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What is really going on with Man Utd stadium gfxGetty/GOAL

A verdade sobre os planos de Sir Jim Ratcliffe construir um novo estádio para o Manchester United

Essa jornada, porém, tem sido lenta e cheia de obstáculos. O projeto já corre contra o tempo para cumprir o prazo de cinco anos prometido por Foster e Ratcliffe. O clube ainda não é dono de todos os terrenos onde quer construir, o custo da área ficou bem acima do esperado e, até agora, não há aprovação para o projeto — nem mesmo um arquiteto confirmado.

O novo estádio também pode acabar sendo menos grandioso do que o planejado. A grande cobertura que envolveria toda a estrutura — o principal destaque da proposta — corre o risco de ser deixada de lado.

A seguir, a GOAL mostra os principais desafios que o Manchester United enfrenta para tirar do papel o sonho de construir o chamado “Wembley do Norte”.

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  • Manchester United v Fulham - Emirates FA Cup Fifth RoundGetty Images Sport

    Disputa de 350 milhões de libras por terreno

    O principal obstáculo para o Manchester United tirar do papel o novo estádio é uma disputa milionária com a Freightliner, empresa de transporte que controla o terminal ferroviário localizado na área planejada para a construção. Segundo o The Guardian, a Freightliner “colocou o United em uma posição complicada” ao exigir 400 milhões de libras (R$ 2,8 bilhões) por um terreno que Jim Ratcliffe avalia em cerca de 40 milhões a 50 milhões de libras (R$ 285 a 357 milhões).

    O ex-presidente do Crystal Palace, Simon Jordan, comentou o impasse: “Quem detém o terreno está usando isso como moeda de resgate”.

    A Freightliner até estaria disposta a se mudar para a vizinha St Helens, mas apenas pelo preço certo — e, enquanto ninguém cede, o projeto segue parado. Ratcliffe, conhecido por seu estilo econômico e pelas medidas de corte dentro do clube, dificilmente pagará dez vezes mais do que considera justo pelo terreno.

    Ainda assim, ele tem um aliado importante: o prefeito de Manchester, Andy Burnham, que afirmou que pode acionar uma ordem de compra compulsória — medida que permitiria ao governo adquirir o terreno por menos de 50 milhões libras. Isso, porém, atrasaria ainda mais o projeto, já que o processo pode levar meses ou até anos. O cenário mais provável é um acordo intermediário, que destravaria as negociações e permitiria o início das obras.

    O clube também tenta manter uma boa relação com empresas locais, como a Freightliner, argumentando que o projeto trará benefícios econômicos e sociais significativos para a região.

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  • New Manchester United stadiumMan Utd

    Cobertura "icônica" corre risco

    De acordo com o clube, o novo estádio e o projeto urbano ao redor poderiam gerar até 92 mil empregos, 17 mil novas moradias e atrair 1,8 milhão de visitantes por ano, movimentando cerca de 7,3 bilhões de libras (R$ 52 bilhões) por ano na economia britânica.

    Mas o aumento dos custos com o terreno fez o United reconsiderar alguns detalhes do projeto. Segundo o The Athletic, o clube chegou a elaborar uma versão sem a grande cobertura (ou “toldo”) que marcava o design original — justamente a parte mais simbólica do projeto. A estrutura custaria cerca de 350 milhões de libras (R$ 2,5 bilhões), praticamente o mesmo valor pedido pela Freightliner pelo terreno.

    Embora o visual tenha sido comparado a uma “tenda de circo” por rivais, o toldo era parte essencial da identidade do estádio — algo grandioso, visível até de cidades próximas como Liverpool e o Peak District.

    Ratcliffe contou que pediu ao arquiteto Norman Foster para criar “o estádio de futebol mais icônico do mundo”:

    “Queríamos algo que, ao ver de qualquer lugar do planeta, as pessoas reconhecessem como o estádio do Manchester United. É mais do que um novo campo — é um símbolo. Todo mundo conhece a Torre Eiffel. Queremos que esse estádio desperte o mesmo desejo de visita.”

    Ele concluiu:

    “O design é nota 10. Realmente especial.”

  • FBL-ENG-PR-MAN CITY-MAN UTDAFP

    Clube quer manter design "único"

    O arquiteto Norman Foster, responsável pelo projeto, descreveu o novo estádio como “um dos mais empolgantes do mundo”. Segundo ele, a grande marquise (ou cobertura) seria “um enorme guarda-chuva que capta energia solar e água da chuva, cobrindo uma praça duas vezes maior que a Trafalgar Square”.

    Além do impacto visual, o design teria forte simbolismo: os três espigões da cobertura representariam o tridente do diabo, presente no escudo do Manchester United. A estrutura também teria benefícios práticos, como proteger os torcedores da famosa chuva de Manchester e incentivar o movimento comercial nos arredores do estádio.

    “Nunca vi um design como esse”, disse Omar Berrada, CEO do United. “É realmente único. É icônico. Não há nada parecido em beleza e impacto.”

    Apesar das críticas — alguns torcedores rivais compararam a marquise a uma “tenda de circo” —, ela é vista como o elemento que tornaria o estádio verdadeiramente especial. Sem ela, o projeto se tornaria mais comum e perderia parte do seu apelo internacional.

    Mesmo com um plano alternativo sem a marquise, o clube ainda pretende seguir com a versão original, desde que consiga adquirir o terreno por um valor razoável.

  • Avram Glazer and Sir Jim Ratcliffe of Man UtdGetty Images/GOAL

    O desafio do financiamento

    Além da disputa pelo terreno, o United também enfrenta incertezas financeiras sobre como bancar o novo estádio, estimado em 2 bilhões (R$ 14,3 bilhões) — o dobro do custo do Tottenham Hotspur Stadium, atualmente o mais caro do Reino Unido.

    Muitos observaram a contradição no discurso de Jim Ratcliffe, que anunciou o projeto milionário apenas um dia depois de afirmar que o clube estava perto de ficar sem dinheiro e precisava cortar custos.

    “Na Ineos, operamos de forma enxuta. Como minha mãe dizia, cuide dos centavos e as libras cuidarão de si mesmas. Se começarmos a oferecer regalias, passagens de trem em primeira classe e táxis gratuitos, isso acaba mal”, declarou o bilionário.

    Ratcliffe nunca explicou como pretende financiar o estádio, e Berrada evitou dar detalhes, dizendo apenas:

    “Estamos analisando todas as opções. É uma oportunidade de investimento muito atrativa, e acreditamos que encontraremos meios de viabilizá-la.”

  • Manchester United v Chelsea - Premier LeagueGetty Images Sport

    Uma oportunidade para investidores

    A opção mais óbvia seria o financiamento bancário, modelo usado pelo Tottenham. Mas o United vive uma realidade bem diferente: enquanto os Spurs quase não tinham dívidas antes da construção de seu estádio, o clube de Manchester carrega uma dívida total de 1,1 bilhão de libras (R$ 7,85 bilhões), sendo 637 milhões de libras (R$ 4,5 bilhões) apenas de dívida bruta — o maior valor da Premier League.

    Assumir novos empréstimos poderia elevar ainda mais as taxas de juros e agravar a situação financeira. Ainda assim, o United tem poder de atração no mercado: fundos de investimento, bancos e empresas de private equity enxergam o projeto como altamente rentável.

    Um estádio moderno, para 100 mil torcedores, lotado a cada jogo e com forte apelo turístico, seria um ativo valioso e lucrativo a longo prazo — o que mantém vivo o sonho de Ratcliffe e Foster de construir o “estádio mais icônico do mundo”.

  • Manchester United v Sunderland - Premier LeagueGetty Images Sport

    Determinado a seguir em frente

    Antes de buscar investidores e discutir o financiamento, o Manchester United precisa deixar o projeto o mais viável possível. Embora o dinheiro inicial venha de fundos de investimento, são os torcedores que, na prática, bancarão o novo estádio — por meio da venda de carnês de temporada, ingressos e do consumo em dias de jogo.

    O clube também estuda uma proposta polêmica: a criação de licenças de ingressos de temporada, modelo usado em alguns estádios dos Estados Unidos para arrecadar recursos. A GOAL apurou que essa ideia, junto com temas como preços e formas de pagamento, será debatida em uma pesquisa que será enviada aos torcedores em breve.

    Essa pesquisa será essencial para provar que o United tem condições de tirar do papel um projeto tão ambicioso, apesar das dúvidas que ainda cercam a construção. O clube insiste que o estádio pode receber até 100 mil torcedores, o que o colocaria como o segundo maior da Europa — bem acima da capacidade de qualquer arena da NFL. Para Sir Jim Ratcliffe, essa marca é simbólica, e o United acredita que conseguiria lotar o estádio com ingressos a preços justos e acessíveis.

    Mesmo com o projeto ainda em fase inicial e avançando mais devagar do que o esperado, o clube mantém o foco. Assim como o técnico Ruben Amorim, conhecido por não abrir mão de suas convicções, o United segue determinado a não mudar de direção.