A Copa do Mundo de 2030, marcada para ser realizada na Espanha, em Portugal e no Marrocos, entrou no campo das incertezas, depois do agravamento da crise entre a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) por causa do projeto do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de criar uma nova empresa comercial e permitir a venda de uma fatia dela a investidores do setor privado.
O projeto enfrenta oposição crescente de diversas confederações continentais, em meio a advertências de que a insistência da Fifa em seguir adiante pode ameaçar o futuro da Copa do Mundo, seja no que diz respeito à participação das seleções, seja até mesmo na organização do torneio.
A Fifa busca administrar os direitos comerciais de suas competições, a começar pela Copa do Mundo, por meio de uma empresa subsidiária chamada FIFA Forward Enterprise, cujo valor é estimado em cerca de 20 bilhões de dólares, com um plano para vender 20% de suas ações, visando arrecadar aproximadamente 4,2 bilhões de dólares, segundo os números adotados pela entidade internacional.
De acordo com esse projeto, o financiamento destinado a cada federação nacional subirá de 8 milhões de dólares no ciclo de 2023-2026 para 20 milhões de dólares no ciclo de 2027-2030, e cada federação também poderá receber outros 20 milhões de dólares por meio do programa FIFA Fast Forward, destinado a projetos estratégicos.
Mas os aspectos financeiros não conseguiram apaziguar as objeções, já que várias entidades do futebol entendem que o projeto vai além de um simples aumento de receitas e afeta o futuro da gestão do esporte e de suas competições.
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A Uefa mantém a recusa
A União das Federações Europeias de Futebol anunciou uma posição categórica, reafirmando sua rejeição total à proposta, com o apoio de todas as suas 55 federações nacionais membros.
O comunicado da Uefa afirmou: "Nenhuma seleção nacional filiada à Uefa participará de qualquer torneio organizado pela Fifa enquanto essa proposta permanecer de pé".
Essa postura abre caminho para uma crise sem precedentes, pois a continuidade do impasse sem que se chegue a um acordo pode ameaçar a realização da Copa do Mundo em seu formato atual, diante da impossibilidade de se imaginar um torneio sem as seleções europeias, que representam parte essencial da disputa nos níveis esportivo e comercial.
O que isso significa para a Copa do Mundo de 2030?
Embora a próxima Copa do Mundo só vá acontecer em 2030, a crise atual coloca o torneio sob pressão antecipada.
Segundo reportagem do jornal espanhol "El Español", como a Espanha e Portugal pertencem à Uefa, o compromisso de ambos com a posição da entidade europeia significa, caso a crise persista, a não participação em torneios da Fifa, o que reflete também na organização da Copa do Mundo.
E, se o projeto seguir adiante e obtiver a aprovação da maioria das federações membros da Fifa, a organização do torneio no formato planejado poderá ser posta em xeque, especialmente diante da dificuldade de se imaginar uma Copa do Mundo na ausência das seleções da Europa, o que afetará diretamente o valor esportivo e comercial da competição.
O Marrocos em uma posição diferente
O quadro se torna ainda mais complexo por causa do Marrocos, o terceiro parceiro na organização da Copa do Mundo de 2030, que não pertence à União das Federações Europeias de Futebol, e sim à Confederação Africana de Futebol (CAF).
Ao contrário da posição da Uefa, a CAF não anunciou uma recusa explícita ao projeto, mas afirmou que realizará uma reunião interna ao longo da próxima semana para estudar a iniciativa FIFA Forward Enterprise e avaliá-la antes de adotar uma posição oficial.
Isso significa que o Marrocos pode se ver diante de uma posição diferente da da Espanha e de Portugal, caso a Confederação Africana acabe apoiando o projeto ou não se opondo a ele, o que pode acrescentar novas complicações ao processo de organização do torneio, especialmente com a continuidade do debate sobre alguns dos estádios-sede, bem como sobre a identidade do país que sediará a partida final.
