No verão em que fica cada vez mais evidente o abismo entre o futebol italiano e a Premier League — que gastou 134 milhões por Elliot Anderson e roubou Marco Palestra do clube que, neste momento, é o mais poderoso da Itália, o Inter —, até mesmo a Juventus precisa se adaptar a uma nova realidade. E se antigamente os bianconeri podiam se dar ao luxo, por exemplo, de contratar os melhores jogadores da França em cada posição, de Platini a Zidane, passando por Deschamps, Trezeguet, Lilian Thuram e Vieira, hoje a Velha Senhora vem tentando, há mais de um ano, trazer de volta a Turim Randal Kolo Muani, que não foi convocado para a Copa do Mundo e não está (pelo menos) entre os nove melhores atacantes franceses: Akliouche, Barcola, Cherki, Dembélé, Doué, Mateta, Mbappé, Olise e Marcus Thuram, todos presentes na Copa do Mundo.
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Juventus, a novela em torno de Kolo Muani, décimo artilheiro da França, e a crítica de Jonathan David
NOVELA “KOLO MUANI E DAVID AL VELENO”
A novela em torno de Kolo Muani parece pertencer a um mundo atemporal, pois tanto com Damien Comolli quanto com Giovanni Carnevali as condições são as mesmas: há um ano que a Juventus conta com a disposição do jogador, mas não consegue chegar a um acordo com o Paris Saint-Germain. E quem sabe se Luciano Spalletti conseguirá contar com Kolo Muani já a partir da data da concentração para a pré-temporada, em 16 de julho.
Enquanto isso, ainda na Copa do Mundo, Jonathan David faz questão de ressaltar que quer ficar na Juve (“Tenho um contrato de cinco anos”) e, nas entrelinhas — mas nem tanto assim —, depois de marcar três gols pelo Canadá, parece querer enviar uma mensagem a Spalletti: “É uma situação totalmente diferente: a Juventus e a Seleção são duas equipes diferentes, dois sistemas diferentes. Mas, como atacante, toda vez que você marca, ganha cada vez mais confiança e leva essa confiança para a partida seguinte”. Quem sabe o que pensa o técnico da Juventus, que durante a temporada não deixou de provocar David, cutucando-o sobre a personalidade (“David e Openda precisam ter autoconfiança e aquela cara de... nos momentos decisivos”).
TODOS OS CASOS DO ATAQUE
É mesmo, Openda, mais um problema difícil de resolver para Spalletti e, sobretudo, para Carnevali. É praticamente impossível dar um jeito em uma contratação definitiva de 43 milhões que teve uma temporada desastrosa, que não está na Copa do Mundo e que não tem valor de mercado. A única solução é encontrar alguém que queira apostar em um empréstimo com opção de compra, na esperança de que uma boa temporada possa levar a uma transferência definitiva em 2027. Completam o quadro do difícil panorama do ataque da Juve um Yildiz que saiu mal de uma péssima Copa do Mundo, um Zhegrova que é um enigma tanto no mercado quanto em campo, assim como Milik, e o caso Vlahovic, que já está chegando ao fim, com o contrato expirando em três dias e uma última proposta da Juve à qual ele ainda não respondeu. Apenas Conceição, com sua seleção de Portugal, e Boga, que a Juve resgatou do Nice, estão sorrindo neste momento.
PRIMEIRO, VENDER
A Juventus está, portanto, partindo com tudo, concentrando-se, nesta fase preliminar da janela de transferências, principalmente nos goleiros (com Dibu Martinez ainda como principal alvo) e nos zagueiros, com negociações concretas envolvendo Jhon Lucumì e Tarik Muharemović, enquanto ainda não há novidades para o meio-campo, que talvez seja a posição em que a Velha Senhora mais precise agregar experiência e qualidade. Mas, antes disso, é preciso vender: a Juventus precisa arrecadar 13 milhões até 30 de junho e, no total, realizar vendas no valor de 100 milhões até 30 de junho de 2027. Um sinal dos tempos. Tempos difíceis.
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