+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais
Matheus CunhaGetty/GOAL

Matheus Cunha pode ser o novo Eric Cantona do Manchester United: gol contra o Arsenal indica que pode cumprir com previsão de CEO dos Red Devils

"Preciso marcar o gol da vitória", disse Matheus Cunha à BBC. "Então, quando a bola vem, todos os detalhes acontecem muito rápido e tudo o que quero fazer é finalizar a jogada muito bem." O fato de Cunha ter assumido a responsabilidade de marcar o gol da vitória apenas alguns minutos depois de Mikel Merino ter empatado a partida lembrou um jogador que costumava brilhar neste clássico e com quem ele já foi comparado em diversas ocasiões: Eric Cantona.

O CEO do United, Omar Berrada, chamou Cunha de "cantoniano" logo após sua transferência de 62,5 milhões de libras (R$ 448,4 milhões) do Wolves, e o gênio francês que mudou o rumo da história do clube na década de 1990 é mencionado sempre que o brasileiro produz algo mágico.

Para ser sincero, esses momentos foram muito raros no United, considerando seu preço e reputação, e às vezes a comparação parecia um exagero grosseiro, especialmente quando Cunha não conseguia inspirar os Red Devils enquanto Amad Diallo e Bryan Mbeumo estavam fora e Bruno Fernandes estava lesionado. De fato, ele começou as duas últimas partidas do United no banco de reservas, posição em que Cantona raramente era visto.

No entanto, seu lance espetacular provou que Cunha tem um fator X semelhante ao de Cantona e pode impulsionar o United de volta ao lugar onde quer chegar...

📱Veja a GOAL direto no WhatsApp, de graça! 🟢
  • Arsenal v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    'Os torcedores vão adorar'

    Matehus Cunha foi a primeira contratação do United na última janela de transferências e, embora Bryan Mbeumo e Benjamin Sesko tenham chegado mais tarde com suas próprias reputações e por valores mais altos, havia algo no brasileiro que agradava aos torcedores. E Berrada não hesitou em elogiar o novo reforço.

    "Ele é um jogador que eu acho que os torcedores vão adorar", disse o diretor executivo do United ao The Athletic. "Podemos falar sobre suas habilidades técnicas e ele pode jogar em três posições diferentes. Ele é um meia-atacante criativo; ele pode marcar gols, ele pode dar assistências. Acho que ele vai fazer a torcida vibrar. Ele tem um certo charme que as pessoas vão gostar muito. Ouso dizer, no estilo de (Eric) Cantona."

    Berrada não foi o primeiro a fazer a comparação. Antes do United concordar com a contratação do brasileiro, o ex-meio-campista inglês Chris Waddle disse: "Ele pode ser temperamental, mas talvez o United seja o lugar certo para ele. Ele tem uma grande oportunidade aqui. Se ele for um dos jogadores que vai reerguer o United e voltar a brigar pelo título, ele pode ser como Eric Cantona, o homem que mudou o United."

  • Publicidade
  • Aston Villa v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    'Arrogância que me lembra Cantona'

    O ex-capitão do United, Bryan Robson, que jogou com Cantona por duas temporadas, também disse: "Matheus Cunha tem muita personalidade. Ele tem presença. Ele é um pouco mais rápido que o Eric Cantona, mas o Eric tinha uma habilidade incrível com a bola e era um dos favoritos da torcida. Então, espero que o Cunha possa se tornar um novo Eric Cantona, porque isso será ótimo para o United."

    Cunha não havia marcado nem dado assistência até fazer um golaço contra o Brighton no final de outubro, mas antes disso seu impacto já era aclamado. O ex-jogador do Liverpool, Stephen Warnock, chamou Cunha de "excepcional" e disse que ele foi a melhor contratação do clube na temporada.

    "Ele tem uma arrogância que me lembra a de Eric Cantona – dá para ver que ele abraçou o fato de jogar pelo Manchester United. É quase como se, sempre que entra em campo com a camisa do United, ele estivesse mostrando às pessoas o motivo pelo qual o clube o contratou."

    Paul Ince, que também jogou com Cantona no United, acrescentou: "Cunha joga com uma atitude que demonstra que ele pertence a Old Trafford. Para ser um grande jogador do United como Cantona, é preciso ter uma mentalidade fantástica, e Cunha tem isso. Ele provou que consegue jogar sob o peso da camisa e a pressão do escudo semana após semana. Vimos muitos jogadores no passado recente que vieram e foram embora sucumbindo à pressão."

  • FBL-ENG-PR-MAN UTD-BOURNEMOUTHAFP

    'Pensando demais nos números'

    No entanto, Matheus Cunha mostrou sinais de estar sentindo à pressão durante a péssima sequência de três vitórias em 13 jogos do United, um resultado que contribuiu significativamente para a demissão de Ruben Amorim. Amorim chegou a sugerir que os holofotes estavam pesando muito sobre Cunha agora que ele estava no United. "Ele está em um clube diferente, com uma pressão diferente, mas acho que ele lida muito bem com isso. Ele estava com dificuldades porque não estava marcando gols e, por causa das visualizações nas redes sociais, estava pensando demais nos números..."

    Para ser justo, os números eram preocupantes. Ele havia marcado apenas um gol em 11 partidas em todas as competições e não havia dado nenhuma assistência. Os números melhoraram desde então, com o brasileiro marcando quatro gols e dando duas assistências em seus últimos 10 jogos. E ele apareceu justamente quando sua equipe mais precisava dele.

    Ele deu a assistência para o primeiro gol de Bruno Fernandes na vitória por 4 a 1 sobre o Wolves; marcou o que parecia ser o gol da vitória no empate em 4 a 4 contra o Bournemouth, mas os Cherries empataram; marcou contra o Aston Villa menos de dois minutos depois do golaço de Morgan Rogers na eventual derrota por 2 a 1; e fez o gol de empate contra o Leeds naquela que acabou sendo a última partida de Amorim.

  • Arsenal v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    Jogando por instinto

    A mudança de treinador impactou Matheus Cunha negativamente, em certo sentido, já que ele não foi titular em nenhum dos dois jogos do United sob o comando de Michael Carrick. Mas ele aproveitou bem as duas oportunidades que teve saindo do banco, dando a assistência para o gol decisivo de Patrick Dorgu contra o City (ele também deu a assistência para o gol de Mason Mount, que foi anulado por impedimento) e, em seguida, marcando o gol da vitória contra o Arsenal. E ele parece estar tirando proveito da mudança de clima no clube desde que Carrick substituiu Amorim.

    Há relatos de que os treinos de Carrick são muito mais agradáveis do que os de Amorim e que ele não sobrecarrega os jogadores com tanta informação como o português fazia. Segundo o The Sun, as longas e altamente táticas sessões de Amorim deixavam os jogadores "emocionalmente exaustos", e é fácil perceber como isso poderia afetar negativamente um jogador como Cunha, que rende mais quando joga por instinto.

    Foi exatamente isso que ele fez no Emirates Stadium, com um gol brilhante contra o Brighton que deu o tom para uma de suas melhores atuações na temporada. E era isso que Cantona costumava fazer. O francês marcou dois golaços da vitória contra o Arsenal de distâncias semelhantes à de Cunha no domingo, garantindo ao United vitórias por 1 a 0 sobre os Gunners em Old Trafford nas temporadas de 1993/94 e 1995/96.

  • Eric Cantona Manchester UnitedHulton Archive

    Cantona mudou o cenário do United

    Cantona é, sem dúvida, o jogador que mais transformou a sorte do United. Ele chegou no início da temporada de 1992/93, quando o United se aproximava de sua 26ª temporada sem conquistar um título do Campeonato Inglês e havia vencido apenas seis dos seus primeiros 16 jogos. Seus nove gols e 11 assistências nos seis meses seguintes inspiraram o time a encerrar essa longa espera por um título da liga.

    Os troféus conquistados pelo clube durante a passagem de Cantona pelo Old Trafford falam por si. Eles ganharam duas Copas da Inglaterra, mas o mais importante foi que conquistaram quatro dos cinco títulos do Campeonato Inglês, perdendo para o Blackburn Rovers na temporada de 1994/95, principalmente porque Cantona perdeu o segundo semestre da temporada devido a uma suspensão por ter dado uma voadora em um torcedor do Crystal Palace.

    A propensão de Cantona para atos de violência chocantes ocasionais — ele foi expulso quatro vezes pelo United, incluindo uma vez por pisar em John Muncur, do Swindon Town — é outro motivo pelo qual ele tem sido comparado a Matheus Cunha. O brasileiro foi expulso duas vezes na última temporada pelo Wolves e suspenso por um total de seis jogos por brigar com Milos Kerkez, do Bournemouth, e por se desentender com a equipe de segurança do Ipswich Town.

    Na temporada seguinte à saída de Cantona, que se aposentou em 1997 aos 30 anos por se sentir alienado pelas ambições comerciais do clube, o United perdeu novamente o título para o Arsenal. Logo preencheram a lacuna deixada por ele, conquistando a tríplice coroa em 1999 e dominando a primeira década do século 21, antes de perder força após a aposentadoria de Alex Ferguson em 2013. Ferguson frequentemente descreveu Cantona como sua melhor contratação e afirmou que sua chegada "mudou a paisagem do Manchester United".

  • Matheus CunhaGetty

    Trilhando seu próprio caminho

    Mas eis a questão sobre Cantona: ele nunca foi tão prolífico quanto Wayne Rooney, Cristiano Ronaldo, Ruud van Nistelrooy ou outros craques do United. Seus 82 gols em cinco anos o colocam em 23º lugar na lista de maiores artilheiros da história do clube, atrás de Bruno Fernandes, David Beckham e até mesmo Anthony Martial.

    Seu recorde de gols em uma temporada foi de 18, numa época em que Andy Cole e Alan Shearer marcaram 34 vezes em uma única campanha. Ele foi o artilheiro do United em apenas duas das suas cinco temporadas. Mas compensou com um número enorme de assistências, 63 no total. E decidiu nos momentos cruciais, como ao marcar o único gol na final do campeonato contra o Newcastle em 1996 ou no final da final da Copa da Inglaterra contra o Liverpool naquele mesmo ano.

    Matheus Cunha, que tem a mesma idade que Cantona tinha quando se juntou ao United, tem um longo caminho a percorrer se quiser realmente fazer jus às comparações com o francês. Ele está bem ciente disso. "Preciso fazer muito mais para ser comparado a ele", disse Cunha ao The Sun nesta temporada. "Sinto-me privilegiado por ser associado a esse tipo de coisa e também ao Cantona. Ele fez história. E se eu conseguir fazer uma pequena porcentagem do que ele já fez, ficarei muito feliz e então tentarei trilhar meu caminho para que as pessoas também se lembrem de mim."

    Mas no Emirates Stadium, Cunha trilhou o caminho certo para seguir os passos de Cantona e só precisa continuar assim.

0