Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt

Esta página tem links afiliados. Quando você compra um serviço ou um produto por meio desses links, nós podemos ganhar uma comissão.

+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento
Manchester United v Manchester City - Premier League 2026/27Getty Images Sport

Traduzido por

O punho firme de Maresca e a liberdade de Carrick: dois segredos contraditórios que comandam o dérbi de Manchester

Os objetivos podem ser parecidos, as distâncias podem ser próximas e o desejo de recuperar o topo pode ser o mesmo, mas o caminho para o sucesso nem sempre é único. E é exatamente isso que se impõe antes do confronto entre City e United no aguardado dérbi de Manchester, onde a disputa não gira apenas em torno do que acontecerá dentro de campo, mas também da filosofia que cada equipe levará ao gramado.

A distância entre as sedes dos dois clubes não passa de cinco milhas, e ambos compartilham a ambição comum de voltar a brigar pela liderança da Premier League, mas a semelhança praticamente termina aí. No plano tático, as duas equipes seguem direções diferentes: o Manchester City se apoia numa estrutura rígida baseada no posicionamento preciso e na disciplina nas movimentações, enquanto o Manchester United, comandado por Michael Carrick, dá aos seus jogadores mais liberdade para tomar decisões e se movimentar conforme o desenrolar da partida.

Com frequência, as melhores equipes do mundo tendem a adotar ideias parecidas, sobretudo quando o assunto é posse de bola, controle e troca de posições. Isso ficou evidente na final da Liga dos Campeões da Europa na temporada passada, entre Paris Saint-Germain e Arsenal, na qual as duas equipes se apoiaram em princípios táticos semelhantes, baseados no controle da bola e na troca de posições, mantendo a estrutura básica do time.

Mas o dérbi de Manchester apresenta um modelo diferente: Maresca quer que cada jogador permaneça no lugar que serve ao sistema, enquanto Carrick prefere dar aos seus jogadores mais liberdade para se movimentar e tomar decisões.

  • Pep Guardiola and Enzo MarescaImago-Images

    Controle contra liberdade: duas filosofias em um só campo

    Maresca é claramente influenciado pela escola à qual pertence seu antigo mentor Pep Guardiola, e por isso não é estranho que o controle de bola e a redução da imprevisibilidade sejam alguns dos pilares mais importantes que sustentam seu estilo.

    O treinador italiano sempre comparou o futebol ao xadrez, no qual cada peça se move de acordo com sua posição e sua relação com as demais peças. Daí vem a adesão ao conceito de "jogo posicional", que confere a cada jogador uma função e uma posição claras durante as diferentes fases do jogo.

    A ideia fundamental de Maresca consiste em reduzir o espaço de incerteza. Quanto maior o conhecimento que os jogadores têm das posições de seus companheiros e de seus movimentos previstos, mais rápida se torna a tomada de decisão, e mais estável se torna o sistema.

    Por outro lado, o estilo de Carrick não é isento de princípios de posicionamento, mas não lhes confere a mesma importância que ocupam na filosofia de Maresca. O treinador inglês prefere conceder a alguns de seus jogadores a liberdade de ler a partida, em vez de sempre obrigá-los a posições e movimentos definidos previamente.

    Isso fica claro na maneira como ele lida com o jovem meio-campista Kobbie Mainoo, já que Carrick fez questão de não sobrecarregá-lo com uma enorme quantidade de instruções, limitando-se a oferecer algumas orientações simples relacionadas ao posicionamento, ao mesmo tempo em que lhe deu confiança para tomar suas próprias decisões.

    E aqui aparece a diferença essencial: Maresca quer que o jogador saiba onde deve estar antes de a bola chegar até ele, enquanto Carrick quer que ele compreenda a situação e depois decida para onde deve se movimentar.


  • Publicidade
  • Michael Carrick Man Utd GFXGetty/GOAL

    Como Carrick constrói o sistema do United?

    Apesar do caráter flexível que distingue o Manchester United, a equipe não joga de forma aleatória, mas se apoia em um conjunto de regras que dão a essa liberdade um enquadramento claro.

    Os dois zagueiros centrais mantêm suas posições de maneira fixa durante o processo de construção de jogo, enquanto o volante mais recuado assume a responsabilidade de ajudar a fazer a bola sair de trás. E pode fazê-lo movendo-se para o lado do outro meio-campista ou recuando à linha defensiva para formar um trio defensivo provisório ao lado dos dois zagueiros centrais.

    No segundo caso, o outro meio-campista permanece no meio de campo, o que dá ao United uma opção adicional de passe em profundidade.

    Já os laterais começam de suas posições naturais nas pontas durante a construção de jogo, mas avançam posteriormente conforme a posição do ponta. Em alguns casos, um deles permanece na linha lateral para ampliar o campo, enquanto o outro se movimenta para um espaço mais interno.

    E no terço ofensivo, o camisa 10 e o atacante às vezes recuam, formando juntos uma dupla ofensiva flexível, capaz de trocar de posições e criar problemas constantes para a defesa adversária.

    Essas movimentações não surgem do nada, mas atendem a um conjunto de objetivos táticos. Quando o volante recua para formar uma linha defensiva de três jogadores, o United consegue criar superioridade numérica diante das equipes que pressionam com dois atacantes. Isso dá ao time opções adicionais para sair da pressão em vez de depender das bolas longas.

    E quando o United enfrenta uma equipe que defende de forma fechada, os laterais se tornam uma arma importante para ampliar o campo. A presença de jogadores nas pontas obriga o adversário a tomar uma decisão difícil: continuar posicionado no interior ou sair para marcar o lateral?

    E se o adversário optar por se deslocar para as pontas, surgem os espaços no meio de campo diante dos jogadores do United.

    O paradoxo é que os comandados de Carrick não evitam jogar por dentro mesmo quando a área está congestionada. Pelo contrário, esse congestionamento pode ser parte do plano, porque aglomerar o adversário em torno da bola cria espaços maiores nas pontas, além de permitir que o United se prepare melhor para recuperar a bola assim que a perde.

    Assim, a flexibilidade ofensiva também está ligada à ideia da pressão pós-perda; quanto maior o número de jogadores do United próximos da bola no momento em que ela é perdida, maiores as chances de recuperá-la rapidamente.


  • Enzo Maresca Chelsea GFXGOAL

    Carrick concede liberdade aos seus jogadores, e Maresca impõe limites

    A filosofia de Carrick fica mais evidente quando se trata de jogadores capazes de fazer a diferença a partir de mais de uma posição. Se Bruno Fernandes ou Cunha entenderem que a melhor decisão é se aproximar da bola e se deslocar para a ponta em vez de permanecer no meio, eles têm a liberdade de fazê-lo.

    E é aqui que os defensores do adversário enfrentam um verdadeiro dilema. Se deixarem o jogador se movimentar livremente, o United consegue criar superioridade numérica perto da bola e sair da pressão. E se os defensores decidirem acompanhá-lo, essa movimentação abre espaço em outras zonas que outro jogador pode aproveitar.

    Assim, o United se torna um time difícil de prever, porque a decisão final nem sempre está predeterminada, mas depende da leitura que os jogadores fazem da situação, conforme informou a "BBC Sport".

    Maresca, por sua vez, enxerga a liberdade de um ângulo completamente diferente. O técnico afirmou em declarações anteriores que a liberdade, para ele, não significa a capacidade de o jogador se movimentar por todos os lugares, porque isso se transforma em caos, e sim que o jogador seja capaz de fazer o que considera adequado na posição em que recebe a bola. E isso resume a filosofia do City.


  • GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

    Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

    Siga a GOAL no Google
  • Michael Carrick Man Utd 2:1Getty/GOAL

    A ordem em primeiro lugar VS liberdade com regras, não caos

    Com a posse de bola, os jogadores do Manchester City ocupam zonas específicas de acordo com o esquema tático adotado pela equipe, seja a construção no formato 3-2-5 ou 3-1-3-3.

    Essas movimentações podem parecer previsíveis para o adversário, mas isso não significa que sejam fáceis de conter. O jogador sabe a posição do companheiro, conhece o espaço para o qual deve se deslocar e também sabe quais opções surgirão diante dele após o próximo passo.

    Esses detalhes tornam o sistema interligado, de modo que o jogador não precisa, a cada vez, criar uma nova solução do zero.

    Maresca apontou, após o confronto com o Coventry, que o pouco tempo que Iliman Ndiaye teve para treinar com a equipe fez com que, em alguns momentos, ele se movimentasse de forma equivocada ou ocupasse uma posição incorreta.

    Esse episódio revela a importância dos detalhes em um sistema que depende do posicionamento. Mas esse estilo também tem uma grande vantagem: mesmo quando o adversário sabe o que vai acontecer, a rapidez de execução pode ser suficiente para frustrar as tentativas de contê-lo.

    Por outro lado, Carrick precisa encontrar uma maneira de dar liberdade aos seus jogadores sem que a equipe se transforme em um grupo de atletas que se movimentam sem conexão. Por isso, parece que o United se apoia em um conjunto de princípios comuns conhecidos por todos os jogadores.

    Entre os principais desses princípios está o agrupamento em torno da bola para atrair o adversário e, em seguida, a rápida busca pelo jogador que está no espaço vazio. A equipe também recorre à formação de triângulos em diferentes regiões do campo para escapar da pressão. Assim, quando um dos jogadores se prepara para receber a bola, seu companheiro começa a se movimentar para ser a próxima opção de passe.

    O importante aqui é que esses triângulos não surgem em lugares previamente definidos, mas se formam de acordo com a leitura que os jogadores fazem do momento. E é justamente esse o ponto que separa o United do City: as duas equipes possuem uma linguagem tática em comum, mas os jogadores de Carrick têm mais espaço para determinar onde e quando usar essa linguagem.

  • Manchester United v Manchester City - Premier LeagueGetty Images Sport

    Quem leva vantagem?

    Não existe uma receita única e perfeita para o futebol e, por isso, não se pode dizer que o estilo de Maresca é o certo e o de Carrick é o errado, ou vice-versa.

    A abordagem rígida confere à equipe estabilidade e rapidez na execução das ideias, além de permitir a aplicação do sistema mesmo com a mudança de alguns elementos da formação. Mas o excesso de apego às posições pode, às vezes, reduzir o espaço para a criatividade individual.

    Já a abordagem flexível concede aos jogadores criativos um espaço maior para influenciar, mas exige um alto grau de sintonia, confiança e entrosamento, coisas que não podem ser construídas da noite para o dia.

    Talvez Bruno Fernandes represente o melhor exemplo de como o United se beneficia dessa liberdade, depois que seu nível melhorou de forma nítida com a chegada de Carrick, antes de ser posteriormente coroado com o prêmio de jogador da temporada da Premier League.

    Em contrapartida, surgiram questionamentos sobre a melhor maneira de aproveitar o talento de Rayan Cherki no Manchester City, especialmente porque Guardiola preferia que o jogador permanecesse nas zonas entre as linhas e próximo de Erling Haaland, em vez de recuar demais para receber a bola.

    Maresca adotou a mesma ideia, explicando que há um plano para cada partida e que Cherki pode recuar em seu próprio campo para ajudar a controlar o ritmo do jogo, mas, quando a bola chega ao campo do adversário, ele deve estar no local que lhe permita criar perigo.

    No fim, o dérbi de Manchester apresenta um confronto entre duas escolas diferentes de pensamento tático. Uma escola que acredita que o sistema concede aos jogadores a verdadeira liberdade, e outra que enxerga que o jogador precisa de espaço para tomar decisões, de modo que a equipe se torne mais difícil de prever.

    E resta a pergunta mais importante: vence o sistema imposto por Maresca ou a liberdade na qual Carrick aposta?

    A resposta não estará na sala de reuniões ou na prancheta do treinador, mas sim sobre o gramado, quando os pequenos detalhes começarem a fazer a diferença.