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Uma revolução artística... Deschamps coloca Zidane diante de um verdadeiro dilema

A iminência da chegada de Zinedine Zidane ao comando da seleção francesa coincide com o melhor momento técnico dos Bleus, sob o comando de Didier Deschamps.

Deschamps se prepara para deixar a seleção francesa após apenas duas partidas, enquanto a passagem do cargo para Zidane já está praticamente decidida, apesar de ainda não ter sido anunciada oficialmente.

O jornal AS” informou, em uma reportagem, que Zidane chegará à seleção francesa no momento considerado o melhor em termos futebolísticos, depois que Deschamps conseguiu promover uma clara transformação no estilo de jogo dos “Galo”.

Depois de a seleção francesa ter se acostumado a alcançar resultados com um desempenho mais prático do que espetacular, a equipe passou a manter sua eficácia ofensiva, apresentando um nível técnico mais convincente e uma melhora notável no desempenho coletivo.

Zidane assumirá a missão no auge do nível técnico da seleção francesa, o que pode ser visto como um grande desafio devido às elevadas expectativas, ou como uma oportunidade ideal para dar continuidade ao que já foi conquistado.

Além disso, a evolução promovida por Deschamps pode proporcionar a Zidane uma base sólida para aproveitar o enorme potencial ofensivo da seleção francesa, graças à abundância de craques no ataque, permitindo-lhe dar continuidade ao sucesso e desenvolver ainda mais a equipe.

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    Deschamps muda sua filosofia com os Bleus

    Existe uma regra conhecida no futebol que diz que o jogador que se torna técnico dedica atenção especial à posição que ocupava durante sua carreira, pois conhece os meandros dessa função e compreende o jogador que desempenha as mesmas tarefas que ele realizava no passado. 

    E isso sempre se aplicou a Deschamps, que atuou como meio-campista defensivo disciplinado, caracterizado pelo bom posicionamento e pelo compromisso tático; ele não era um jogador excepcional do ponto de vista técnico, mas era um soldado indispensável dentro de campo. 

    Por isso, Deschamps sempre deu preferência aos jogadores que desempenham as mesmas funções que marcaram sua personalidade futebolística.

    Mas, com o passar do tempo, Deschamps começou a mudar gradualmente sua filosofia, até chegar a esta versão da seleção francesa que conta com quatro atacantes — a mesma que enfrentará a Espanha na semifinal da Copa do Mundo.

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  • Zinedine ZidaneGetty Images

    Zidane entre a receita de sucesso de Deschamps e seu próprio projeto

    Deschamps deixou de contar com os meio-campistas em favor dos atacantes, o que foi uma evolução natural, já que os jovens talentos do ataque vinham se destacando com força, enquanto os jogadores que deixaram o meio-campo não encontraram substitutos do mesmo nível.

    Assim, nomes que representavam os pilares do projeto de Deschamps foram desaparecendo gradualmente por diversos motivos, como Blaise Matuidi, Paul Pogba e N’Golo Kanté. 

    E mesmo os jogadores que eram vistos como seus herdeiros naturais, como Eduardo Camavinga, não conquistaram a confiança total de Deschamps.

    Em contrapartida, surgiu uma geração de atacantes que o técnico conseguiu integrar em um único esquema, como Désiré Doué, Bradley Barcola, Mikel Olise, Ousmane Dembélé e Kylian Mbappé.

    Essa mudança para o esquema 4-2-3-1 é a estratégia com a qual Deschamps tentará, finalmente, superar a Espanha, mas, ao mesmo tempo, coloca Zidane diante de um verdadeiro dilema: ou continua a confiar na fórmula de sucesso criada por Deschamps, ou inicia seu próprio projeto do zero, com todos os riscos que isso acarreta. Afinal, o padrão estabelecido por Deschamps ficou extremamente alto.

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