Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt
+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento
Enzo Maresca Pep Guardiola GFXGetty/GOAL

Traduzido por

Sem gritos nem confusão: será que Maresca quebrou a maldição de suceder as lendas?

Deveria ser uma das missões técnicas mais difíceis do futebol moderno. Um treinador que chega ao Manchester City como sucessor de uma lenda do tamanho de Pep Guardiola, após uma era que fez a história do clube e mudou a forma da competição na Inglaterra e na Europa, para se ver obrigado a preservar esse mesmo legado, em meio a comparações intermináveis com seu antecessor.

Mas, após as primeiras semanas da temporada, parece que Maresca está lidando com essa missão como se ela fosse menos complexa do que muitos imaginavam. O treinador conduziu o Manchester City a quatro vitórias consecutivas no início da Premier League, fazendo com que a equipe dividisse a liderança da tabela de classificação com o Arsenal, enquanto os primeiros indícios apontam que a disputa pelo título pode voltar a se restringir aos dois times.

E a vitória mais importante não foi apenas mais um triunfo na sequência de resultados positivos, mas veio no lugar e nas circunstâncias mais difíceis: quando o City voltou do estádio de Old Trafford com uma valiosa vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United, apesar de a equipe ter sido obrigada a disputar boa parte da partida com dez jogadores após a expulsão de Phil Foden.

Mais importante do que o próprio resultado foi a reação da equipe. Os jogadores do City não demonstraram confusão ou pânico, mas mantiveram a calma até o fim, uma característica que talvez tenha se tornado a mais admirável no início da era Maresca.

  • Enzo MarescaGetty

    Calmaria de um lado, música alta nos treinos

    Talvez uma das características mais marcantes da personalidade de Maresca esteja na forma como lida com a pressão. O treinador relembrou setembro passado, quando comandava o Chelsea e viu seu goleiro Robert Sánchez ser expulso apenas cinco minutos após o início da partida contra o Manchester United, em Old Trafford.

    Aquela noite foi completamente diferente, e Maresca foi obrigado a fazer alterações muito precoces, realizando duas substituições nos primeiros sete minutos e mudando praticamente a formação de sua equipe para jogar com cinco defensores, mas não conseguiu manter o resultado até o apito final.

    Quase um ano depois, Maresca demonstrou mais maturidade ao lidar com a mesma situação, e não se apressou em fazer mudanças radicais após a expulsão, mas concedeu à sua equipe tempo suficiente para entender o que estava acontecendo e se adaptar. A mudança de Rayan Cherki para o lado direito, antes de substituí-lo por Iliman Ndiaye no intervalo, foi uma de suas decisões táticas mais notáveis na partida.

    Essa tranquilidade não foi apenas um comportamento dentro de campo, mas se tornou parte da personalidade do treinador também fora dele. Nas coletivas de imprensa, Maresca aparece sorridente e calmo, e lida com as perguntas de uma maneira completamente diferente da imagem à qual a torcida do Manchester City estava acostumada durante os anos de Guardiola.

    Após a vitória sobre o Manchester United, ao ser questionado sobre Erling Haaland e seu ótimo desempenho nesta temporada, Maresca respondeu com um sorriso, recorrendo a uma expressão inspirada no famoso ditado: "Esposa feliz significa vida feliz. Para nós, um Erling feliz significa vida feliz."

    Uma frase simples e bem-humorada, mas que reflete muito da personalidade do novo treinador. Maresca não tenta criar outra versão de Guardiola, mas parece determinado a ser ele mesmo, segundo informou a "BBC Sport".

  • Publicidade
  • Pep Guardiola and Enzo MarescaImago-Images

    Ele não é como Guardiola: essa é a ideia

    A comparação com Guardiola era inevitável desde o momento em que o Manchester City anunciou a contratação de Maresca. O italiano não herdou apenas um time vencedor, mas sim um sistema acostumado a vencer, uma torcida acostumada a assistir a um futebol com identidade clara e jogadores que trabalharam por anos sob o comando de um treinador que deixou uma marca profunda nos detalhes de suas vidas cotidianas.

    Mas a diferença entre os dois homens aparece até na área técnica. Guardiola se movimentava bastante durante as partidas, gritava e orientava seus jogadores constantemente, reagindo a quase cada detalhe, enquanto Maresca parece mais tranquilo; muitas vezes fica praticamente imóvel, com os braços cruzados sobre o peito, observando a partida antes de intervir.

    O que chama a atenção é que essa tranquilidade não significa ausência de ideias ou falta de influência. Pelo contrário, parece que Maresca quer impor sua personalidade de uma maneira diferente.

    Até os treinos passaram por uma mudança evidente; a música se tornou parte do ambiente de trabalho, com a reprodução de música house barulhenta que o próprio Maresca descreveu como sendo do tipo "bum, bum, bum".

    A ideia para o treinador é simples: deixar os jogadores mais felizes, algo que ele acredita que pode se refletir no desempenho deles dentro de campo. Assim, Maresca não tenta apagar o legado de Guardiola, mas acrescenta a ele um pouco de sua personalidade.

  • Manchester United v Manchester City - Premier League 2026/27Getty Images Sport

    Díaz revela o que mudou nos bastidores

    A mudança promovida por Maresca não se limita ao clima geral, mas se estende aos detalhes técnicos e de treinamento. O novo capitão do Manchester City, Rúben Dias, explicou que o treinador introduziu suas próprias ideias, embora as bases sobre as quais o time foi construído ao longo dos últimos anos ainda permaneçam.

    Dias afirmou que há mudanças evidentes que começam nas sessões de treino e se estendem a alguns detalhes relacionados ao estilo de pressão e à forma de defender, aspectos que refletem as ideias próprias de Maresca.

    Mas o zagueiro português destacou, ao mesmo tempo, a existência de uma clara continuidade na forma de jogar do time. E isso talvez seja uma das chaves para o sucesso precoce de Maresca.

    Ele não chegou ao Manchester City para começar do zero, e não tentou desmontar um sistema que comprovou seu sucesso; em vez disso, optou por manter a base e introduzir ajustes graduais que dão ao time a sua marca própria.

    Dias afirmou que muitas coisas mudaram, mas a identidade do time e o seu estilo de jogo ainda estão muito próximos daquilo a que o clube estava acostumado. E é aí que reside o paradoxo: Maresca muda o City, mas não tenta transformá-lo por completo.

  • GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

    Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

    Siga a GOAL no Google
  • FBL-PR-ENG-MAN UTD-EVERTON-FRIENDLY-ROONEY-TESTIMONIALAFP

    As comparações com Guardiola não representam pressão

    Desde o anúncio da contratação de Maresca, surgiram muitas comparações entre sua missão e a experiência de David Moyes quando sucedeu Sir Alex Ferguson no Manchester United, em 2013. Aquela foi uma das mais famosas histórias de fracasso de treinadores que tentaram substituir lendas dos clubes.

    Moyes chegou a Old Trafford depois dos 27 anos que Ferguson passou no comando do Manchester United, mas não conseguiu suportar o peso das expectativas e não durou mais do que dez meses antes de ser demitido. Por isso, Maresca sabe muito bem que suceder um treinador como Guardiola traz riscos excepcionais.

    Durante a coletiva de imprensa de sua apresentação, o treinador citou outros exemplos, como Ferguson e Arsène Wenger, explicando que os clubes sofreram em diferentes graus após a saída de treinadores que passaram longos períodos em seus comandos.

    Mas Maresca não encarou essas comparações como uma ameaça. Pelo contrário, disse com clareza que as conversas sobre Guardiola vão continuar, mas afirmou que isso "não representa uma pressão sobre ele", o que talvez explique boa parte da forma como tem trabalhado até agora.

  • Enzo Maresca Manchester City crestGetty/GOAL

    Início forte após o tapa do Arsenal

    É fácil esquecer que o início de Maresca não foi totalmente perfeito. O Manchester City sofreu uma dura derrota por 3 a 0 diante do Arsenal na partida da Supercopa da Inglaterra, um resultado que poderia ter aberto uma porta precoce para o questionamento sobre a capacidade do novo treinador de lidar com um clube desse porte.

    Mas a resposta veio rápido. O City conquistou uma sequência de vitórias, que chegou a cinco triunfos consecutivos, entre eles um sobre o Porto na Liga dos Campeões, antes de dar continuidade ao seu forte arranque na Premier League.

    Depois, veio a vitória sobre o Manchester United em Old Trafford para dar ao início de Maresca um impulso adicional, não apenas pela importância do adversário, mas pela maneira como a equipe lidou com as condições da partida.

    E é exatamente isso que torna o começo interessante. Maresca não apenas vence, mas parece que a equipe está aprendendo a lidar com as crises sem perder o equilíbrio.

  • FBL-EUR-C1-MANCITY-PRESSERAFP

    O verdadeiro teste começa agora

    Mesmo assim, as grandes perguntas seguem em aberto. O Manchester City deu apenas os primeiros passos com seu novo treinador, a temporada é longa e a competição ficará mais dura à medida que as semanas passarem.

    O clube também fez mudanças profundas em seu elenco durante a janela de transferências do verão, o que significa que Maresca não trabalha apenas para suceder Guardiola, mas tenta, ao mesmo tempo, construir uma nova versão do time.

    A jornada em defesa do título da Copa da Liga começa com um confronto contra o Norwich City no Etihad Stadium, antes de receber o Sunderland pela Premier League três dias depois.

    E se Maresca conseguir superar as duas partidas com dois novos triunfos, estará perto de conquistar um início quase perfeito em sua trajetória com o Manchester City. Mas, mais importante do que os números, será a continuidade da maneira como ele lida com a pressão.

    Até agora, parece que Maresca entendeu a regra fundamental da missão: ele não pode ser Guardiola, e não precisa ser.

    Ele herdou um time que sabe como vencer, mas escolheu lhe dar algo diferente: tranquilidade nas crises, uma personalidade mais leve fora de campo e novas ideias dentro dos treinos e das partidas.

    Por isso, a "missão impossível" que parecia assustadora antes do início da temporada começou a se transformar gradualmente em um projeto viável. Maresca ainda não saiu da sombra de Guardiola, mas já começou, de fato, a construir a sua própria.