A negação conveniente de Jorge Jesus

Treinador português do Benfica tem posturas e atitudes que não são mais aceitáveis - e que nunca deveriam ter sido

A essência do homem hétero branco é a negação conveniente. Eu, Bruno, estou muito à vontade para colocar o dedo nesta ferida, porque faço parte deste grupo privilegiado, mesmo vivendo há anos um árduo e necessário processo de “desconstrução” social e humano. 

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Jorge Jesus também não foge à regra. Cresceu, aprendeu e viveu numa cultura majoritariamente racista e preconceituosa. É um personagem vencedor e marcante dentro de um esporte altamente machista.

O treinador português do Benfica tem posturas e atitudes que não são mais aceitáveis - e que nunca deveriam ter sido. Já não estão mais “na moda”. Negar, desconhecer ou contestar a luta por igualdade, como aconteceu em duas ocasiões recentes, é se entregar de bandeja ao triste passado.

“Não sei o que é isso de machismo”, refutou Jesus, poucos dias depois de ter sido machista ao responder uma jornalista mulher em Portugal.

“Está muito na moda isso do racismo (…) Hoje qualquer coisa que se diga contra um negro é racismo, mas o mesmo a um branco já não é”, contestou, ao ser perguntado sobre o caso racista na Liga dos Campeões entre PSG e Basaksehir.

Não bastasse o "desconhecimento", o uso constante do pronome “isso” passa um ar de ignorância, algo que não combina com um profissional que dispõe de inúmeras ferramentas socioeconômicas e está na ribalta há mais de 15 anos. Passa, sobretudo, uma sensação de prepotência, o que é típico no… homem hétero branco.

Não há qualquer dúvida da grandeza de Jorge Jesus como treinador. Há tempo, mesmo aos 66 anos, de buscar e obter a mesma grandeza fora das quatro linhas. Falar menos, escutar mais. Aprender. Querer. O processo de "desconstrução" está aberto para todos(as).

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