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Amorim sacking W+Ls.jpgGetty/GOAL

Quem vence e quem perde com a demissão de Ruben Amorim do Manchester United?

A reviravolta é impressionante, mas não chega a surpreender. Os resultados ao longo dos 14 meses de Amorim no cargo foram fracos, e a sequência de apenas três vitórias nos últimos 11 jogos do Campeonato Inglês aumentou drasticamente a pressão. Pontos importantes escaparam em partidas que pareciam ganhas contra Nottingham Forest, Tottenham, West Ham, Bournemouth e até o lanterna Wolves.

Ainda assim, Amorim talvez tivesse sobrevivido por mais algum tempo se não tivesse exposto publicamente sua insatisfação com a diretoria antes e depois do empate fora de casa contra o Leeds. O português deu a entender que havia resistência interna ao seu criticado esquema 3-4-3 e reclamou da falta de investimento para contratar jogadores capazes de fazer o sistema render. O desabafo terminou de forma contundente: “Em todos os departamentos, no scout, o diretor esportivo [Jason Wilcox] precisa fazer o trabalho dele, e eu faço o meu por 18 meses, depois seguimos em frente.”

Diante da sinalização de que não haveria reforços em janeiro, a frustração era compreensível, mas a forma como foi exposta acabou sendo um erro — especialmente porque Amorim não tinha prestígio. Apesar de ter melhorado o ambiente no vestiário, antes bastante tóxico, e de implementar um estilo de jogo mais fluido, ele também se afastou de valores históricos do clube, como priorizar jogadores da base, explorar a largura do campo e assumir riscos ofensivos.

Qualquer indício de evolução foi anulado por decisões táticas difíceis de explicar, sobretudo durante os jogos. Amorim deixa o clube com o pior aproveitamento de vitórias de um técnico do United na era Premier League: apenas 32%. Carismático e direto, ele exige padrões elevados, mas acabou sendo rígido demais e pouco versátil para triunfar no mais alto nível do futebol inglês.

Agora, com o elenco “livre”, o sentimento é de que só há espaço para melhorar. Alguns jogadores devem se beneficiar imediatamente da saída de Amorim, seja retomando vagas no time titular ou atuando em suas posições preferidas. Enquanto o clube busca um novo treinador, Darren Fletcher, técnico do sub-18, assume interinamente a equipe principal. Por outro lado, alguns atletas que eram claramente prestigiados pelo português podem enfrentar um futuro incerto.

A seguir, os principais vencedores e perdedores da decisão do United em demitir Ruben Amorim.

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  • FBL-ENG-PR-MAN UTD-BRIGHTONAFP

    VENCEDOR: Kobbie Mainoo

    Kobbie Mainoo dificilmente terá boas lembranças de 2025. O meia formado na base do United iniciou apenas oito jogos da Premier League, todos na segunda metade da temporada passada, e acabou ficando com um papel secundário sob o comando de Amorim, mesmo com a equipe sofrendo para encontrar regularidade.

    Com Casemiro e Bruno Fernandes formando a dupla preferida no meio-campo defensivo, Mainoo ficou restrito a aparições rápidas, geralmente nos 20 minutos finais. Isso limitou muito seu impacto e gerou revolta entre torcedores do United (inclusive seu irmão) e fãs da seleção inglesa que esperavam vê-lo em destaque antes da Copa do Mundo. Amorim, no entanto, ignorou a pressão externa.

    “Eu vejo os treinos. Se for o melhor para o time, eu coloco”, disse Amorim em dezembro. “Entendo o que vocês dizem. Vocês amam o Kobbie, ele é titular da Inglaterra. Mas isso não significa que eu precise colocá-lo quando acho que não devo.”

    Como consequência, Mainoo passou a ser fortemente ligado a um empréstimo em janeiro para o Napoli, onde seus ex-companheiros Scott McTominay e Rasmus Højlund vivem grande fase. Ainda assim, seria surpreendente vê-lo sair agora. Aos 20 anos, ele deve começar do zero com o próximo treinador, provavelmente em um esquema diferente do 3-4-3, o que deve recolocá-lo rapidamente em ação assim que se recuperar de uma lesão na panturrilha.

    É lamentável que sua evolução tenha estagnado, dado o enorme talento que possui, mas tudo indica que a reação será rápida. Mainoo sobreviveu à saída de Amorim e terá muito a provar.

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  • Manchester United v West Ham United - Premier LeagueGetty Images Sport

    PERDEDOR: Mason Mount

    Mason Mount foi um dos poucos jogadores que realmente evoluíram sob o comando de Amorim, depois de um início complicado no United marcado por lesões. O ex-Chelsea recuperou a forma física no fim da última temporada e já soma 16 partidas em 2025/26, com quatro participações diretas em gols. Sua melhor atuação foi na goleada por 4 a 1 sobre o Wolves, em 8 de dezembro.

    Mount marcou o terceiro gol e foi eleito o melhor em campo, recebendo muitos elogios de Amorim:

    “Ele defende, ataca, tem muita qualidade quando toca na bola. É um líder nato. Não importa a situação, ele é sempre o mesmo — nos treinos, na convivência. Isso não é fácil.”

    O português sempre defendeu que Mount era ideal para seu sistema, com dois meias ofensivos atrás do atacante. Mas em um modelo mais aberto, com pontas tradicionais, como os recém-contratados Matheus Cunha e Bryan Mbeumo, o inglês pode voltar à estaca zero.

    Ele até pode atuar mais recuado no meio-campo, mas essa não é sua melhor função, e há planos para reforçar o setor na próxima temporada. Como peça de elenco, Mount ainda é útil, mas parece difícil imaginar que volte a atingir no United o nível que teve no Chelsea.

  • Manchester United v Bournemouth - Premier LeagueGetty Images Sport

    VENCEDOR: Bruno Fernandes

    Bruno Fernandes segue sendo o melhor jogador do United na temporada, como já havia sido nas seis anteriores. O mais impressionante é que faz isso atuando fora de posição.

    Para encaixar Cunha e Mbeumo, Amorim recuou Fernandes para a função de volante. Mesmo assim, ele soma 12 gols e assistências em 17 jogos da Premier League, liderando o time nesse quesito. Atuando à frente da defesa, o português tem o terceiro maior índice de assistências esperadas (xA) da liga e lidera em passes decisivos com 51, 15 a mais que os segundos colocados, Phil Foden e Bukayo Saka.

    Ele também figura entre os dez melhores em recuperações de bola, mostrando enorme dedicação defensiva. O esforço quase sobre-humano ajuda a explicar a rara lesão muscular que o tirou dos últimos jogos.

    Ainda assim, fazia pouco sentido sobrecarregar o principal criador do time. Bruno é, e sempre foi, um camisa 10 nato, mais perigoso quando está perto do gol. É nessa função que deve voltar a atuar na era pós-Amorim, para o bem do United.

  • Manchester United v Burnley - Premier LeagueGetty Images Sport

    PERDEDOR: Amad Diallo

    Amorim também adaptou Amad Diallo a uma nova função, como ala-direito. E, assim como Bruno, ele respondeu bem. O marfinense participou de cinco gols na Premier League e formou ótima parceria com Mbeumo, alternando posições constantemente.

    O problema é que suas limitações físicas ficaram evidentes na fase defensiva. Amad muitas vezes ficava avançado demais quando o time perdia a bola, e o United sofreu vários gols pelo lado oposto, já que ele não tem força ou altura para disputar cruzamentos.

    Ao menos, ele jogava. Isso pode mudar com a provável mudança de esquema tático. Um retorno ao 4-2-3-1 parece provável, com Benjamin Sesko, Fernandes, Cunha e Mbeumo formando o quarteto ofensivo do United, e Casemiro e Mainoo como dupla de volantes.

    Amad deve torcer para que a nova comissão técnica opte pelo esquema 4-3-3, o que poderia colocá-lo ainda atrás de Mbeumo. Mas, nesse caso, um meio-campo com três jogadores daria ao United mais equilíbrio, e conseguir mais jogos sem sofrer gols precisa ser uma prioridade.

    É uma situação injusta para um dos jogadores mais consistentes do elenco nas últimas temporadas, mas quando Amad voltar da Copa Africana de Nações, pode encontrar seu lugar… no banco.

  • Dan Ashworth England Man Utd 2025Getty Images

    VENCEDOR: Dan Ashworth

    A diretoria liderada por Ratcliffe e pelo grupo INEOS merece críticas pela turbulenta passagem de Amorim. Ele foi a primeira grande aposta do novo comando, apesar de relatos de que Liverpool e West Ham recusaram Amorim devido a preocupações sobre como ele se adaptaria à Premier League. Dan Ashworth, ex-diretor esportivo, também tinha dúvidas quanto à escolha.

    Segundo o The Athletic, Ashworth sugeriu nomes como Eddie Howe, Marco Silva, Thomas Frank e Graham Potter. Ratcliffe, porém, buscava algo mais “dinâmico” e acabou apostando em Amorim, mesmo diante das dúvidas sobre a viabilidade do 3-4-3 no contexto financeiro e esportivo do clube.

    Ashworth acabou deixando o United poucos meses depois. Com o fracasso de Amorim, suas preocupações se mostraram justificadas.

  • FBL-ENG-PR-MAN UTD-CHELSEAAFP

    PERDEDOR: Harry Maguire

    Caso o United adote definitivamente uma defesa com quatro jogadores, o futuro de Harry Maguire parece selado. Aos 32 anos, com histórico recente de lesões, ele enfrenta forte concorrência.

    Lisandro Martínez reassumiu seu lugar com naturalidade e deve formar a dupla titular com um dos dois jovens promissores, Ayden Heaven ou Leny Yoro, já que Matthijis de Ligt está se recuperando de uma lesão nas costas. Mas quando todos estiverem em forma, De Ligt deverá formar dupla com Martínez.

    O holandês, que completou 26 anos em agosto, parece estar entrando no auge de sua carreira e deve ser um titular absoluto em Old Trafford nos próximos anos, desde que consiga evitar mais lesões.

    Isso não se pode dizer de Maguire que, apesar de ter se reinventado e conquistado parte da torcida com gols decisivos, o ex-jogador do Leicester City não tem mais a vitalidade necessária para ser titular no United. O ciclo de Maguire em Manchester parece próximo do fim, não por falta de qualidade, mas porque o tempo simplesmente passou.

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