+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais
Esta página tem links afiliados. Quando você compra um serviço ou um produto por meio desses links, nós podemos ganhar uma comissão.
Inter Miami GFXGOAL

Por que a conquista da MLS pode ser só o começo para o Inter Miami de Lionel Messi

Noah Allen precisou se sentar por alguns minutos enquanto a festa tomava conta do gramado. Ao seu redor, o Inter Miami celebrava a primeira conquista da MLS Cup de sua história, saboreando cada instante do feito inédito. Peça fundamental na campanha do título e presente em todos os minutos dos playoffs, o defensor sentiu o peso físico da decisão e precisou de um breve respiro antes de se juntar às comemorações.

“Vencemos, comemoramos um pouco, e eu só me lembro de ter sentado por uns cinco minutos. Minhas pernas estavam exaustas”, contou Allen em entrevista à GOAL.

A imagem da cãibra, no entanto, não foi a marca do triunfo do Miami. Essa ficou para Lionel Messi celebrando diante da torcida ou para David Beckham no gramado após o apito final. Ainda assim, a conquista vai muito além das estrelas. Embora seja o time de Messi — responsável pelos gols, assistências e manchetes —, o título foi construído também por jogadores que executam o trabalho menos visível: defender, correr, pressionar, bloquear finalizações.

São essas engrenagens, e não apenas o brilho do dono de oito Bolas de Ouro, que transformam um grande time da MLS em um campeão. Allen, lateral esquerdo adaptado à zaga, simboliza esse papel essencial dentro do elenco. Foi esse grupo de apoio que conduziu o Inter Miami ao topo.

Agora, porém, o patamar subiu ainda mais. Após o título da MLS Cup, o clube passou por uma reformulação ambiciosa. As saídas de nomes importantes como Jordi Alba e Sergio Busquets abriram espaço financeiro para novos investimentos, que resultaram em uma série de contratações de peso e movimentos estratégicos no mercado. O melhor time da liga ficou ainda mais forte e, no papel, se apresenta como um adversário difícil de ser batido.

“Com o elenco que estamos montando, o padrão agora é conquistar troféus. Não pensamos apenas na MLS Cup, mas em vários títulos. Queremos não só competir, mas vencer”, afirmou o recém-contratado Dayne St. Clair à GOAL.

📱Veja a GOAL direto no WhatsApp, de graça! 🟢
  • Inter Miami CF v Vancouver Whitecaps FC - Audi 2025 MLS Cup FinalGetty Images Sport

    Construindo a partir de uma posição de força

    Claro que houve baixas relevantes. Jordi Alba e Sergio Busquets deixaram o clube após duas temporadas e meia no sul da Flórida. Enquanto Busquets já se aproximava do fim da carreira, Alba ainda tinha lenha para queimar. O Inter Miami, porém, agiu rapidamente no mercado para suprir as ausências. Sergio Reguilón, um rodado lateral europeu, acertou com o clube antes do encerramento da temporada e chega como reposição direta para a vaga deixada por Alba. A saída de Busquets tende a ser mais complexa, mas pode ser absorvida com Yannick Bright ganhando espaço no meio-campo e com a chegada de Rodrigo De Paul.

    “Dois jogadores fizeram história neste clube e o transformaram completamente ao lado do Leo. Eles fazem parte de uma história ainda curta, mas foi para isso que vieram: mudar o rumo do Inter Miami”, afirmou Javier Mascherano após a conquista da MLS Cup.

    E as contratações não pararam por aí. A lista é extensa e ambiciosa. Além de Reguilón, o clube acertou com o goleiro Dayne St. Clair, o zagueiro Micael, o lateral direito Facundo Mura e o volante David Ayala, além de estar próximo de anunciar o atacante Germán Berterame, destaque recente da Liga MX. No balanço geral, o elenco saiu fortalecido — exatamente como prometeu o coproprietário Jorge Más, que nunca escondeu a intenção de investir pesado.

    “A melhor versão do Inter Miami ainda está por vir. Não podemos e não vamos ficar estáticos. Prometemos aos nossos torcedores e à La Familia que nos reforçaríamos em 2026, porque nosso principal objetivo é conquistar a Concachampions e garantir vaga no Mundial de Clubes da FIFA”, declarou Más em suas redes sociais.

    O que poucos poderiam imaginar era o quão agressivo seria esse movimento.

  • Publicidade
  • San Diego FC v Minnesota United - 2025 MLS Cup Playoffs: Conference SemifinalGetty Images Sport

    Contratação do melhor goleiro da MLS

    St. Clair afirmou que pretendia ouvir propostas assim que se tornasse agente livre. Com o contrato encerrado no Minnesota United, o então goleiro do ano da MLS tinha diversas opções sobre a mesa. Até que o Inter Miami entrou em cena.

    “Quando eles começaram a falar sobre o projeto, sobre a direção que o clube estava tomando e como me enxergavam dentro disso tudo, senti imediatamente que era a melhor decisão para mim”, contou o goleiro.

    Os atrativos eram muitos. O primeiro deles era uma necessidade clara no gol. Rocco Ríos Novo, jovem que deu conta do recado nos playoffs, poderia ser superado tecnicamente. Além disso, o patamar das partidas seria outro. Em Miami, St. Clair passaria a disputar jogos de maior visibilidade, contra adversários mais fortes, sob atenção constante. Era exatamente o que ele buscava: minutos, desafios e mais holofotes semana após semana.

    “Estar em um time que disputa competições como a Concacaf Champions Cup, em um estádio totalmente novo como o Miami Freedom Park, cercado por alguns dos melhores jogadores do mundo… tudo isso fez sentido para mim. Era um novo desafio”, acrescentou.

    A decisão, porém, não foi simples. Deixar Minnesota teve peso emocional. St. Clair estava no clube desde 2019 e havia sido titular de forma consistente por quatro temporadas. Antes de acertar com o Miami, ele também conversou com o técnico da seleção canadense, Jesse Marsch. O treinador garantiu apoio total à escolha e destacou que atuar em jogos de maior repercussão poderia ser determinante na disputa pela titularidade do Canadá — os Les Rouges — visando a Copa do Mundo de 2026.

  • Mexico v Ecuador - International FriendlyGetty Images Sport

    Preenchendo outras lacunas

    Mas não era apenas a posição de goleiro que exigia atenção. A defesa do Inter Miami foi motivo de preocupação ao longo dos últimos dois anos. Os Herons sempre encontraram o caminho do gol — vantagem natural de ter Lionel Messi no elenco. A consistência defensiva, porém, nem sempre acompanhou esse poder ofensivo. Nos playoffs, a virada de chave veio justamente atrás: a equipe sofreu apenas cinco gols em seis partidas no caminho até o título.

    Maxi Falcón, zagueiro central frequentemente criticado pela irregularidade, ganhou estabilidade no momento decisivo. Ao seu lado, Noah Allen, lateral esquerdo de origem, se adaptou com naturalidade à função de zagueiro.

    “Eu me sinto mais como um lateral-esquerdo, mas nunca vou reclamar. Sempre faço o que o treinador pede. Se for para jogar como zagueiro, eu jogo como zagueiro”, afirmou Allen.

    A chegada de Sergio Reguilón foi vista internamente como um movimento cirúrgico. Livre no mercado desde maio de 2025, o lateral esquerdo espanhol ainda oferece alto nível técnico e, aos 29 anos, chega em condições financeiras viáveis. O brasileiro Micael, ex-Houston Dynamo e com passagem pelo Palmeiras, amplia as opções na zaga e eleva a competitividade interna. Já David Ayala, presença constante no Portland Timbers na última temporada e ex-integrante das seleções de base da Argentina, reforça a rotação no meio-campo, especialmente como volante. Pela direita, Facundo Mura traz experiência continental e capacidade criativa após se firmar como peça importante no Racing Club.

    Há, ainda, uma possível contratação de impacto. Germán Berterame já esteve próximo da MLS anteriormente e chegou a ter a cláusula de liberação, avaliada em US$ 15 milhões (cerca de R$ 75 milhões), paga por dois clubes no ano passado — propostas que acabaram recusadas. Desta vez, porém, o cenário é diferente. O atacante mexicano, autor de 68 gols pelo Monterrey, está perto de acertar com o Inter Miami e pode solucionar outra carência clara do elenco, que conta hoje com apenas um camisa 9 de ofício: o veterano Luis Suárez.

  • Noah Allen Inter MiamiGetty

    Competição por vagas

    Claro que nem tudo é isento de riscos. O Inter Miami ganhou profundidade, mas também elevou consideravelmente o nível de qualidade do elenco. Alguns nomes que foram pilares recentes — como Noah Allen, Tadeo Allende e Marco Silvetti — agora terão de disputar espaço. A equipe encontrou equilíbrio na pós-temporada com um onze inicial bastante estável, e uma enxurrada de reforços sempre traz o risco de afetar a química de um time vencedor.

    Allen, que vê sua condição de titular ameaçada, encara o cenário como um estímulo.

    “A competição tira o melhor de todo mundo. Competição para ganhar títulos. Eu só quero abraçar isso. Fico feliz com a chegada de novos jogadores, estou animado para trabalhar com eles, para conviver no vestiário e fora de campo também. Para mim, isso só traz coisas boas, especialmente com tanta gente nova chegando”, afirmou.

    Natural do sul da Flórida, o defensor destacou que a postura diária independe do status dentro da equipe.

    “Se eu estiver no banco ou em campo, isso não muda nada para mim. Vou trabalhar duro, treinar forte e ajudar meu time e o treinador no que for preciso”, completou.

    Além disso, o calendário volta a ser um desafio. A última temporada foi especialmente desgastante para o elenco do Miami, que disputou 58 partidas em todas as competições, um recorde para o clube. Mesmo sem a disputa do Mundial de Clubes, a tendência é que os Herons enfrentem novamente uma carga elevada de jogos em 2026, impulsionados pela presença em múltiplos torneios de mata-mata.

  • Inter Miami CF v Vancouver Whitecaps FC - Audi 2025 MLS Cup FinalGetty Images Sport

    'Faz muito tempo que um time não repete'

    Antes da temporada de 2025, Javier Mascherano deixou claro que a ambição do Inter Miami era disputar todos os títulos possíveis, independentemente dos obstáculos. Apesar da conquista da MLS Cup, o clube não conseguiu cumprir integralmente esse objetivo, sendo eliminado em três competições nas quais, pelo peso do elenco, era apontado como um dos favoritos. Isso não transforma a campanha em um fracasso, mas evidencia que houve lacunas ao longo do caminho.

    Talvez esteja aí o principal combustível para a reformulação. O Miami perdeu dois nomes importantes e viu um terceiro perder rendimento, mas precisava ir além da simples manutenção do elenco: era necessário evoluir. Nenhum clube da MLS defende o título desde o bicampeonato do LA Galaxy, em 2012 e 2013, e a expectativa é que os Herons tentem quebrar esse jejum. Além disso, o clube entra em 2026 como candidato em outras frentes, como a Concacaf Champions Cup e a Leagues Cup, sem descartar a briga pelo Supporters’ Shield. Hoje, o Inter Miami é o time a ser batido.

    “Faz muito tempo desde que alguém conseguiu repetir o título, mas a nossa expectativa é vencer tudo o que disputarmos”, afirmou St. Clair.

    Para isso, será necessário fôlego, qualidade e regularidade. O desafio passa pela manutenção do nível de Lionel Messi, pelo gerenciamento cuidadoso de minutos em um calendário apertado e pelas decisões de um treinador ainda em início de trajetória. A presença de uma Copa do Mundo no meio da temporada apenas eleva o grau de dificuldade. Nunca foi tão complexo defender um título da MLS.

    Se tudo correr como o planejado, Noah Allen pode novamente precisar de alguns minutos para recuperar o fôlego ao final de 2026. Desta vez, porém, com a sensação de que o Inter Miami fez tudo o que estava ao seu alcance para repetir o cenário: ele sentado, exausto, enquanto as comemorações do título acontecem ao redor.

    “Sinto que temos o padrão mais alto da liga como equipe, e precisamos corresponder a esse nível”, concluiu Allen.

0