O Barcelona entrou na última janela de transferências do verão enfrentando um verdadeiro pesadelo tático no setor ofensivo, e saiu dela sem uma solução real.
Na temporada passada, Hans Flick, o treinador, dependia essencialmente do veterano Robert Lewandowski ou do espanhol Ferran Torres na posição de centroavante, onde formaram a força de ataque que decidiu muitos pontos preciosos para o Blaugrana.
A dupla deixou os muros do "Camp Nou" no último verão, e a direção esportiva se viu diante de um vazio fatal na posição de atacante de referência, com o estouro de uma crise aguda que ameaçou todo o sistema ofensivo da equipe antes do início da nova temporada.
Negociações travadas: as opções disponíveis vão caindo
A direção do Barcelona tentou se mover rapidamente no mercado para contratar um atacante de alto nível a fim de compensar as saídas de Torres e Lewandowski.
O primeiro alvo era o astro argentino Julián Álvarez, com o clube catalão entrando em negociações intensas com a direção do Atlético de Madrid para fechar a transferência, mas este demonstrou um apego rígido ao jogador e recusou categoricamente todas as propostas apresentadas.
Após o fracasso da negociação por Álvarez, o Barcelona apontou sua bússola para a Itália para avaliar a possibilidade de contratar o atacante argentino Lautaro Martínez, astro da Inter de Milão, mas a transferência não se concretizou
O desejo de Flick: as dimensões da aposta em Adeyemi
Diante do impasse nas grandes contratações, Hans Flick colocou uma opção surpreendente sobre a mesa da direção: a contratação do alemão Karim Adeyemi, do Borussia Dortmund.
E embora não tivesse brilhado na temporada passada, Flick via em Adeyemi uma opção ideal para reforçar a equipe, graças à sua velocidade excepcional, à sua enorme capacidade de transição rápida e à sua flexibilidade tática para ocupar todas as posições de ataque.
O valor da negociação chegou a cerca de 30 milhões de euros, um valor financeiro muito adequado às difíceis condições financeiras do clube, comparado aos preços elevados dos atacantes no mercado europeu.
Getty ImagesFim do mercado: a crise continua
Apesar da contratação de Adeyemi, o mercado de verão terminou e o Barcelona entrou na atual temporada sem assinar com um atacante de destaque capaz de compensar Lewandowski e Torres, ou até mesmo superá-los.
O Barcelona fechou a contratação do brasileiro Gabriel Jesus, vindo do Arsenal, em meio a grandes receios de que o jogador seja afetado pelas diversas lesões que sofreu nas últimas temporadas e que impactaram severamente sua carreira.
Também recorreu ao egípcio Hamza Abdelkarim no time principal, que chamou muito a atenção no período de preparação, mas Flick não conta com ele de forma essencial nas partidas oficiais, dada sua pouca idade e sua falta de experiência.
Flick está preparando Abdelkarim para se tornar o centroavante titular do Barça no futuro.
A chegada de Jesus e a promoção de Abdelkarim representam uma solução temporária para uma crise que preocupou a todos no clube catalão.
Engenharia tática e a explosão de Raphinha
Diante desse impasse, a genialidade de Hans Flick se manifestou na criação de soluções táticas mágicas que mudaram completamente a cara da equipe durante o primeiro período da atual temporada.
Flick trabalhou para aproveitar da melhor forma Karim Adeyemi, que se integrou rapidamente à equipe, e o treinador aproveitou sua velocidade e habilidade colocando-o em várias posições, sobretudo, atualmente, a de ponta-esquerda.
Em 7 partidas, Adeyemi marcou 3 gols e deu duas assistências, mas contribuiu fortemente para diversificar o jogo e abrir espaços para os demais jogadores, o que evidencia seu grande papel no Barça nesta temporada.
Recorrer a Adeyemi na posição de ponta-esquerda deu a Flick a oportunidade de deslocar Raphinha para o centro, exercendo a função de centroavante.
E Raphinha provou uma eficiência excepcional em sua nova posição, aproveitando suas movimentações inteligentes e seu faro de gol para se tornar o artilheiro isolado de LaLiga e conduzir o Barcelona a ter um dos arsenais ofensivos mais ferozes da Europa.
Em 6 partidas de LaLiga, Raphinha marcou 9 gols para liderar a artilharia, além de dois gols na Liga dos Campeões da Europa, chegando à marca de 11 gols em 7 partidas, com 3 assistências.
Getty ImagesUm arsenal ofensivo letal para o Barça
O Barcelona começou a temporada em meio a receios da torcida de que a equipe fosse afetada pela ausência de um centroavante, mas o que aconteceu superou todas as expectativas.
O Barcelona conseguiu marcar 5 gols ou mais em 5 das 7 partidas que disputou nesta temporada em LaLiga e na Liga dos Campeões da Europa.
O total marcado pela equipe desde o início da temporada chegou a 33 gols, a uma média de cerca de 4,7 gols por partida, uma média que revela o quão poderoso é o ataque da equipe catalã, que devora seus adversários.





