Nenhuma decisão simbolizou melhor essa transformação do que a de Hakim Ziyech: ele nasceu na cidade de Dronten, passou toda a sua formação no sistema de futebol holandês, representou as seleções de base da Holanda e chegou a ser convocado para a seleção principal em 2015.
Embora uma lesão o tenha impedido de disputar sua primeira partida, o que aconteceu depois teve um impacto muito maior do que a simples ausência em um amistoso.
Após as mudanças na comissão técnica holandesa após a saída de Guus Hiddink, Ziyech começou a sentir que não recebia o devido reconhecimento; já o Marrocos fez com que ele se sentisse um elemento indispensável.
Os dirigentes da Federação Marroquina mantiveram contato constante com ele, explicaram-lhe uma visão esportiva de longo prazo e apresentaram-lhe um projeto no qual ele seria uma das principais figuras da seleção.
E quando Ziyech decidiu representar o Marrocos, mais tarde naquele ano, muitos na Holanda ficaram surpresos.
Mas sua explicação foi muito simples: “Sempre me senti marroquino... A escolha se faz com o coração”.
O Marrocos está acostumado a ver seus maiores talentos, com dupla nacionalidade, optarem pelas grandes potências europeias, mas, de repente, um dos melhores jogadores da liga holandesa decidiu representar os “Leões do Atlante” em vez dos “Moinhos”.
Outros seguiram o mesmo caminho: Nasser Mazraoui nasceu em Liderdorp, antes de passar pela base do Ajax; Sofiane Amrabat cresceu na cidade de Hoessen; e Anas Salahuddin foi formado nas escolas de futebol holandesas antes de optar por representar o Marrocos.
Já Ismail El-Sibari, apesar de ter nascido na Espanha, teve sua formação futebolística quase inteiramente na academia do PSV Eindhoven.
E quer esses jogadores consigam ou não garantir uma vaga na seleção holandesa mais forte, comandada por Ronald Koeman, isso não é o cerne da questão.
Todos eles são jogadores de elite, formados no sistema de futebol holandês, mas que hoje passaram a defender um dos principais rivais da Holanda no cenário internacional.