GettyTorcida invade centro de treinamento do Nice e agride jogadores; dupla pede afastamento
Ultras do Nice invadem o CT
O Nice abriu o placar contra o Lorient no domingo (30), com Arthur Avom marcando contra, mas a equipe desabou logo depois. O time de Franck Haise foi para o intervalo perdendo por 2 a 1 e levou o terceiro gol no início da segunda etapa.
A torcida que acompanhava de longe não gostou nada do que viu. Segundo a ESPN, cerca de 400 ultras foram até o CT do Nice e aguardaram a chegada do elenco principal. O clima ficou “muito tenso” à medida que os jogadores se aproximavam.
GettyJogadores são atacados por torcedores revoltados
A ESPN relata que “dois torcedores chegaram a entrar no ônibus da equipe para expressar sua revolta antes que a violência começasse quando os jogadores desceram”. Moffi e Boga estavam entre os atingidos na confusão, que escalou rapidamente.
Eles teriam sido “socos, cuspidos, chutados e insultados pelos ultras”. Testemunhas relataram tudo à ESPN após a volta da delegação ao CT, num trajeto curto vindo do aeroporto.
Fontes disseram à ESPN que Moffi recebeu “licença médica” de uma semana e Boga de cinco dias. A dupla compareceu a uma delegacia local na segunda-feira (1º) para prestar queixa contra os agressores. A polícia ainda não se pronunciou oficialmente.
O Nice, porém, divulgou um comunicado. Comentando o episódio, o clube afirmou:
“Na noite de domingo, na volta de Lorient, a equipe foi recebida no centro de treinamento por uma grande concentração de torcedores. O clube entende a frustração causada pela sequência de atuações ruins, distantes dos nossos valores. No entanto, os excessos vistos nesse encontro são inaceitáveis. Alguns membros do clube foram atacados. O Nice oferece total apoio a eles e condena esses atos com a maior firmeza.”
Por que o protesto?
A crise explodiu após seis derrotas consecutivas em todas as competições. O Nice perdeu para PSG, Metz, Marseille e Lorient na Ligue 1, além de tropeçar em duelos da Europa League contra Freiburg e Porto.
Moffi e Boga teriam sido alvos diretos por serem acusados de “má atitude nas últimas semanas”. Fontes disseram à ESPN que Moffi “levou socos, chutes, teve o cabelo puxado e precisou da ajuda do goleiro Yehvann Diouf para sair da multidão e entrar em segurança no prédio do clube” durante o ataque ao ônibus.
O diretor esportivo Florian Maurice precisou ser escoltado por seguranças até o carro para conseguir deixar o local. Curiosamente, o técnico Haise foi aplaudido por parte dos ultras, que afirmaram que ele ainda tem total apoio, mesmo com a sequência negativa. O capitão Melvin Bard e o meia local Sofiane Diop também não foram hostilizados.
gettyDirigentes são criticados por permitir cena “assustadora”
Após os ataques a Moffi e Boga, o restante do elenco conseguiu entrar em segurança no centro de treinamento. Muitos jogadores, no entanto, ficaram “chocados e traumatizados, culpando a falta de segurança” por parte da diretoria. Um atleta disse à ESPN: “Como é que não protegem a gente melhor? Foi inacreditável e assustador.”
A má fase deixou o Nice em 10º lugar na Ligue 1. A equipe tenta reagir no domingo, quando recebe o Angers, dois postos abaixo na tabela, com um ponto a menos.
Resta saber quando Moffi e Boga, marfinense formado na base do Chelsea, voltarão a jogar, já que o episódio levanta dúvidas sobre o futuro de ambos no clube.