Capítulo Di Gregorio. Também aqui, vamos partir dos fatos, ou seja, das palavras postadas nas redes sociais por seu agente, Alberto Belloni: “20 novos jogadores em duas temporadas, 3 treinadores em duas temporadas, 3 diretorias em duas temporadas: esses são os números que fazem a verdadeira diferença. Di Gregorio termina em quarto lugar na classificação do Sofascore, à frente de Milinkovic-Savic e Sommer, vencedor do campeonato e segundo colocado. A diretoria francesa gasta 130 milhões em três atacantes inaceitáveis: para cobrir essa despesa absurda, atribui toda a culpa pelo fracasso da temporada ao goleiro contratado pela diretoria anterior, na pessoa do diretor esportivo Giuntoli, como o melhor goleiro da Série A aos 26 anos.
Gols sofridos: Juventus 34 x Inter 35; gols marcados: Juventus 61 x Inter 82. Não há o que discutir. Di Gregorio tem contrato de três anos com a Juventus. Ele participará da pré-temporada e, durante a janela de transferências, avaliaremos eventuais oportunidades. Ele está na lista de candidatos de vários clubes europeus. Não temos pressa, exigimos respeito por quem sempre esteve à altura, mesmo quando teria sido mais fácil ficar no banco, sentado a conversar...”.
Nessas palavras, o que deixa perplexos não é tanto o conteúdo, mas sim o momento e a oportunidade. Quanto ao conteúdo, alguns conceitos expressos por Belloni são compartilháveis, e várias vezes, inclusive aqui, já nos manifestamos sobre os danos causados nos últimos anos pela rotatividade de dirigentes e treinadores. Há também um fundo de verdade na análise dos números sobre os gols marcados e sofridos pela Juventus, embora, para ser justo, deva-se acrescentar a estatística, pouco lisonjeira para Di Gregorio, sobre os gols sofridos no primeiro chute recebido (46%).
Além do conteúdo, porém, reiteramos, são o momento e a oportunidade que levantam dúvidas. A menos que Di Gregorio se distancie publicamente das palavras de Belloni (o que, aliás, o goleiro fez pontualmente, com visão de futuro, à tarde, após a redação deste artigo: LEIA AQUI), em termos de comunicação, as declarações do agente representam o pensamento de seu representado. E, portanto, como Di Gregorio vai se apresentar no treinamento e dividir o vestiário, por exemplo, com os atacantes mencionados na postagem? Além disso, ampliando a discussão para o mercado de transferências, temos certeza de que um goleiro cuja comitiva se comunica nesses termos não suscite dúvidas nos clubes que, eventualmente, estejam interessados em sua contratação? E a própria Juventus, daqui em diante, será mais rígida ou mais flexível nas negociações para encontrar um novo clube para Di Gregorio? As próximas semanas nos darão as respostas.
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