "preocupação com as recorrentes ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo ou aos mecanismos institucionais previstos para lidar com casos desse tipo".
A Conmebol também acenou com a possibilidade de não renovar seu apoio a Infantino nas eleições para a presidência da "Fifa", marcadas para março de 2027, para as quais o presidente da Federação Internacional segue sendo, até o momento, o único candidato.
Em contrapartida, as federações europeias de futebol, que reúnem 55 federações membros, mantêm sua movimentação contra Infantino e sustentam seu boicote às competições da "Fifa", entre elas a Copa do Mundo, apesar do recuo da Federação Internacional em relação ao seu projeto comercial.
Já a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe, a "Concacaf", que reúne 35 federações membros da "Fifa", exigiu, por sua vez, uma "revisão abrangente" do modo de gestão da Federação Internacional.
Por sua parte, a Confederação Africana de Futebol, a "CAF", que reúne 54 federações membros, renovou por unanimidade seu apoio a Infantino, enquanto a Confederação Asiática de Futebol, que reúne 46 federações, segue dividida quanto à sua posição em relação ao presidente da "Fifa".
Esses desdobramentos ocorrem antes das eleições para a presidência da Federação Internacional em março de 2027, em meio ao acirramento das divergências entre Infantino e diversas confederações continentais e federações nacionais a respeito do modo de gestão da "Fifa" e da forma de tomada de decisões.
