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Carlo Ancelotti Kaka AC Milan Champions LeagueGetty Images

Kaká, Henry e mais: o histórico de Ancelotti com jovens craques que explica paciência com Endrick

A pouca utilização de Endrick por Carlo Ancelotti na seleção brasileira e anteriormente no Real Madrid tem gerado questionamentos entre torcedores e comentaristas.

Mas a postura do treinador italiano está longe de ser uma novidade.

Ao longo de quase três décadas de carreira, Ancelotti alternou entre lançar jovens talentos precocemente e pedir paciência para outros nomes que mais tarde se transformariam em estrelas do futebol mundial.


  • Thierry Henry

    Um dos casos mais conhecidos é o de Thierry Henry. Antes de se tornar ídolo do Arsenal e campeão do mundo com a França, o atacante trabalhou com Ancelotti na Juventus. Aos 21 anos, porém, teve poucas oportunidades e chegou a atuar fora de sua posição de origem.

    "No Monaco, eu comecei a jogar com 17 anos no ataque e me colocaram na ponta. Eu não sabia jogar como ponta, ser rápido e ser rápido com a bola são duas coisas completamente diferentes. Na Juventus, Ancelotti chegou, jogando no 3-5-2, e eu era o ala. Passei de camisa 9 para ala", relembrou Henry ao podcast The Overlap.

    A passagem foi curta. Incomodado com a falta de perspectivas, o francês acabou deixando o clube italiano. Anos depois, o próprio Ancelotti admitiu que cometeu um erro na avaliação do jogador.

    "O único erro que cometi foi não tê-lo visto imediatamente como um atacante. Penso nisso às vezes, claro. Eu só tive três meses para treinar o Henry. Vi que ele tinha talento, mas estava jogando como um meio-campista aberto", declarou o treinador em entrevista concedida em 2006.

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  • Arda Guler

    Situação parecida ocorreu recentemente com Arda Guler no Real Madrid. Apesar da expectativa em torno do meia turco, o jovem teve poucos minutos em campo durante a passagem de Ancelotti pelo clube espanhol. Ainda assim, o treinador manteve conversas frequentes com o atleta.

    "Mesmo quando eu não estava jogando, ele sempre se comunicava comigo. Ele me disse para ser paciente e continuar trabalhando, que minha hora chegaria. Essas palavras realmente me deram confiança", afirmou Guler.

  • Anthony Gordon Everton 2022-23Getty

    Anthony Gordon

    O discurso de paciência também apareceu na passagem do italiano pelo Everton. Em 2020, Anthony Gordon dava os primeiros passos na equipe principal quando recebeu elogios públicos do treinador, que reforçou a necessidade de desenvolvimento gradual.

    "Anthony Gordon está trabalhando conosco. Vejo muita qualidade nele. Ele precisa melhorar e precisamos ser pacientes, mas ele tem qualidade para estar no mais alto nível", disse Ancelotti na época.

  • Carlo Ancelotti, Vinicius Junior, Real MadridGetty Images

    Brasileiros sob o comando de Ancelotti

    Se alguns jovens precisaram esperar, outros receberam confiança imediata. Kaká é um dos principais exemplos. Contratado pelo Milan aos 21 anos, o brasileiro rapidamente se tornou titular e uma das referências da equipe italiana. Anos depois, destacou a importância de Ancelotti em sua trajetória.

    "Foi o grande treinador da minha carreira, porque foi quem me fez performar da melhor maneira possível", afirmou Kaká ao portal NeoFeed.

    Outro brasileiro que encontrou seu melhor futebol sob o comando do italiano foi Vinícius Júnior. Após temporadas de oscilações no Real Madrid, o atacante assumiu protagonismo com a chegada de Ancelotti e se consolidou entre os principais jogadores do mundo.

  • Buffon ParmaGetty Images

    Gianluigi Buffon

    Mas talvez nenhum caso represente melhor a disposição do treinador para apostar em jovens do que Gianluigi Buffon. No Parma, Ancelotti transformou o goleiro em titular quando ele tinha apenas 17 anos.

    "Carlo Ancelotti é o treinador a quem mais devo. Se Nevio Scala teve a ideia maluca de me dar a minha estreia pelo Parma, Carlo foi ainda mais maluco. Me fez o titular à frente de Luca Bucci depois de cinco ou seis jogos", recordou Buffon à Sky Sport.

    O próprio técnico costuma usar esses exemplos para responder às críticas de que não confia em jogadores jovens.

    "Algumas pessoas esquecem que lancei Buffon no gol quando ele tinha 17 anos. Lancei Crespo, Pato e Kaká quando tinham 19 ou 20 anos, simplesmente porque estavam prontos para jogar", afirmou Ancelotti durante sua passagem pelo Bayern de Munique.