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Liam Rosenior Chelsea GFXGOAL

Seis desafios que Liam Rosenior precisa superar no Chelsea

O inglês de 41 anos estreará como comandante do Chelsea no confronto contra o Charlton, válido pela terceira rodada da Copa da Inglaterra no sábado. Mas a verdade é que isso é apenas um aquecimento para os desafios que estão por vir — embora nem ele nem a equipe possam se dar ao luxo de subestimar os adversários e serem eliminados precocemente.

Rosenior estava na arquibancada quando o Chelsea caiu para a oitava colocação na tabela após uma derrota para o Fulham na quarta-feira, e agora eles se encontram tão próximos do Tottenham (que está em 14º) quanto do Liverpool (que ocupa a quarta colocação). Enquanto isso, a vaga nas oitavas de final da Liga dos Campeões está longe de estar garantida, já que os Blues estão na 13ª posição da fase inicial do torneio.

Embora o Chelsea não esteja necessariamente na sua pior forma, o novo treinador chega em um momento de alta pressão e herda uma série de questões — antigas e novas — que devem ser resolvidas se ele quiser provar para seus críticos que seu mandato em Stamford Bridge pode ser um sucesso. 

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  • Fulham v Chelsea - Premier LeagueGetty Images Sport

    Disciplina, disciplina, disciplina

    Se o tema da indisciplina ainda não estivesse no radar de Liam Rosenior quando ele foi anunciado como novo técnico do Chelsea na terça-feira, bastaria acompanhar o time das arquibancadas de Craven Cottage, já na noite seguinte, para entender a dimensão do problema.

    Com apenas 22 minutos de jogo, Marc Cucurella — hoje um dos jogadores mais experientes do elenco — foi traído por uma bola longa, perdeu na disputa física para o franzino atacante do Fulham, Harry Wilson, e acabou puxando o adversário de forma clara, sendo o último homem da defesa. O lance resultou no sétimo cartão vermelho do Chelsea na temporada — oito, se for considerada também a expulsão do ex-treinador Maresca na partida contra o Liverpool.

    O antecessor de Rosenior sempre negou, sem rodeios, que o elenco tivesse problemas disciplinares, apesar do excesso de cartões amarelos também ser um ponto de atenção. O interino Calum McFarlane seguiu a mesma linha, mesmo com a expulsão de Cucurella tendo peso direto na derrota no clássico do oeste de Londres. Resta saber se o novo comandante adotará o mesmo discurso em público — mas, nos bastidores, é evidente que algo precisa ser feito para corrigir o comportamento e as decisões do time dentro de campo.

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  • FBL-EUR-C1-CHELSEA-AJAXAFP

    Desconforto dentro de casa

    Embora a noite de quarta-feira tenha trazido mais uma derrota fora de casa, é o desempenho do Chelsea como mandante que gera ainda mais preocupação nesta temporada. Em 2025/26, os Blues venceram apenas quatro dos dez jogos disputados em Stamford Bridge até aqui, tendo deixado pontos pelo caminho recentemente contra o Bournemouth, na última partida de Maresca no comando, logo após uma derrota em casa para o Aston Villa.

    Esse retrospecto coloca o clube apenas na 13ª posição no ranking de desempenho como mandante da Premier League — um número claramente abaixo do esperado. Stamford Bridge já foi uma verdadeira fortaleza do Chelsea, mas os tempos em que José Mourinho transformou o estádio em um território quase impenetrável ficaram para trás. Em suas duas passagens pelo banco de reservas, o português chegou a emendar 60 e, depois, 77 jogos de invencibilidade em casa.

    O problema, porém, não se resume ao que acontece dentro de campo. A relação com a torcida também pesa, sendo este um reflexo das dificuldades vividas pelo clube nos anos seguintes à gestão Boehly-Clearlake e da percepção de má condução do projeto. Em Stamford Bridge, o clima pode azedar rapidamente quando as coisas não andam bem, e as vaias coletivas e demonstrações de impaciência nas arquibancadas minam visivelmente a confiança dos jogadores. Com um elenco jovem, o Chelsea sente ainda mais o impacto das críticas vindas da própria torcida.

    Diante desse cenário, a missão de Rosenior é dupla: conquistar rapidamente a confiança de uma torcida cansada e volátil e, ao mesmo tempo, fazer com que os adversários voltem a temer uma visita a Stamford Bridge, elevando o nível de atuação e os resultados dentro de casa.

  • Newcastle United v Chelsea - Premier LeagueGetty Images Sport

    O problema de Palmer

    É claro que, nesse período inicial de adaptação, o novo treinador vai precisar que seus principais jogadores chamem a responsabilidade. O problema é que ele chega justamente em um momento em que algumas das principais estrelas do elenco não atravessam boa fase.

    No meio-campo, o volante Moisés Caicedo tem apresentado atuações abaixo do esperado, com dificuldades para encontrar ritmo após ter sua sequência interrompida por duas suspensões, consequência de uma série de cartões recentes. Mais à frente, o meia-atacante Cole Palmer, grande referência técnica da equipe, também está longe do seu melhor desde que voltou de um incômodo na virilha e, na sequência, de uma fratura no dedo do pé.

    Não há dúvida de que as lesões tiveram peso significativo em uma temporada marcada por altos e baixos para Palmer. Em dezembro, o próprio jogador admitiu que ainda estava “longe” da melhor condição física. No entanto, sete jogos depois de seu retorno, a falta do impacto habitual começa a preocupar, ainda que ele tenha marcado contra Everton e Bournemouth e dado alguns lampejos de sua qualidade.

    Caberá a Rosenior recolocar seu principal nome no caminho da regularidade e do alto nível que fizeram muitos torcedores do Chelsea — e fãs de futebol, em geral — a enxergarem no jogador de 23 anos um dos grandes talentos da Premier League.

  • Chelsea v Aston Villa - Premier LeagueGetty Images Sport

    Posse de bola bem gerida

    Um Palmer em boa fase ajudaria justamente nesse ponto: transformar posse de bola em chances reais e gols. Nos últimos jogos, o Chelsea criou o péssimo hábito de não vencer mesmo controlando a partida, como aconteceu no empate com o Bournemouth, que selou a saída de Maresca, e na derrota em casa para o Aston Villa. Nesse mesmo roteiro, o time também acabou superado por Sunderland e Leeds, recém-promovidos.

    Curiosamente, o desempenho tem sido melhor em partidas nas quais o adversário fica com a maior parte da posse. Isso, porém, entra em choque com a filosofia de um treinador como Rosenior, adepto de um jogo baseado no controle da bola. Caberá a ele encontrar soluções para furar defesas bem postadas e dar sentido a toda essa troca de passes.

    Mais uma vez, os holofotes recaem sobre jogadores criativos como Palmer e João Pedro, além dos pontas, que precisam atacar os lados do campo para desmontar blocos baixos e abrir espaços. Em algum momento, alguém terá de ceder: ou Rosenior ajusta seu modelo para ter menos a bola, ou o elenco aprende a transformar domínio em vantagem concreta.

  • Chelsea-Alejandro-Garnacho(C)Getty Images

    Faça o Garnacho funcionar

    Um dos pontas que ainda não conseguiu se firmar desde que chegou a Stamford Bridge é Alejandro Garnacho. À época, o argentino foi visto como uma contratação inteligente, já que o Chelsea aproveitou sua situação delicada no Manchester United para contratá-lo por £ 40 milhões, valor bem abaixo do mercado — isso mesmo com o clube já contando com diversas opções pelos lados do campo.

    Até aqui, porém, Garnacho mostrou apenas lampejos do talento que o colocou em evidência. Na maior parte do tempo, apareceu a versão do jogador que não convenceu o então técnico do United, Rúben Amorim, de que merecia um lugar em seus planos a longo prazo: atuações apagadas, dificuldade para manter regularidade e falhas na hora de aproveitar as oportunidades quando surgem. Para piorar, desatenções defensivas no segundo pau custaram caro, especialmente nos empates contra Brentford e, mais recentemente, Bournemouth.

    Aos 21 anos, Garnacho acabou começando no banco nas duas últimas partidas de Maresca no comando, e agora fica a expectativa sobre como será utilizado por Rosenior. O novo treinador tem fama de potencializar jovens talentos, e a diretoria espera que ele consiga extrair rapidamente o melhor do argentino — tanto pelo investimento elevado quanto pela aposta feita em um jogador que, em Old Trafford, já havia se tornado um problema.

  • Moises Caicedo Chelsea dejectedGetty

    Mantenha a vantagem

    Outro problema recorrente para o Chelsea nesta temporada tem sido manter a liderança uma vez que a estabeleceram, uma tendência que Rosenior deve reverter se quiser ter alguma chance de ser bem-sucedido em Stamford Bridge, considerando os vários maus olhares que já enfrentará devido à sua inexperiência.

    De todos os 20 clubes da Premier League, apenas o Bournemouth perdeu mais jogos estando na vantagem em 2025/26 do que os Blues (13), um reflexo de quão vulneráveis os londrinos podem ser mesmo quando estão à frente, e um sinal revelador da inexperiência geral como grupo, já que lhes falta o conhecimento para concluir o jogo e assegurar o resultado.

    O Chelsea perdeu o controle dos jogos com muita frequência nesta temporada, o que é, sem dúvida, uma das principais razões pelas quais Maresca perdeu seu emprego, visto que eles não estavam necessariamente jogando mal — o jogo contra o Villa foi um exemplo claro, já que de alguma forma foram derrotados apesar de predominantemente dominarem a partida. Trata-se de consistência, e eles só encontrarão isso se conseguirem aproveitar a vantagem e conquistar os três pontos.

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