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What Amorim can learn from GlasnerGetty/GOAL

O que Ruben Amorim pode aprender com o Crystal Palace para fazer seu esquema no Manchester United deslanchar

Glasner usa o mesmo 3-4-3 que Amorim desde que assumiu o Crystal Palace, em fevereiro de 2024, quando o time era apenas o 15º colocado da Premier League. Mas, em vez de virar a “camisa de força” que parece ser para o Manchester United, o esquema virou a base do melhor momento da história recente do Palace.

Em menos de dois anos, Glasner conquistou a FA Cup — o primeiro grande título do clube — e levou o Palace a uma competição europeia pela primeira vez. Também comandou uma série invicta de 19 jogos em todas as competições, venceu a Supercopa da Inglaterra desta temporada e hoje mantém o time em quinto lugar na Premier League, vivendo sua melhor campanha desde 1990, quando terminou em terceiro e chegou à final da Copa da Inglaterra.

O cenário é bem diferente para Amorim, que no ano passado teve o pior desempenho do United na liga em 51 anos e viu seu time tropeçar até contra um Everton com 10 jogadores, mesmo com 77 minutos de superioridade numérica. Antes do duelo em Londres neste domingo (30), a GOAL lista seis lições que Amorim pode tirar de Glasner para finalmente fazer seu 3-4-3 funcionar.

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  • West Ham United v Crystal Palace - Premier LeagueGetty Images Sport

    Escolher a formação de acordo com os jogadores

    Amorim e Glasner são hoje os técnicos mais conhecidos por usar o 3-4-3, mas só um deles realmente domina esse sistema. Amorim adotou o esquema logo no início da carreira, enquanto Glasner só passou a usá-lo no Eintracht Frankfurt, porque funcionava bem com o elenco que encontrou. Ele mesmo diz que já trabalhou com 4-4-2, 4-2-3-1 e várias outras formações — sempre escolhendo o que melhor se encaixa nos jogadores disponíveis.

    O grande erro de Amorim no Manchester United foi chegar com a ideia fixa de usar o 3-4-3, mesmo herdando um elenco cheio de pontas clássicos e sem alas capazes de desempenhar a função com qualidade. Contra o Everton, manteve o sistema mesmo quando o jogo pedia uma mudança. A rigidez contrasta com o jeito pragmático de Glasner.

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  • Liverpool v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    Concentre-se menos na posse de bola

    O Barcelona de Guardiola inspirou uma geração a valorizar a posse, mas o futebol mudou. A derrota do United para o Everton deixou isso claro: teve 70% da bola e mesmo assim perdeu. O Crystal Palace mostra o caminho oposto — é o terceiro pior time em posse na Premier League, mas ocupa o quinto lugar. Já o United, com números medianos de posse, está apenas em décimo.

    E quando o United venceu jogos grandes, como contra o Liverpool, Brighton e Chelsea, foi justamente quando teve menos a bola. A única vitória com domínio total foi sobre o Burnley. O próprio Amorim havia dito que o United não poderia jogar tão fechado quanto o Sporting fazia na Champions League, mas hoje o torcedor só quer ver o time subindo na tabela — não importa quem ficou mais tempo com a bola.

  • Crystal Palace v Liverpool - 2025 FA Community ShieldGetty Images Sport

    Tenha um centroavante confiável

    No último encontro entre United e Palace, Jean-Phillipe Mateta deu uma aula de como atuar como centroavante, enquanto o United improvisou Kobbie Mainoo como falso nove. Mesmo tendo essa lição clara, o clube não corrigiu o problema. No último mercado, pagou 74 milhões de libras (R$ 522,7 milhões) por Benjamin Sesko, jogador com características parecidas com as de Hojlund, que já vinha sofrendo com as exigências da Premier League.

    Sesko está lesionado e marcou só dois gols. Amorim nem o usou nos jogos grandes contra Liverpool e Tottenham. Zirkzee teve chance contra o Everton, mas não correspondeu. Enquanto isso, Mateta já soma seis gols na temporada e tem 30 nas últimas duas. Não é um atacante de elite, mas oferece presença de área, algo que o United não tem — mesmo depois de gastar 184 milhões de libras (R$ 1,3 milhões) em três centroavantes desde 2023.

  • Nottingham Forest v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    Jogue os alas nas alas corretas

    Os alas são fundamentais no 3-4-3, e Amorim tem tido dificuldades para tirar o melhor dos jogadores que escolheu para essa função. A única exceção é Amad Diallo, que segue sendo um dos poucos destaques do United no último ano — embora atuar como ala não seja exatamente o que mais favorece seu jogo.

    Mesmo assim, Amad tem mostrado boa qualidade ofensiva como ala invertido e formou uma parceria promissora com Bryan Mbeumo. O problema é que jogar mais recuado do que sua função natural de ponta-direita expõe suas limitações defensivas. Isso ficou claro contra o Nottingham Forest, além do fato de ele ter de marcar pelo lado direito, que não é o seu mais confortável.

    O mesmo vale para Diogo Dalot, mas por outros motivos. Destino natural pela direita, ele é frequentemente escalado como ala-esquerdo. Isso dificulta suas ações ofensivas: ele raramente consegue ir à linha de fundo e quase sempre precisa cortar para dentro, facilitando a marcação. Não à toa, Gary Neville criticou Amorim por colocá-lo nessa função contra o Everton, enquanto Jamie Carragher já havia dito: “Ele não dribla, não cria e não cruza bem nessa posição”.

    Glasner adotou o caminho mais simples: joga o destro Daniel Muñoz pela direita e o canhoto Tyrick Mitchell pela esquerda. Muñoz soma 17 participações em gols na Premier League desde que chegou em janeiro de 2024. Mitchell tem 11 desde 2023-24. E mais do que os números, os dois estão entre os jogadores que mais correm na liga, segundo a OPTA — essenciais para um time que contra-ataca rápido como o Palace.

  • Crystal Palace v Nottingham Forest - Premier LeagueGetty Images Sport

    Construa o time em torno de um maestro no meio-campo

    Fevereiro de 2024 foi decisivo para o Palace, não só pela chegada de Glasner. Adam Wharton também foi contratado por 22 milhões de libras (R$ 155,4 milhões) no último dia da janela. Depois de um período natural de adaptação, ele assumiu o controle do meio-campo e ajudou o time a vencer seis dos últimos sete jogos — incluindo um 4 a 0 sobre o United, que quase derrubou Erik ten Hag.

    Wharton perdeu parte da temporada passada por lesões e por uma cirurgia na virilha, mas apareceu nos momentos mais importantes: as partidas finais da FA Cup e a vitória sobre o Manchester City na decisão. Ele também foi a base da série invicta de 19 jogos entre o fim da última temporada e o início desta.

    Discreto, mas extremamente eficiente, Wharton é o jogador que faz o Palace funcionar. Ele já estreou pela seleção inglesa e até admitiu recentemente que não se preocupa tanto com gols e assistências — prefere controlar o ritmo e organizar o jogo.

    É exatamente esse tipo de jogador que o United tem procurado há anos. Casemiro já não consegue sustentar o meio-campo com a mesma intensidade e tem alcance de passe limitado. E Bruno Fernandes, agora mais recuado, sofre com o estilo arriscado de jogo que funcionaria melhor como camisa 10. Wharton — ou alguém com o perfil dele — seria o organizador perfeito para reconstruir a equipe.

  • FBL-ENG-FACUP-CRYSTAL PALACE-MAN CITYAFP

    Passe confiança ao elenco

    Quando Amorim perde, ele costuma ser extremamente honesto. Às vezes, até demais. Declarações como “somos o pior time da história do United” ou atitudes explosivas — como quebrar uma televisão — podem render manchetes, mas não ajudam o ambiente interno. Muitas vezes, ele soa como alguém que não acredita no próprio projeto.

    Glasner é o oposto.

    Veja como ele reagiu após levar 5 a 2 do Manchester City, mesmo tendo aberto 2 a 0. Em vez de lamentar, disse: “Falei ao Pep que, se nos encontrarmos de novo, ele não pode repetir esse sistema, porque vamos encontrar uma solução”. Um mês depois, venceu o City na final da FA Cup.

    E não foi o único gigante derrubado. O Palace venceu o Liverpool três vezes na atual temporada e é uma das equipes mais difíceis de bater na Premier League — só o Arsenal perdeu menos partidas. Como Glasner explica: “Temos de respeitar os grandes, mas não demais. Se formos para o campo achando que é impossível, nunca vamos vencer”.

    Ele fez um elenco que costumava brigar contra o rebaixamento acreditar que pode muito mais — e mostrou que isso é verdade. Como disse Wharton ao The Athletic: “Ele sempre encontra uma solução para enfrentar qualquer grande time. Sempre”.

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