Nos últimos anos, dizer que um jovem saiu do Independiente del Valle virou, no futebol sul-americano, quase um selo de garantia. Foi de lá que saiu Moisés Caicedo, hoje um dos melhores volantes do mundo no Chelsea; o zagueiro William Pacho, titular na zaga do bicampeão da Europa, Paris Saint-Germain; e Piero Hincapié, peça importante no último título do Arsenal da Premier League. A pequena Sangolquí, cidade nos arredores de Quito, transformou-se num raro exemplo de fábrica de craques num país historicamente mais conhecido por exportar força física do que talento refinado com a bola.
E é justamente num momento de embalo que o mais novo produto dessa fábrica pede passagem. Nas últimas semanas, Keny Arroyo vive a melhor fase desde que chegou ao Brasil. Foram três gols em pouco mais de dez dias, cada um deles com sabor especial: dois contra o Flamengo, um pela Libertadores e outro pelo Brasileirão, e mais um na ida das quartas de final da Copa do Brasil, contra o Atlético-MG. Em comum, as três finalizações vieram de fora da área, com aquele tipo de chute cruzado e violento que costuma render replay repetido nos programas esportivos. Não é exagero dizer que o equatoriano está, hoje, no melhor momento individual de sua ainda curta trajetória no Cruzeiro.
Arroyo carrega o peso de vir do mesmo celeiro que revelou Caicedo, Pacho e Hincapié, mas trilhou um caminho um pouco mais tortuoso até aqui: precisou de uma experiência dura na Turquia para entender que o Brasil seria o lugar certo para atingir sua melhor versão.
Esta é a história de como ele chegou até este momento e do que ainda precisa provar para repetir o sucesso da fábrica que o revelou.










