Assim como diz a frase inicial do romance “O Estrangeiro”, do escritor francês Albert Camus: “A França jogou hoje. Ou talvez ontem. Não tenho certeza”. Talvez não haja frase que resuma melhor a situação da seleção francesa nos últimos anos do que essa. A discrepância entre as expectativas românticas que os nomes dos jogadores impõem e a realidade prática que a equipe apresenta em campo não para de surpreender. A França, de uma forma ou de outra, parece mais forte no papel a cada novo campeonato.
Os talentos surgem a um ritmo impressionante, e as gerações de ouro se alternam de forma que qualquer escalação pareça capaz de disputar o título. E quando o técnico Didier Deschamps se preparava para a Copa do Mundo de 2026 — que será a terceira e última para ele como técnico da seleção francesa —, o segundo time que ele escalou em um amistoso contra a Colômbia, em março passado, parecia capaz, talvez, de ser a segunda melhor seleção do torneio. Mas o problema é que a realidade da França sob o comando de Deschamps costuma ser bem diferente do que se imagina no papel. Essa seleção, apesar de ter chegado à final da Copa do Mundo duas vezes consecutivas, ganhou a reputação de apresentar o mínimo possível com o melhor potencial disponível, já que muitas vezes parecia mais uma equipe que se baseia no trabalho árduo e na disciplina tática do que um grupo de estrelas que pratica o futebol que o público espera desses nomes.
Essa foi a introdução da reportagem do jornalista James Horncastle no site The Athletic após a partida entre França e Senegal, na qual ele levantou uma questão importante: como é possível que uma seleção com tanto talento, especialmente no ataque, apresente, às vezes, um desempenho muito abaixo de suas capacidades?


