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Rooney is right about Man Utd '08 vs Arsenal.jpgGetty/GOAL

Wayne Rooney tem razão: as estrelas do Manchester United de 2008 atropelariam o Arsenal atual

Uma temporada repleta de troféus não pode ser descartada, pois o Arsenal parece estar um passo à frente de todos os seus rivais, ostentando uma força e profundidade incríveis em todas as posições. Sua atuação mais recente foi a vitória por 3 a 1 sobre a Inter de Milão, finalista da Champions League na temporada passada e atual líder da Série A.

Após a partida, o técnico da Inter, Cristian Chivu, admitiu que sua equipe não conseguiu igualar a intensidade do Arsenal e destacou a "arrogância" em seu jogo, uma das características de um grande time. Mas, enquanto o Arsenal não conquistar um título importante, não poderá ser colocado nessa categoria. Ainda estamos em janeiro, e o time de Arteta tem demonstrado, nos últimos anos, o cansaço na reta final das partidas.

Muitos torcedores e ex-jogadores estão se precipitando, incluindo Theo Walcott, que ousou perguntar a Wayne Rooney como este time do Arsenal se compararia ao Manchester United de 2008, durante a cobertura do jogo contra a Inter para a Amazon Prime Video. Rooney respondeu tão rapidamente que provocou uma risada nervosa em Walcott, com uma resposta direta: "É, a gente iria massacrá-los."

A lenda do United estava absolutamente certa. Foi um insulto da parte de Walcott sequer fazer a comparação, e ele mereceu ser silenciado com tanta veemência.

Os Red Devils entraram na temporada 2007/08 como campeões do Campeonato Inglês e estabeleceram um novo e notável padrão de excelência, defendendo o título e conquistando a Champions League, feito que ninguém no futebol inglês igualou desde então. Arteta não teria outra escolha senão se curvar em submissão a Sir Alex Ferguson após um hipotético confronto, e a GOAL está aqui para analisar as principais diferenças entre os dois times...

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  • Raya - Van der SarGetty/GOAL

    Van der Sar mais completo que Raya

    David Raya é, sem dúvida, o goleiro mais confiável do Arsenal desde Petr Cech e está a caminho de conquistar sua terceira luva de ouro consecutiva nesta temporada, tendo sofrido apenas 14 gols na Premier League até o momento. O espanhol é um excelente goleiro-líbero, com reflexos e distribuição de bola excepcionais, o que o torna fundamental na construção de jogo dos Gunners.

    Mas falta uma coisa: a capacidade de dominar a sua área. Em nítido contraste, essa sempre foi a maior qualidade de Edwin van der Sar. O imponente holandês exalava autoridade natural e pegava pênaltis com maestria, bloqueando praticamente todo o caminho para o gol dos adversários.

    Ele também era igual a Raya em todos os outros aspectos, se não melhor. Dominou o gol e fez inúmeras defesas cruciais na temporada 2007/08, sendo a mais famosa a da final da Champions League contra o Chelsea, onde defendeu com maestria a cobrança de Nicolas Anelka, garantindo o título para o United.

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  • Gabriel & Saliba - Ferdinand & VidicGetty/GOAL

    Duas boas defesas

    Dito isto, ter uma visão clara do gol de Raya não é tarefa fácil. O Arsenal já não sofreu gols em 18 jogos nesta temporada, o que se deve principalmente ao domínio da dupla de zaga: Gabriel Magalhães e William Saliba. Ambos são rápidos, fortes e tranquilos com a bola nos pés, e desenvolveram um entrosamento que os torna páreo para qualquer ataque.

    Rio Ferdinand e Nemanja Vidic tinham uma relação semelhante, e um duelo explosivo contra Gabriel e Saliba era garantido. Em bolas paradas, qualquer disputa entre Vidic e Gabriel seria particularmente fascinante, pois ambos estavam dispostos a se sacrificar em campo. Se alguém podia impedir Gabriel de exercer sua influência habitual na área adversária, esse alguém era Vidic, enquanto Ferdinand não tinha igual quando se tratava de posicionamento.

    Os Gunners até poderiam ter conseguido neutralizar Van der Sar em algumas ocasiões, mas Vidic e Ferdinand estariam prontos para intervir e neutralizar a ameaça das bolas paradas. Essa também era uma especialidade do United de 2007/08, que marcou mais gols de escanteio do que qualquer outro time do Campeonato Inglês naquela temporada (15).

    O Arsenal também teria que lidar com a ameaça que era Patrice Evra no outro extremo do campo. O lateral-esquerdo, que avançava bastante, era essencial para os contra-ataques rápidos do United e muitas vezes fazia a diferença nos jogos mais disputados. Jurrien Timber é tão rápido e tecnicamente habilidoso quanto ele, mas ainda não tem a mesma capacidade de finalização. É difícil imaginar Bukayo Saka e Timber conseguindo marcar Evra em plena forma, enquanto ele também era um dos vários jogadores de alta energia e agressividade no elenco do United que garantiam que raramente fossem pegos em contra-ataques, ao lado de nomes como Wes Brown, Darren Fletcher e Park Ji-Sung.

  • Rice-CarrickGetty/GOAL

    Domínio de Scholes e Carrick

    Arteta tem usado um esquema 4-3-3 nesta temporada, com Martin Odegaard, Martin Zubimendi e Declan Rice como seus meio-campistas titulares. O trio dinâmico tem feito um trabalho espetacular, com Odegaard atuando como principal articulador, Zubimendi controlando o ritmo e Rice desarmando as jogadas, mas o United tinha as ferramentas para superá-los.

    O United normalmente jogava num esquema 4-4-2, com imensa fluidez posicional. Michael Carrick e Paul Scholes frequentemente ocupavam as posições de volantes nos jogos mais importantes, e o United costumava adotar uma formação 4-5-1 para defender, garantindo que nunca ficasse em desvantagem numérica no meio-campo.

    Carrick e Scholes teriam sido igualmente capazes de superar Rice fisicamente, cortar o fornecimento de bola para Odegaard e limitar o tempo de Zubimendi com a bola, dependendo da função que Ferguson priorizasse, e, como dois dos maiores passadores que o Campeonato Inglês já viu, tinham a qualidade necessária para superar a pressão do Arsenal.

    Ferguson as vezes precisava poupar Scholes, de 34 anos, para que ele não precisasse perder algum jogo, mas o United tinha boas opções no banco, com Fletcher, Owen Hargreaves e Anderson, todos excelentes jogadores na recuperação de bola.

    Arteta transformou o Arsenal em uma equipe muito compacta, que trabalha incansavelmente para forçar os adversários a jogar pelas laterais, o que é o principal motivo de sua solidez. Mas o Manchester United de 2007/08 possuía a combinação perfeita de criatividade e constância para desestabilizar o plano de jogo dos Gunners.

  • Man Utd 2008Getty

    Melhor ataque da história do Campeonato Inglês

    Arteta tem um elenco ofensivo de peso, mas sua versão mais recente do Arsenal é mais funcional do que criativa. Isso explica, em parte, as dificuldades enfrentadas por Viktor Gyokeres desde sua transferência do Sporting, com muitas de suas inteligentes infiltrações sendo ignoradas, enquanto os números de gols e assistências de jogadores veteranos como Saka e Gabriel Martinelli estão significativamente abaixo dos anos anteriores.

    Os Gunners buscam vantagens para vencer partidas em vez de se soltarem, provavelmente porque Arteta está ciente de que perderam para o Manchester City e o Liverpool quando tentaram jogar um futebol mais bonito. O United nunca foi afetado por esse tipo de insegurança.

    A filosofia de jogo avassaladora de Ferguson fez dos Red Devils o time mais temido do país. Ele extraiu o máximo de um ataque caríssimo, composto por Rooney, Carlos Tévez e Cristiano Ronaldo. Tamanha era a impiedade desse trio no terço final do campo que Louis Saha, um artilheiro de ponta do Campeonato Inglês, que seria titular absoluto na maioria dos outros times, mal teve oportunidades.

    Tévez geralmente atuava como centroavante e era um pesadelo para os zagueiros, com sua pressão constante e finalização instintiva. Rooney recuava para uma posição mais livre, o que lhe permitia demonstrar toda a extensão de seu talento criativo, e Cristiano Ronaldo redefiniu a posição de ponta como o principal artilheiro do United, marcando impressionantes 42 gols em todas as competições.

    Ferguson também podia contar com o veterano Ryan Giggs, que adaptou seu jogo brilhantemente para atuar no meio-campo, e com o enigmático compatriota português de Cristiano, Nani, outro jogador com talento para momentos de genialidade que decidem partidas.

    O United era absolutamente eletrizante na transição e conseguia machucar os adversários de diversas maneiras, com o Arsenal de Arsène Wenger entre aqueles que sucumbiam à sua vontade. Empataram em 2 a 2 num emocionante jogo no Emirates, pelo campeonato, mas os comandados de Ferguson venceram o jogo de volta por 2 a 1 em Old Trafford e golearam os Gunners por 4 a 0 na quinta rodada da Copa da Inglaterra.

  • Madueke - NaniGetty/GOAL

    A força do elenco

    Dito isso, Arteta está trabalhando com um elenco mais completo. O Arsenal tem pelo menos dois jogadores de elite em cada posição e, portanto, tem capacidade para lidar com lesões melhor do que qualquer outro time na Europa.

    De fato, Odegaard, Noni Madueke, Kai Havertz e Christian Norgaard foram reservas não utilizados contra a Inter na quarta-feira, enquanto Rice, Gabriel, Martinelli, Gyokeres e Ben White entraram em campo após a marca de uma hora de jogo. O segundo time de Arteta não ficaria muito atrás do primeiro em termos de qualidade geral.

    Ferguson não tinha esse luxo, mas isso não importava devido à sua inteligência na escolha do time. Nos dois terços superiores do campo, ele utilizava variações de um núcleo formado por Tévez, Rooney, Ronaldo, Giggs, Scholes, Anderson e Hargreaves. Apenas a linha defensiva se manteve praticamente a mesma, completada por Brown.

    A maioria dos jogadores de destaque do United recebia descanso regularmente e, quando o número de jogadores era baixo, Nani, Fletcher, John O'Shea, Park, Saha e Gerard Piqué podiam entrar em campo. Assim como o Arsenal agora, não havia nenhum ponto fraco óbvio em nenhum momento da temporada. Arteta, portanto, não teria conseguido levar vantagem sobre Ferguson com mudanças durante as partidas.

  • Ferguson - ArtetaGetty/GOAL

    A superioridade mental de Ferguson

    O confronto entre Arteta e Ferguson na linha lateral é um completo desequilíbrio. Ferguson estava há 21 anos em seu glorioso reinado em Old Trafford em 2008 e havia aperfeiçoado a arte de produzir resultados positivos temporada após temporada. Ele também havia construído o terceiro grande elenco de sua passagem pelo clube, recolocando o United no topo da Inglaterra, à frente de Arsenal e Chelsea.

    Ferguson era um vencedor nato que exigia 100% de cada um de seus jogadores desde o momento em que entravam em campo. Ele também era um mestre na arte da guerra psicológica, e é fácil imaginá-lo desestabilizando o excessivamente emotivo Arteta.

    O técnico dos Gunners provou ser um treinador soberbo, mas ainda não pode ser considerado um técnico de classe mundial. Apesar de todo o progresso que a equipe fez, uma Copa da Inglaterra em seis anos não é suficiente para um clube do tamanho do Arsenal, e a abordagem cautelosa de Arteta nos jogos mais importantes é um dos principais motivos pelos quais a sala de troféus ainda está acumulando poeira.

    De fato, parece que ele também não aprendeu a lição ainda. O Arsenal perdeu por 1 a 0 para o Liverpool em Anfield, em agosto, e só conseguiu um empate sem gols contra os atuais campeões, que estão em declínio, no Emirates, além de um empate em 1 a 1 em casa contra o City. É possível perceber a tensão na linguagem corporal de Arteta nesses jogos, enquanto Ferguson costumava apreciá-los. Ele criava uma mentalidade de cerco que transformava os jogadores do United em animais selvagens, que não se contentavam até conseguirem o que queriam. Um empate era tão ruim quanto uma derrota aos olhos de Ferguson.

    Rooney era o símbolo brilhante desse espírito de equipe feroz, então se ele diz que o United daria uma surra no time de Arteta, pode acreditar. Até que o técnico do Arsenal conquiste algum título grande, seria prudente que todos os ligados ao clube evitassem alimentar novos debates sobre seu legado.

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