Se no duelo de ida, no Allianz Parque, Palmeiras e Cruzeiro protagonizaram um grande jogo no empate por 3 a 3, o embate de volta, na noite desta quarta-feira (26), deixou muito a desejar.
A Raposa, que podia empatar até em 2 a 2 para se classificar às semifinais da Copa do Brasil, jogou com o regulamento, enquanto o Verdão, com medo dos contra-ataques do adversário e se complicar ainda mais, deixou para arriscar mais e partir para cima do adversário apenas no segundo tempo, jogando um pouco mais preso na etapa inicial.
Os dois times entraram em campo no 4-2-3-1, mas com algumas diferenças. O Palmeiras tinha dois volantes mais presos na frente da linha de quatro defensiva: Thiago Santos e Felipe Melo, e Borja como referência no ataque, com Róger Guedes, Guerra e Dudu fazendo a ligação.
O Cruzeiro, por sua vez, tinha Henrique e Ariel Cabral como dupla de volantes que não só marcava e protegia a defesa, mas também subia ao ataque quando a Raposa tinha a bola. Elber atuou aberto pelo lado direito e Alisson pelo esquerdo, com Thiago Neves tendo muita liberdade de movimentação, inclusive para se infiltrar no ataque e trocar de posição com Rafael Sóbis, mais uma vez como falso 9, se movimentando muito.
Light Press/Cruzeiro(Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)Depois de um início melhor do Cruzeiro, o Palmeiras equilibrou as ações e até teve mais posse de bola e trocou mais passes, mas não conseguiu criar uma chance clara de gol sequer. Fábio fez apenas uma defesa durante todo o primeiro tempo, em chute longe de Jean, para fácil intervenção do camisa 1 estrelado. O goleiro celeste não teve muito trabalho e não fez uma defesa difícil sequer nos primeiros 45 minutos.
Do outro lado, o Cruzeiro chegou com perigo em algumas oportunidades. Elber quase marcou um golaço de voleio, Sóbis quase abriu o placar após linda jogada de Diogo Barbosa, e em uma cobrança de escanteio, a Raposa passou perto de abrir o marcador, mas a bola cruzou a área de forma incrível sem ninguém desviar para o fundo das redes.
No primeiro tempo, o Cruzeiro foi melhor. Teve menos posse de bola, mas foi objetivo, eficiente e vertical. Não sofreu sustos e criou as melhores e mais perigosas chances da partida. Poderia ter ido para o intervalo vencendo por pelo menos 1 a 0. No entanto, o jogo decepcionou e tecnicamente foi muito fraco. O melhor lance dos primeiros 45 minutos de partida foi um belo domínio de bola de Cuca, que emendou algumas embaixadinhas, arrancando aplausos de Mano Menezes. Diz muito sobre a etapa inicial do duelo no Mineirão.
Confira os números do jogo:
O Cruzeiro foi melhor, mas não fez uma grande partida. Foi pragmático e jogou com o regulamento. Já o Palmeiras, sem inspiração, era sofrível, com Dudu e Guerra sumidos e Borja nulo. Precisando de gols, o Verdão não fez nada durante todo o primeiro tempo. O jogo era muito pegado, tinha muitas faltas, discussões e poucas jogadas inspiradas, lances bonitos e chances claras de gol. A partida era chata.
Até por conta disso, Cuca colocou Keno no lugar de Guerra logo no intervalo, e o Palmeiras voltou completamente diferente para a etapa final. Com o time mais aberto, vertical e incisivo, o Verdão melhorou consideravelmente e o jogo ganhou mais velocidade e emoção. Não era um grande duelo, mas melhor que o péssimo primeiro tempo.
O Palmeiras, com mais volume de jogo e tentando pressionar, tendo mais posse de bola e trocando passes, mas chegando mais na área celeste e sendo perigoso, viu sua superioridade surtir efeito com o gol justamente do substituto que entrou e mudou a cara do jogo. Keno, que era perigoso pelo lado esquerdo ofensivo alviverde, partindo para cima dos adversários, finalizou após pegar o rebote de cobrança de escanteio. A bola desviou na zaga e enganou Fábio. A mudança de Cuca surtiu efeito.
Depois do gol, o Palmeiras seguiu melhor, enquanto o Cruzeiro ainda estava em um nível inferior ao primeiro tempo. No entanto, o jogo seguia decepcionante e as chances criadas iam diminuindo. Com o passar do tempo, a Raposa partiu para a pressão, mas não conseguia oportunidades claras de gol.
E quando parecia que o Palmeiras ia sair com a vaga, um herói improvável salvou o Cruzeiro. Aos 39 minutos do segundo tempo, Diogo Barbosa, ao invés de ir ao fundo para cruzar, invadiu a área para aproveitar cruzamento de Alisson e, de cabeça, empatar o jogo para a Raposa, dando a classificação ao time celeste.
Foi o primeiro gol do lateral-esquerdo esquerdo com a camisa estrelada, e que gol. Merecido para coroar mais uma boa atuação, sua ótima temporada e os bons jogos que tem feito pelo Cruzeiro. Jogador mais regular da Raposa em 2017, ele merecia um prêmio como esse.
Depois do empate, o Cruzeiro administrou a vantagem até o fim e conseguiu a emocionante classificação. O jogo fraco tecnicamente e um tanto chato, foi salvo pela emoção.





